Vivamos, aprendamos e saibamos que, frequentemente, as nossas dores físicas são, na verdade, manifestações de algo mais profundo.
O corpo diz o que muitas vezes a alma cala.
Os olhos, por sua vez, não sofrem apenas pelo cansaço ou pelas noites mal dormidas, mas também pelas injustiças e tristezas que se tornam impossíveis de ignorar. É o peso do que presenciamos e desejamos mudar, mas nem sempre conseguimos.
A dor de cabeça nem sempre tem de ser sintoma de doença e pode ser o turbilhão de pensamentos que nela se amontoam sem encontrarem saída ou compreensão a provocar excesso de ansiedade e de stress que silenciosamente se instalam.
O estômago reflete o que não conseguimos digerir: mágoas, medo, insegurança, tudo o que nós engolimos em silêncio. Da mesma forma, a garganta dói não apenas por infeções, mas por tudo aquilo que deixamos de dizer, por palavras sufocadas pelo medo, ou por aquilo que, dito com raiva, nos magoa a nós e aos outros.
Já o fígado associado à raiva nas medicinas orientais, guarda dentro de si ressentimentos acumulados, zangas não expressas, sentimentos reprimidos ao longo do tempo.
E o coração, símbolo máximo da vida, não sofre unicamente devido a problemas físicos, mas também pela ausência de amor: de amor-próprio, de amor pelo outro, de amor à vida.
Neste olhar holístico convido-vos a escutardes o vosso corpo com mais atenção e a perceber que, muitas vezes, a verdadeira cura reside nas emoções bem cuidadas, nos sentimentos reconhecidos, nas palavras ditas com verdade e nos afetos partilhados.
Perante tudo isto o amor apresenta-se sempre como o maior remédio: o amor que se dá, o que se recebe, o que se cultiva diariamente nas pequenas ações e nos grandes gestos.
Que possamos cuidar das nossas dores, não apenas com remédios, mas com abraços, conversas, compreensão e acima de tudo, com amor, porque, afinal, é nele que encontramos o verdadeiro bálsamo para o corpo e para a alma.
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