segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O encanto da lareira acesa

Quando o inverno se instala com as suas noites frias e longas, há poucas coisas tão acolhedoras como estar em frente a uma lareira acesa. O calor que emana das chamas envolve-nos num abraço silencioso, trazendo conforto não apenas ao corpo, mas também à alma.
O fogo que crepita diante de nós transforma o ambiente e enche-o de tranquilidade e de paz, uma sensação difícil de explicar em palavras. Sentar e observar simplesmente o fogo é um ritual que nos devolve ao essencial.
O lento processo da lenha a consumir-se, tornando-se cinzas, é hipnotizante. A dança das chamas ora mais intensas, ora mais suaves, convida à contemplação.
É fácil perder a noção do tempo perante este espetáculo natural e perceber que por vezes não é o destino, mas o caminho que importa. O fogo lembra-nos a beleza do ciclo da vida:
Tudo começa, tudo termina, nada permanece igual.
Os elementos da natureza, como o fogo, revelam-nos o sentido de pertença. Relembram-nos onde é casa, onde está a nossa origem e a raiz de todas as coisas.
A lareira torna-se então um símbolo de ligação entre o passado e o presente, entre o mundo exterior e o nosso mundo interior. Ao olharmos para as chamas, sentimo-nos parte de algo maior, de uma história ancestral que continua a ser contada em cada inverno.
Se estivermos verdadeiramente atentos nesse momento, o fogo ensina-nos sobre desapego, transformação e conexão. Nada mais é necessário além deste crepitar, deste calor, desta lenta presença.
É na simplicidade do instante que reside a plenitude. Cada inverno oferece-nos a oportunidade de regressarmos a nós mesmos, de encontrarmos paz e beleza no processo e de sentirmos, no fundo do peito, que estamos exatamente onde devemos estar.

Boa semana...

José Coelho
Texto e foto