A idade torna-nos mais tranquilos. Não uma tranquilidade que se transforma em passividade resignada, mas sim numa serenidade que lapida e apura a nossa percepção e sensibilidade.
À medida que os anos vão passando vamos aprendendo a respirar fundo antes de responder a provocações deliberadas, a ponderar cada palavra, cada gesto e cada reação. Ou a optar, simples e conscientemente, por não dar qualquer resposta.
A espuma dos dias concede-nos uma calma que não é, de forma alguma, ausência de emoções ou de entusiasmo pela vida. Muito pelo contrário, torna-nos mais atentos ao que realmente importa, mais conscientes dos nossos sentimentos e das consequências das nossas decisões.
Aprendemos a sentir antes de agir, a escutar o silêncio entre as palavras, a valorizar cada instante antes de o deixar escapar.
A calma da idade é uma sabedoria silenciosa que não se impõe nem faz alarde, mas se revela nas pequenas atitudes do dia a dia: na paciência perante os desafios, na tolerância perante as diferenças, na compreensão dos próprios limites e na aceitação dos altos e baixos da nossa existência.
É uma paz construída lentamente, pedra sobre pedra, ao ritmo das experiências vividas.
No fundo, a (maior)idade mostra-nos que ter calma não é de modo algum sinal de fraqueza, mas de força. A força de quem aprendeu que nem tudo precisa de resposta imediata, que o tempo pode ser um aliado e que há beleza no compasso mais lento da maturidade.
Respirar, olhar, sentir: eis o caminho que a idade desenha e nos convida a uma vida mais plena, mais autêntica e, acima de tudo, mais sábia.
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