Um tempo de coisas simples
Pertenci
a um tempo em que a felicidade cabia em pequenos gestos. Um tempo em que
brincar na rua até o pôr do sol era a maior aventura do dia e voltar para casa
com os joelhos sujos de terra era sinal de uma infância bem vivida.
Era
um tempo em que as conversas aconteciam olhos nos olhos, sentados na calçada ou
à volta da mesa. Não havia pressa em responder mensagens, porque as mensagens
eram dadas com a voz, com risos e com silêncio partilhado.
Pertenci
a um tempo em que um pedaço de pão com manteiga, um copo de leite quente ou uma
fruta colhida do quintal tinham um sabor especial. Não porque fossem raros, mas
porque eram vividos com calma.
As
tardes eram longas, o tempo parecia maior e a vida era feita de coisas que não
custavam dinheiro: subir às árvores, correr atrás de uma bola, ouvir histórias
dos mais velhos ou simplesmente observar o céu.
Pertenci
a um tempo em que a simplicidade não era pobreza, era riqueza. Riqueza de
momentos, de presença, de afetos verdadeiros.
Hoje
o mundo mudou, tudo é mais rápido, mais barulhento, mais conectado. Mas dentro
de mim ainda vive aquele tempo de coisas simples. E talvez seja essa memória
que me lembra, todos os dias, que a verdadeira felicidade continua a morar nas
pequenas coisas.
Helena
Sacadura Cabral
