O Cheiro do Café
O cheiro do café tem algo de
mágico. Ele acorda a casa, antes mesmo que os olhos se abram. Espalha-se pelos
quartos como um anúncio silencioso de que o dia começou. É aroma de aconchego,
de lembrança, de rotina com afeto. Há quem diga que o café só é bom mesmo
quente e forte — mas, para muitos, o verdadeiro prazer está no cheiro que vem
antes do primeiro gole.
Esse cheiro tem memória. Lembra
manhãs na casa da avó, a chaleira apitando no fogão e o coador de pano
pendurado como se fosse parte da decoração. Lembra conversas de domingo, tardes
de chuva, pausas no trabalho, reencontros e despedidas. Lembra silêncio e
companhia. É como se cada pessoa tivesse o seu próprio café, guardado na
memória — com um aroma que não se esquece.
O cheiro do café tem o poder de
confortar e de recomeçar. É convite e promessa. Promessa de que o dia pode ser
melhor, de que há tempo para um respiro e de que entre um gole e outro, há
espaço para viver.
Helena Sacadura Cabral
Foto José Coelho
