O tempo passa e a vida também. Muitas vezes, desejamos que o tempo ande mais depressa quando somos jovens, ansiosos por alcançar a idade adulta e todas as suas promessas. No entanto, assim que lá chegamos, o tempo parece ganhar asas e, num ápice, já vislumbramos o Carnaval, a Semana Santa, a Páscoa, o Verão e, logo a seguir, as festividades dos Santos e o Natal a espreitar no horizonte. É um ciclo constante, onde os dias vão minguando e, sem darmos conta, avançamos rapidamente no calendário.
A vida revela-se demasiado breve. Quase todos só tomamos verdadeira consciência dessa realidade quando já passou uma boa parte dela. É um pensamento comum, muitas vezes repetido, mas nem por isso deixa de ser menos verdadeiro. Quem nunca pensou que, se pudesse voltar atrás, faria certas coisas de outra forma, convencido de que assim teria sido mais feliz? Mas será que fazendo diferente mudaríamos mesmo o resultado?
Acredito em Deus e tenho uma fé profunda. Não creio que os acontecimentos sejam aleatórios; cada um de nós tem um caminho a trilhar. Alguns chamam-lhe destino, eu prefiro pensar em trabalho, coragem, empenho, querer e, talvez, um pouco de sorte. As circunstâncias familiares e ambientais influenciam-nos, mas, salvo raras exceções, o caminho que escolhemos é da nossa responsabilidade. Cada decisão, cada passo, faz parte do nosso percurso único.
Já percorri mais de metade da minha jornada e, olhando para trás, sinto-me em paz. Se pudesse regressar no tempo, pouco ou nada mudaria. Não foi sempre fácil: enfrentei obstáculos, precisei de coragem, determinação e, por vezes, lágrimas. Mas, com resiliência, alcancei os objetivos a que me propus.
É por isso que, todos os dias, agradeço pela vida que me foi dada: pelos pais e avós incríveis, pelas irmãs amigas, pela esposa companheira, mãe e avó dedicada, pelos filhos e netas, e por toda a família alargada que me enche de orgulho e felicidade. Sinto que fui abençoado e que recebi muito mais do que poderia pedir. A gratidão tornou-se parte fundamental do meu viver.
Quanto mais vivo, mais aprendo e agradeço. A minha vida não foi isenta de dificuldades, mas foi digna e feliz. Não preciso de muito mais do que já tenho. Continuo a agradecer diariamente pelo que recebo e a pedir que Deus me ajude a ser merecedor da Sua bondade.
O tempo deixa marcas: o corpo envelhece, aparecem fragilidades e limitações. Mas enfrento-as com serenidade, aceitando o que vier, confiando nos planos do Criador. Que se faça sempre a Sua vontade e não a minha.
A todos os familiares e amizades desejo um excelente final de ano e uma entrada em 2026 repleta de saúde, sorte e felicidade. E, para o mundo que habitamos, o maior dos desejos: que alcancemos a paz e a concórdia indispensáveis ao fim das guerras, para que possamos ser, de facto, irmãos.
Saibamos ser felizes, apesar da brevidade e incerteza do tempo.
31 dezembro 2025
