quarta-feira, 18 de março de 2026

A verdade que eu carrego


Tenho uma maneira muito simples — e rara — de ser e de estar na vida: sou honesto. Com a minha família, com as minhas amizades, com os vizinhos ou mesmo até com quem não conheço bem. Não sei ser pela metade. Dou a verdade inteira, dou a mão sem hesitar, dou o que posso e às vezes até o que me falta. Para mim a generosidade não é espetáculo; é essência.
É o que eu pratico, mesmo quando ninguém repara.
Mas há aqueles dias – demasiados dias – em que o silêncio dos outros pesa sobre mim mais do que devia. Há quem escolha a mentira fácil para encobrir a indiferença, quem passe por mim sem notar sequer as fissuras que escondo, quem nunca ao menos pergunte se estou bem ou se preciso nem que seja de um pequeno gesto, daqueles que são capazes de mudar um dia inteiro sem fazer ruído.
Não escrevo isto para julgar ninguém. Escrevo para me reconhecer. Para lembrar que o contraste entre o que ofereço e o que recebo não diminui o meu valor — apenas revela a diferença. Mostra-me que, mesmo quando falham comigo, eu continuo inteiro. Que a minha honestidade não depende da deles. Que generosidade nenhuma se mede pela sua devolução, mas pela sinceridade.
E sim, às vezes dói.
Dói perceber que nem todos sentem com a mesma profundidade.
Mas a dor também afina. Ensina-me a escolher melhor, a resguardar o meu coração de quem não sabe cuidar e a valorizar quem realmente fica. E, acima de tudo, ensina-me que continuar a ser quem sou — verdadeiro, atento, disponível — é a minha forma de ser, talvez poética sim, mas íntegra, num mundo onde tantas vezes a reciprocidade é esquecida.
Tenham uma excelente quarta feira.