terça-feira, 9 de dezembro de 2025

A nostalgia é um abraço do passado

A observar como as gotas da chuva deslizam suavemente pela vidraça da janela, permito-me sentir o tempo desacelerar como se o mundo lá fora, por instantes, ficasse suspenso.
Esse momento de pausa dá espaço à memória que me envolve delicada e livremente, como uma manta acolhedora.
Percebo então que a nostalgia não é sinónimo de tristeza. Pelo contrário ela revela-se um conforto, um afago suave vindo do passado para aquecer o presente com recordações preciosas.
São rostos, risos e lugares, sons e aromas que se entrelaçam e formam o tecido da minha história. Cada lembrança, seja ela nítida como um rosto, ou difusa como uma sensação, representa uma parte do que sou.
Tal como a chuva que vai desenhando caminhos inesperados pelo vidro, as memórias percorrem o meu pensamento, ora suaves, ora intensas, trazendo consigo fragmentos de outros tempos.
Essas memórias muitas vezes despertadas pelo simples tamborilar da chuva, ou pelo perfume de um dia cinzento, são mais do que imagens do passado.
Elas são constituintes fundamentais do presente que moldam o modo como vejo o mundo, influenciam as decisões que tomo e alimentam os sentimentos que cultivo.
A nostalgia revela-se como um laço invisível mas poderoso, que me une ao que fui, ao que vivi e ao que permanece comigo, mesmo distante no tempo.
Não carrega o peso da saudade dolorosa, mas sim a leveza de uma presença discreta, capaz de iluminar os dias cinzentos e lembrar que cada momento, por mais simples que seja, tem o seu valor.
Em cada escolha há reflexos das experiências que já vivi, em cada gesto há ecos de pessoas que fizeram parte do meu caminho. A nostalgia longe de ser um obstáculo, é um elemento vital da identidade, é ela que me faz reconhecer que sou feito de instantes, de encontros, de risos e até de despedidas.
O passado não é um lugar onde a alma se perde; pelo contrário, é o terreno fértil onde se constrói o presente.
As memórias sejam agradáveis ou dolorosas são pedras fundamentais na edificação de quem somos. E é na nostalgia que encontro a aceitação de tudo o que vivi, que valorizo cada pedaço da minha história, que reconheço ter sido essencial para o meu crescimento.
Por isso ao contemplar estas gotas da chuva deixo que a memória me abrace. Permito-me sentir o aconchego do passado e reconheço que cada momento vivido, é parte integrante de mim.
Em dias cinzentos a nostalgia não pesa, conforta, ilumina e recorda-me que sou feito de tempo, de experiência, e, sobretudo, de sentimentos que permanecem.
Texto e foto