quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Saibamos ser felizes

O tempo passa e a vida também. Muitas vezes, desejamos que o tempo ande mais depressa quando somos jovens, ansiosos por alcançar a idade adulta e todas as suas promessas. No entanto, assim que lá chegamos, o tempo parece ganhar asas e, num ápice, já vislumbramos o Carnaval, a Semana Santa, a Páscoa, o Verão e, logo a seguir, as festividades dos Santos e o Natal a espreitar no horizonte. É um ciclo constante, onde os dias vão minguando e, sem darmos conta, avançamos rapidamente no calendário.
A vida revela-se demasiado breve. Quase todos só tomamos verdadeira consciência dessa realidade quando já passou uma boa parte dela. É um pensamento comum, muitas vezes repetido, mas nem por isso deixa de ser menos verdadeiro. Quem nunca pensou que, se pudesse voltar atrás, faria certas coisas de outra forma, convencido de que assim teria sido mais feliz? Mas será que fazendo diferente mudaríamos mesmo o resultado?
Acredito em Deus e tenho uma fé profunda. Não creio que os acontecimentos sejam aleatórios; cada um de nós tem um caminho a trilhar. Alguns chamam-lhe destino, eu prefiro pensar em trabalho, coragem, empenho, querer e, talvez, um pouco de sorte. As circunstâncias familiares e ambientais influenciam-nos, mas, salvo raras exceções, o caminho que escolhemos é da nossa responsabilidade. Cada decisão, cada passo, faz parte do nosso percurso único.
Já percorri mais de metade da minha jornada e, olhando para trás, sinto-me em paz. Se pudesse regressar no tempo, pouco ou nada mudaria. Não foi sempre fácil: enfrentei obstáculos, precisei de coragem, determinação e, por vezes, lágrimas. Mas, com resiliência, alcancei os objetivos a que me propus.
É por isso que, todos os dias, agradeço pela vida que me foi dada: pelos pais e avós incríveis, pelas irmãs amigas, pela esposa companheira, mãe e avó dedicada, pelos filhos e netas, e por toda a família alargada que me enche de orgulho e felicidade. Sinto que fui abençoado e que recebi muito mais do que poderia pedir. A gratidão tornou-se parte fundamental do meu viver.
Quanto mais vivo, mais aprendo e agradeço. A minha vida não foi isenta de dificuldades, mas foi digna e feliz. Não preciso de muito mais do que já tenho. Continuo a agradecer diariamente pelo que recebo e a pedir que Deus me ajude a ser merecedor da Sua bondade.
O tempo deixa marcas: o corpo envelhece, aparecem fragilidades e limitações. Mas enfrento-as com serenidade, aceitando o que vier, confiando nos planos do Criador. Que se faça sempre a Sua vontade e não a minha.
A todos os familiares e amizades desejo um excelente final de ano e uma entrada em 2026 repleta de saúde, sorte e felicidade. E, para o mundo que habitamos, o maior dos desejos: que alcancemos a paz e a concórdia indispensáveis ao fim das guerras, para que possamos ser, de facto, irmãos.
Saibamos ser felizes, apesar da brevidade e incerteza do tempo.
31 dezembro 2025

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Excelente reflexão para esta quadra festiva


Entre ser cristão e ser contra os imigrantes não há um debate político, há uma incoerência espiritual.

Não se trata de ser de esquerda ou de direita.
Trata-se de ser cristão.
O cristianismo não nasce do medo, mas do encontro. Não cresce da exclusão, mas do acolhimento. Não se sustenta no “nós” contra “eles”, mas no “tu” que se torna irmão.
Jesus não perguntou de onde vinhas. Perguntou apenas se tinhas fome. Não quis saber a tua nacionalidade, apenas se precisavas de água, de abrigo, de cuidado.
“Era estrangeiro e acolhestes-Me.” Não como metáfora. Não como poesia distante. Mas como critério de julgamento da própria fé. Há quem invoque a segurança, a economia, a identidade. Há receios legítimos, perguntas necessárias, equilíbrios a cuidar.Mas o Evangelho não nos autoriza a fechar o coração antes de abrirmos a consciência.
Portugal envelhece. Os sistemas cansam-se. A esperança precisa de braços novos. E muitos dos que chegam não vêm para tirar, vêm para trabalhar, contribuir, cuidar, construir futuro.
Acolher não é ingenuidade. É responsabilidade. É visão de bem comum. É perceber que a dignidade humana não tem fronteiras nem vistos.
Quando um cristão rejeita o estrangeiro, não está apenas a tomar uma posição social, está a afastar-se do centro da sua própria fé.
Ser cristão é escolher o amor quando o medo grita. É optar pela compaixão quando a indiferença parece mais cómoda.
É transformar a hospitalidade em testemunho.
Não acolhemos porque é fácil.
Acolhemos porque é cristão.
E talvez seja aí, nesse gesto simples e exigente, que o Evangelho volta a ganhar carne, rosto e futuro.

Padre João Torres
* 30. 12. 2025

Mensagem de Fim de Ano


O ano 2025 está prestes a terminar. Deixa-nos os ensinamentos de tudo o que nos concedeu de bom, ou nem por isso, mas também muita esperança no que vem já a seguir. É tempo de celebrarmos as conquistas, de refletirmos sobre as aprendizagens e acima de tudo, de recomeçarmos com o coração cheio de projetos. Guardemos connosco apenas o que foi positivo nos fez crescer e sorrir e procuremos, na medida do possível, deixar para trás o que não correu assim tão bem.
Se porventura este ano que termina nos trouxe sofrimento ou desafios inesperados, que fique pelo menos a certeza de termos sido capazes de os superar. E se em algum momento errámos, que esses erros resultem em ensinamentos para que os próximos passos sejam mais seguros e conscientes.
As dificuldades fazem parte do caminho. Guardemos, por isso, apenas a feliz lembrança daquele momento em que, com a nossa determinação e coragem, conseguimos vencê-las.
Sejamos gratos por mais este ano de vida, independentemente dos altos e baixos, pois é a experiência que nos molda tornando-nos mais resilientes, experientes e sábios. A gratidão é, sem dúvida, o maior presente que podemos oferecer a nós próprios, quando encerrarmos mais um ciclo.
É agora tempo de renovar sonhos, de traçar novos projetos, de alimentar no peito o otimismo e a esperança. Que saibamos valorizar cada dia, cada hora, cada minuto e cada segundo do Novo Ano. Aproveitemos ao máximo as novas oportunidades e aprendamos com tudo o que a vida nos proporciona.
A todas as Famílias, Amigos e também àqueles que, mesmo não sendo tão próximos, cruzam o nosso caminho, desejamos um Feliz e Próspero Ano de 2026. Cuidem-se, mimem-se e façam tudo o que estiver ao vosso alcance para serem felizes.
Que a felicidade seja uma escolha diária e que as festas sejam celebradas com amor, saúde, paz e alegria.

Boas Festas

José Coelho e Maria Coelho

O valor da sinceridade e da verdade

Quem me conhece, sabe que detesto mentiras e gente falsa. Para mim a sinceridade, a humildade e o respeito são fundamentais. Por isso quem não conhece o significado dessas palavras não pode com toda a certeza, ter a minha amizade.
Num mundo onde tantas vezes se valoriza a aparência em detrimento da essência, é fácil encontrar quem escolha o caminho da mentira e falsidade para alcançar objetivos pessoais. Contudo, acredito firmemente que a verdade deve ser a base de qualquer relação, seja ela de amizade, familiar ou profissional. A mentira pode até trazer ganhos momentâneos, mas a longo prazo destrói a confiança, que é tão difícil de conquistar, mas tão fácil de perder.
Ser sincero não significa ser rude ou magoar os outros. Trata-se de agir com honestidade e transparência, dizendo o que se pensa de forma respeitosa. A sinceridade é um ato de coragem porque nem sempre é fácil expor o que realmente sentimos ou pensamos. No entanto, é através dela que construímos relações sólidas e verdadeiras, baseadas na confiança mútua.
Humildade é saber reconhecer que ninguém é perfeito e que todos temos algo a aprender. É admitir os nossos erros, pedir desculpa quando necessário e aceitar críticas construtivas. Uma pessoa humilde não se coloca acima dos outros, trata todos com igualdade e respeito, independentemente da sua posição social, origem ou opinião.
O respeito é o alicerce que sustenta qualquer relação saudável. Respeitar o outro é aceitar as suas diferenças, ouvi-lo com atenção e procurar compreendê-lo antes de o julgar. Quando não há respeito, não há espaço para a confiança ou para o crescimento conjunto. Por isso valorizo tanto essa qualidade naqueles que me rodeiam.
A amizade é mais do que partilhar momentos felizes. É saber que se pode contar com alguém mesmo nas horas difíceis e que essa pessoa será sempre honesta conosco, mesmo que a verdade doa. Por isso não abro mão dos meus princípios: quem não partilha o valor da sinceridade, da humildade e do respeito, dificilmente terá lugar no meu círculo de amigos.
Escolher rodear-me de pessoas verdadeiras é uma decisão consciente e um ato de amor-próprio. Prefiro poucos amigos mas autênticos, do que muitos conhecidos mas falsos. Afinal, relações baseadas em valores sólidos, são aquelas que realmente valem a pena e que tornam a nossa vida mais leve e significativa.
Foto Mariana Coelho.
'A netinha mais nova'

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Seja você mesmo

Ser fiel aos seus princípios e valores é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores recompensas que a vida pode oferecer. Por vezes a tentação de agradar a todos pode ser forte, mas é fundamental lembrarmo-nos que a autenticidade é o caminho mais seguro para a realização pessoal.
Ser autêntico significa assumir quem somos com todas as nossas virtudes e imperfeições, sem necessidade de máscaras ou disfarces.
A vida é uma jornada feita de escolhas diárias. Escolher viver plenamente, amar sem reservas, perdoar quem nos magoou e agradecer pelas pequenas conquistas transforma a nossa existência. Cada gesto de bondade e cada palavra gentil têm o poder de mudar um dia, um destino, ou até mesmo uma vida inteira.
Não retenha o melhor de si apenas para quem merece, distribua-o generosamente mesmo àqueles que à primeira vista não parecem dignos. Muitas vezes é nesses encontros que nasce a verdadeira transformação.
Fingir que se gosta de alguém ou de algo corrói a alma e impede que o coração encontre plenitude. Sorrir sem vontade, concordar sem convicção ou esconder sentimentos dificulta a construção de relações verdadeiras. Ser autêntico não significa ser rude ou insensível, mas sim agir com integridade, respeitando os próprios sentimentos e limites.
Quem vive de coração aberto atrai pessoas e situações que realmente valem a pena.
Valorize o seu tempo e a sua dedicação. Não insista onde não houver reciprocidade, pois a vida é generosa em trazer até nós aquilo que oferecemos ao mundo. Plante o bem, seja exemplo de nobreza e de honestidade porque com toda a certeza colherá frutos dessa sementeira.
O universo devolve sempre de alguma forma, o que o nosso coração entrega aos outros.
O rancor é um peso desnecessário. Guardar mágoas e ressentimentos apenas impede o nosso próprio crescimento. Sempre que possível, prefira perdoar, libertar-se de amarguras e espalhar o bem. Uma palavra de apoio, um sorriso sincero ou um gesto de compaixão podem transformar não só o dia de alguém, mas também o seu.
O bem que se pratica retorna muitas vezes multiplicado, a quem o praticou.
Em suma viva com verdade, intensamente, sem medo de ser quem é. Ame, perdoe, agradeça e espalhe gentileza. O mundo precisa de pessoas autênticas, generosas e capazes de fazerem a diferença. E lembre-se: aquilo que o seu coração oferece ao outro é o que a vida, inevitavelmente, lhe trará a si de volta.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Entre conquistas e despedidas, novos começos


Outro ano se prepara para fechar o seu ciclo, levando consigo as marcas indeléveis das nossas jornadas. Cada um de nós carrega no peito o seu inventário pessoal: para alguns, a satisfação do dever cumprido; para outros, o eco persistente de sonhos que ainda não encontraram morada.

Vivemos momentos de vitória que nos aqueceram a alma, celebrámos conquistas pequenas e grandes, e, simultaneamente, enfrentámos despedidas dolorosas daquelas que deixam um vazio difícil de preencher, especialmente quando nos despedimos de pessoas que foram autênticos tesouros nas nossas vidas.

A vida, na sua essência, nunca prometeu facilidade. Ela avança, bela e implacável, obrigando-nos a seguir adiante sem possibilidade de refazermos o passado. Mas é neste fluxo incontrolável, entre alegrias e tropeços, que a nossa humanidade floresce. São as cicatrizes e as experiências que nos moldam, tornando-nos mais resilientes, mesmo quando o coração sangra silencioso.

Neste final de ciclo, o mais importante é continuar. Persistir, mesmo quando as tempestades parecem não dar tréguas e encontrar força para florescer onde quer que haja um raio de luz. Despedimo-nos deste ano com o peito pleno de gratidão pelas lições aprendidas e com uma coragem renovada para acolher o desconhecido que se anuncia no horizonte.

O futuro, envolto em mistério, acena-nos com promessas e desafios ainda por desvendar. O que trará, ninguém sabe ao certo. Mas seguimos, confiantes e de cabeça erguida, porque, no fim, a beleza da vida reside justamente na coragem de viver, de tentar outra vez, de amar e de recomeçar sempre que for preciso.

Sejam felizes...

José Coelho e Maria Coelho

Viver e aprender

No decorrer da nossa vida somos marcados pelas experiências, alegrias e desafios que enfrentamos, pelas amizades que cultivamos e inevitavelmente pelas decepções que sofremos. Amadurecer é um processo contínuo construído a partir dessas contrariedades, que se transformam em lições para a vida.
Com o passar dos anos aprendemos que o tempo possui um poder transformador. Feridas emocionais que à primeira vista parecem insuperáveis, acabam por cicatrizar. Depois o tempo, na sua silenciosa sabedoria, vai-nos ensinando que a dor diminui, que a deceção não é fatal e que os dias difíceis são também transitórios.
O presente é muitas vezes o reflexo das nossas escolhas do passado, mas também é a oportunidade de recomeçar e redefinir o nosso caminho.
Aprender a lidar com as emoções, é um dos maiores desafios da existência humana. Descobrimos que nem sempre o sofrimento se traduz em lágrimas e que, por vezes, a maior dor é aquela que guardamos no coração. Contudo, é também nas adversidades que reconhecemos quem são os verdadeiros amigos, aqueles que permanecem ao nosso lado, mesmo nos momentos mais sombrios.
A dor, apesar de difícil, fortalece-nos e prepara-nos para sermos mais resilientes nas dificuldades futuras.
Sonhar não é apenas construir castelos no ar, mas acreditar nas possibilidades, alimentar a esperança e traçar objetivos. A verdadeira beleza não reside apenas no que é visível aos olhos, mas sobretudo naquilo que é sentido pelo coração.
Aprender a valorizar sentimentos, gestos e intenções é fundamental para apreciar a vida de forma plena e autêntica.
As palavras têm o poder de curar ou ferir, de incentivar ou desencorajar, mas são as atitudes que verdadeiramente definem quem somos. A coerência entre o que dizemos e o que fazemos é o que nos dá credibilidade e respeito perante os outros.
Os gestos silenciosos falam por vezes mais alto que mil palavras e é através das ações que demonstramos os nossos valores e princípios.
Nem tudo está sob o nosso controlo ou depende da nossa vontade. Existem circunstâncias que escapam ao nosso domínio e é necessário aprender a aceitá-las com serenidade. Um olhar sincero nunca mente e muitas vezes diz mais do que qualquer discurso. Compreender isto é essencial para vivermos de forma mais leve e verdadeira.
Após tantas aprendizagens chega-se à compreensão de que o segredo da vida reside em viver de acordo com a nossa essência. Ser autêntico, independentemente das opiniões, julgamentos ou expectativas alheias, é o maior ato de coragem e liberdade.
O importante é sermos fiéis a nós mesmos, respeitando a nossa maneira de ser e os nossos sentimentos.
Viver é um constante processo de aprendizagem onde cada experiência, positiva ou negativa, deixa a sua marca e contribui para o nosso crescimento. Valorizar o tempo, as emoções, as relações, os sonhos e as atitudes é fundamental para construirmos uma vida cheia de sentido e realização.
Porque o que realmente importa é a autenticidade com que vivemos, mas também a capacidade de sermos nós mesmos perante todos os desafios e maravilhas da vida.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Último fs de 2025

Ser grato, atento ao que me rodeia e sempre disponível para ajudar o próximo, é o meu modo de estar na vida. Nunca o fiz por conveniência ou influência de terceiros e quem me conhece bem sabe que sou mesmo assim.

Bom fim de semana, sejam felizes...

Ditosos os que temem o Senhor (M. Luís)

SALMO RESPONSORIAL DO DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

A felicidade está nas escolhas que fazemos

Ao longo da vida, somos levados por caminhos que nos fazem questionar o verdadeiro significado do amor, da felicidade e do sucesso. Em determinados momentos, quase sem perceber, somos surpreendidos por pequenas epifanias: um dia você percebe que o amor vai muito além de uma cara ou de algumas palavras bonitas.
Ele revela-se nas atitudes, na sinceridade dos gestos, no cuidado silencioso e na presença constante.
As coisas mais simples – um abraço, um sorriso sincero – são na verdade as mais valiosas. E é nesses instantes que reside a essência do que realmente importa e percebemos o sucesso ou fracasso que nasce das escolhas que fazemos todos os dias, da coragem em assumir responsabilidades e de seguir aquilo que mais sentido faz para nós.
A felicidade é uma construção diária e fruto do que cultivamos.
Aprendemos que ela não é um lugar a alcançar, mas um estado a ser vivido. Cada pequena gentileza, cada ato de empatia, cada vez que perdoamos ao invés de guardar mágoas, estamos, sem saber, a edificar a nossa própria felicidade. E nada consola tanto uma dor, como o bem que fazemos aos outros.
Porque ajudar alivia, reconcilia e transforma.
Amigos verdadeiros são tesouros raros que a vida nos oferece. Eles fazem parte da nossa história, partilham das nossas alegrias e tristezas, caminham ao nosso lado mesmo quando todos os outros se afastam. São essas relações sinceras que nos mostram que quem realmente nos merece nunca nos fará sofrer intencionalmente, porque o amor, a amizade e o respeito caminham sempre juntos.
Há um valor imenso em acordar cedo para ver o nascer do sol, em sentir o perfume da manhã, em apreciar a beleza do mundo ao nosso redor. É nesses instantes que percebemos que muitos dos erros que cometemos são, na verdade, tentativas de acertar, de buscar algo melhor para nós e para quem amamos.
Assim como num bom perfume, é a essência – não a embalagem – que realmente importa nas pessoas.
Cada ser humano oferece ao mundo aquilo que tem no coração. Por isso não nos cabe julgar ou punir mas sim tentar compreender, acolher e crescer juntos. O silêncio muitas vezes é a sabedoria que nos resta, diante do que não sabemos ou não conseguimos explicar.
Aprender a ouvir, a respeitar e a ficar em silêncio, é um dos maiores atos de maturidade
No momento que percebermos que o Amor não é apenas um sentimento, mas uma maneira de olhar o mundo, de compreender as pessoas, de aceitar as imperfeições e de valorizar o que é essencial, descobriremos que a felicidade não está no dinheiro ou no status social, mas nas relações que constroem a nossa história, nos vínculos que resistem ao tempo e às circunstâncias.
E que as pessoas mais valiosas são aquelas que permanecem ao nosso lado mesmo quando tudo parece difícil. São elas que nos mostram, com o seu exemplo, que a felicidade não depende dos outros, mas de nós mesmos. E que, mais importante do que buscar alguém que nos ame, é aprendermos a amarmo-nos, a aceitarmo-nos e a cuidar de nós próprios, com gentileza e respeito.
Bom Natal.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Todos os confins da terra (M. Luís)

SALMO RESPONSORIAL DA MISSA DO DIA DE NATAL - ANO A

NATAL 2025

Presépio em miniatura na Toca dos Coelhos

O Deus Menino em tamanho natural da Paróquia da Beirã

O Presépio sob o a Mesa da Eucaristia no Altar-mor da Igreja da Beirã

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Silent Night, Holy Night

No sossego da minha sala, ao compasso do bater do meu coração, a ouvir a melodia de Natal mais bonita de sempre, fiz este vídeo para adoçar e aquecer um pouco o coração de quem queira ouvir.

Boas Festas

Que...


Que o brilho deste Natal esteja mais no olhar das pessoas do que na iluminação das ruas.

Que ele traga também muitos presentes daqueles que não se encontram à venda nem se embrulham porque não têm preço.

Que o Espírito Natalício proporcione a toda a minha Família, a todas as minhas Amizades e também a todos quantos não são nem família nem amizades, momentos inesquecíveis, abraços calorosos, reencontros sonhados e sorrisos sinceros.

FELIZ NATAL

sábado, 20 de dezembro de 2025

Antes que o tempo se escape


Vivemos numa era em que quase tudo parece estar ao alcance das nossas mãos: casas confortáveis, tecnologia avançada, fotografias e filtros que embelezam momentos, mas falta o essencial.

Partilhar afetos.

As famílias de hoje têm tudo, menos tempo.

Falta-lhes a presença dos entes queridos, o cheiro da comida caseira, o som das vozes amadas, o abraço que não precisa ser pedido.

Os jovens comunicam-se quase exclusivamente através de mensagens instantâneas e os mais idosos falam para quem não os escuta, aguardando chamadas de longe que raramente chegam.

E assim a distância cresce silenciosa, entre gerações.

Recordo o tempo em que família era sinónimo de partilha, em que cabia sempre mais um na mesa mesmo que a casa fosse pequena, em que o amor não era exibido em fotografias e se vivia nos gestos diários, nos olhares sinceros, no carinho genuíno.

Na época em que cresci as distrações tecnológicas não existiam. Conversava-se, trocavam-se ideias, discutia-se e apesar dos conflitos domésticos, sentia-se a fraternidade. Havia comunicação verdadeira, laços fortes e a certeza de que, perante qualquer desafio, a família era refúgio certo e seguro.

Atualmente o amor tornou-se descartável e a família uma lembrança nostálgica. Os idosos ficam sozinhos arrastando os dias até já não poderem mais, sendo depois encaminhados para lares onde a presença familiar se dilui por falta de tempo motivada pelas obrigações quotidianas e se transforma em longos e desconfortáveis silêncios.

Nas casas modernas acumulam-se os ecrãs de todos os tamanhos, mas escasseiam os encontros genuínos. Os mais novos substituem os abraços por notificações digitais enquanto os mais velhos olham desiludidos para o telefone à espera de um sinal que raramente chega.

Assim os laços familiares se vão desfazendo lentamente sem grandes alardes, até o silêncio se tornar mais pesado do que qualquer barulho.

Apesar de ser já quase impossível, continuo a preferir a casa e a mesa cheias, porque não são as novas tecnologias que criam barreiras à fraternidade, à família e ao amor. É o abandono, esse contagioso mal do tempo de agora que se propaga sem se ouvir, destrói memórias e esvazia lares.

O verdadeiro obstáculo é a ausência consciente de afetos, a falta de dedicação e de convívio.

Ainda era tempo de resgatar as nossas tradições, de desligar os telemóveis durante as refeições, de ouvir com atenção quem está ao nosso lado, de ensinar aos mais novos o valor de um abraço, de mostrar que pertença é muito mais do que partilhar a internet mas partilhar sim a vida, as histórias e os sentimentos comuns.

Família não é apenas uma palavra; é a mesa cheia, o barulho das conversas, o espaço onde cabe sempre mais um. Urge valorizar o que realmente importa, recuperar a presença e proximidade das famílias, antes que o tempo – esse bem cada vez mais escasso – se escape.

Bom Natal 2025

José Coelho c/ Maria Coelho

Venha o Senhor

SALMO RESPONSORIAL DO DOMINGO IV DO ADVENTO - ANO A

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

E a gente merece...


 Tarde fria, a sugerir o aconchego da lareira. Tá-se bem...
Vídeo José Coelho

Bom fim de semana

Colhemos (sempre) o que semeamos

A vida ensinou-me que a única pessoa em quem posso sempre confiar, sou eu. Amigos, familiares e conhecidos podem até oferecer algum apoio, mas as experiências mais profundas – alegrias, tristezas, frustrações ou sonhos – serão sentidas e vivenciadas de maneira única, apenas por cada um de nós.
Ninguém mais pode viver o que nos está destinado. As particularidades da nossa existência, as dores mais íntimas, os momentos de felicidade genuína e até as pequenas conquistas diárias são exclusivamente nossos. Reconhecer essa verdade é um passo fundamental para a autossuficiência emocional e para o autoconhecimento.
Muitas vezes ansiamos por respostas imediatas ou por sinais claros sobre o futuro. No entanto, a vida ensina-nos que tudo chega no seu tempo. O que for realmente nosso, o que nos estiver destinado acabará por chegar, seja uma oportunidade, uma pessoa especial ou uma realização profissional.
Não sabemos quando, onde, ou de que forma, mas há uma certeza: o que for nosso virá ter conosco.
Enquanto caminhamos pela vida é fundamental mantermos valores como a honestidade, a justiça e a compreensão. São esses princípios que orientam as nossas ações e determinam a qualidade da “sementeira” que vamos fazendo.
E tal como na agricultura, a colheita será sempre proporcional: se semearmos bondade e retidão, colheremos os seus frutos; se pelo contrário agirmos sem ética ou empatia, os resultados refletirão com toda a certeza essas nossas escolhas.
A vida é uma viagem de autodescoberta e de aceitação. Confiar em si mesmo não implica isolamento, mas reconhecer o seu próprio valor, bem como a responsabilidade pelas suas opções.
Aceitar que tudo chega no momento certo permite-nos viver com mais serenidade, gratidão e respeito pelo percurso que fomos fazendo ao longo da vida.
Por isso sejamos honestos, justos e compreensivos, porque cedo ou tarde a colheita virá.
Texto e foto