Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
sábado, 30 de agosto de 2025
Continua aí
O Valor do Reconhecimento
Quando
a Palavra Toca o Coração da Nossa Terra
Ser
abordado na rua por uma senhora com mais de 80 anos, que com palavras sinceras
expressou gratidão pelo que escrevo sobre pessoas, usos e costumes da nossa
terra, foi um daqueles momentos raros em que o tempo parece abrandar. Nos olhos
dela, vi espelhada a história viva da comunidade, a memória das pequenas coisas
que fazem o tecido da nossa identidade coletiva.
É
para pessoas assim que escrevo: para quem carrega no olhar a ternura dos dias
passados, para quem reconhece valor nas tradições e encontra beleza nos gestos
simples que nos unem. Ouvir o agradecimento de quem sente os meus textos como
eco das próprias vivências é o maior reconhecimento que se pode desejar.
Afinal, escrever sobre a terra é um exercício de pertença e responsabilidade,
uma forma de celebrar a riqueza humana que encontramos todos os dias nos rostos
conhecidos e nas histórias partilhadas ao entardecer.
Senti-me
profundamente sensibilizado com aquelas palavras, pois elas confirmam que a
escrita tem o poder de criar pontes entre gerações, de preservar memórias e de
cultivar sentido de comunidade. É por essas pessoas, que valorizam cada traço
do nosso viver, que continuo a escrever, acreditando que a palavra pode
iluminar o quotidiano e dignificar o que somos.
Este
encontro ficará guardado como testemunho de que, enquanto houver quem leia com
o coração, vale sempre a pena dar voz à nossa terra. Grato pela generosidade do
seu gesto, querida senhora Beiranense que muito estimo e admiro.
As
suas palavras foram valiosas e muito estimulantes para mim porque a escrita, a
minha terra, a sua gente da qual sou parte, os seus usos e costumes, são,
seguramente, a maior paixão da minha já também longa vida.
Bem
haja.
___ José Coelho
Foto Maria Coelho
Bom fim de semana
Do mesmo modo em que um dia chegamos ao mundo sem nada
trazermos, virá outro em que iremos partir sem nada levarmos porque o tempo que a
cada um de nós é concedido, tem princípio
e fim.
Sem dramas, sem medos e sem qualquer tipo de amargura, sei que o meu se está a aproximar em passos certos e seguros, porque o raciocínio, agilidade, força, energia e capacidades cognitivas vão diminuindo a cada dia que passa.
Não terei sido tão feliz quanto desejava, mas fui com toda a certeza o suficiente para reconhecer que valeu a pena ter nascido. Não tive tudo o queria e precisava, mas tive o suficiente para olhar hoje para trás e, com absoluta tranquilidade, dizer:
- Obrigado Vida, por tudo quanto me deste, que não foi pouco.
José Coelho
Coisas que leio e subscrevo
Com papas e bolos, se enganam os
tolos
É preciso dizer as coisas como
elas são: isto do IRS não passa de uma jogada suja para enganar o contribuinte.
Anunciam um “alívio” como se fosse um favor divino, mas na realidade estão
apenas a devolver tarde e a más horas o que já nos tiraram. Dois meses de
retenção mais baixa em agosto e setembro não apagam o facto de que desde
janeiro se andou a descontar acima do devido. É o típico truque de ilusionismo
fiscal: roubam primeiro, devolvem depois e ainda querem ser aplaudidos.
Este teatro tem um objetivo
claro: criar a sensação de que o Governo está a aliviar a carga no momento
certo, quando a economia está frágil e as famílias com menos margem. Mas não é
generosidade, é cálculo político. O contribuinte é tratado como criança, como
se não percebesse que não se trata de uma dádiva, mas de um acerto forçado. E
pior, embrulham a medida em linguagem técnica para parecer que estamos perante
uma vitória.
O que devia ter sido feito de
forma automática no início do ano é empurrado para o verão, quando a propaganda
rende mais. E quem ganha menos é novamente manipulado com a promessa de uns
euros extra no bolso, como se isso fosse suficiente para apagar meses de
sobrecarga.
É uma farsa com selo oficial.
O Estado brinca com o dinheiro de
quem trabalha, prolonga o erro durante meses, e depois veste a pele de
salvador. Em vez de ser visto como reparação de um abuso, querem que o
contribuinte agradeça e bata palmas. A verdade nua e crua é esta: não houve dádiva,
houve saque e encenação. Quem engolir a narrativa está apenas a legitimar a
mesma máquina que vive à custa do esforço alheio.
Desconheço o autor
sexta-feira, 29 de agosto de 2025
Coisas que leio e gosto
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
Coisas que mexem comigo
Obrigado, Irmãs. Que o Senhor vos ajude.
Nota final:
Somos uma parte do território português de beleza única e rara com milénios de história comprovada por infindáveis vestígios arqueológicos, muitos deles com mais de cinco mil anos que em cinquenta anos de novas políticas, entrou num processo que se adivinha irreversível de acelerada desertificação.
José Coelho
José Coelho
Sê, e orgulha-te de sê-lo
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
Lugares e memórias
Foto José Coelho
Na vossa bondade Senhor preparastes uma casa para o pobre
Apenas e só
Para que nunca se esqueça
O RAMAL DE CÁCERES
(A descoberta de jazigos de
fosfato próximo de Cáceres esteve na génese da sua construção).
O Ramal de Cáceres começou a ser construído em 15 de julho de 1878, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, entrou ao serviço em 15 de outubro do ano seguinte, mas a inauguração oficial só se realizou no dia 6 de junho de 1880 entre a Torre das Vargens e Valência de Alcântara. Em 8 de outubro de 1881 foi formalmente inaugurada na estação de Valência de Alcântara a ligação ferroviária Madrid – Valência de Alcântara – Marvão – Lisboa, com a presença do Rei de Portugal D. Luis I e o Rei de Espanha Alfonso XII (ainda não existia a estação de Marvão-Beirã e desconhece-se a data da sua construção).
Em 1926 a primitiva estação (da qual se desconhece a data de construção) foi alvo de grandes obras de expansão tendo o antigo edifício sido totalmente modificado. Foi aumentado o espaço disponível para a delegação aduaneira, os serviços, e os alojamentos para o pessoal e construiu-se um anexo com um restaurante e 4 quartos para os passageiros, com lavabos individuais.
A fachada exterior da estação foi decorada com vários painéis de azulejo, em azul e branco, colocados de forma a ser facilmente vistos pelos passageiros, servindo como uma espécie de roteiro turístico para o visitante estrangeiro que chegasse a Portugal. Os painéis de azulejo retratam vários aspectos locais e nacionais, como o Castelo de Marvão, o Cruzeiro e o Pórtico de Marvão, um casal com trajes regionais e o brasão de Marvão, o Templo de Diana, o Mosteiro de Alcobaça, e a Sé de Braga. A decoração ficou a cargo do pintor Jorge Colaço
A estação de Marvão-Beirã foi servida pelo TER Lisboa Expresso que ligou entre 1967 e 1989 as cidades de Lisboa e Madrid e pelo Lusitânia Comboio Hotel até 2012.
terça-feira, 26 de agosto de 2025
Marida pede, marido faz
Coisas que leio e gosto
Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.
O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.
Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.
Mas para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.
Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objeto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.
E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.
Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta.
- Ó amigo, porque é que não fecha a janela? Perguntou-lhe o revisor.
- Isso queria eu, mas a janela está estragada, respondeu o alentejano.
- Então porque é que não troca de lugar?
- Eu trocar, trocava... Mas com quêim?
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?
Vou mas éi comer a açorda que tenho mais que fazer.
Texto João Mário Caldeira - Professor de História
Foto José Coelho (da minha açorda de bacalhau)
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
D@ minh@ escritor@ f@vorit@
A CALÚNIA
Nunca tinha sido alvo da calúnia. Foi preciso chegar a esta
idade e a 30 anos de comunicação social, para ter tido essa experiência, que me
magoou muito, mas simultaneamente me permitiu ver quem, de facto, me aprecia e
defendeu.
A calúnia é uma das formas mais cruéis de injustiça, porque
ataca aquilo que é mais precioso numa pessoa: a sua honra e a sua dignidade.
Diferente de uma agressão física, que deixa marcas visíveis, a calúnia age de
maneira silenciosa e corrosiva, espalhando desconfiança, mágoas e ruturas
muitas vezes irreparáveis. Uma palavra distorcida, uma mentira repetida, pode
destruir amizades, abalar famílias, manchar reputações construídas ao longo de
anos e, até, comprometer a vida profissional e social de alguém.
O mais doloroso é que, depois de espalhada, a calúnia
dificilmente pode ser totalmente reparada. Mesmo quando a verdade vem à tona,
as dúvidas já foram lançadas, e o olhar das pessoas nunca mais é o mesmo. É
como uma mancha que permanece, mesmo após tentativas de limpeza.
A devastação da calúnia não atinge apenas a vítima direta.
Ela corrói laços de confiança na comunidade, incentiva a injustiça e alimenta a
maldade. Quem calunia fere não só o outro, mas também a si mesmo, pois revela a
própria fragilidade de carácter.
Por isso, é fundamental refletir antes de falar e cultivar a
responsabilidade nas palavras. A verdade pode ferir, mas liberta. A calúnia,
por sua vez, aprisiona todos num ciclo de dor e desconfiança.
Helena Sacadura Cabral
domingo, 24 de agosto de 2025
Mea culpa (republicação)
Na voragem dos dias que me
parecem cada mais céleres à medida que vou envelhecendo, dou por mim a pensar
inúmeras vezes que a vida nunca deixou de me surpreender. Outras porém, tenho a
nítida sensação de que já vivi mais coisas boas e menos boas do que a maioria
das pessoas do meu tempo.
Após 73 “quilómetros” de
“caminhada” por uma vida repleta de experiências – cada uma mais inesperada que
a outra – e rodeado pelas minhas mais queridas memórias, desfruto serenamente do
dia a dia no sossego desta casa que reconstruí sobre a outra mais
pequena da qual foi sábio “arquiteto” o meu saudoso Pai.
É para profundamente benfazejo
este lugar porque quotidianamente vai trazendo de volta ao meu imaginário a voz
doce da minha mãe, o falar pausado e meigo do meu pai, o alegre e cristalino
gargalhar das minhas irmãs. E à mistura com essas lembranças, fácil é também
reconstituir os aromas da ceia ao lume na sertã, do tabaco de mortalha que o ti
Tónho Coelho fumava enquanto pacificamente aguardava a ceia sentado ao lume.
Apressados em viver a vida para
alcançar as nossas metas, descuramos muitas vezes o valor intrínseco dos afetos,
ainda que sem má intenção, desvalorizando o que tínhamos de mais sagrado: A
Família. Mãe, Pai, Irmãos, Avós, Tios, Primos, quiçá alguns bons Amigos até.
Depois a vida passa, as metas nem sempre terão sido tão importantes como
imaginávamos, quantas vezes não terão sequer sido alcançadas. Entretanto a
Família foi diminuindo porque a vida de cada um deles no seu imparável percurso
se foi extinguindo.
E, como o acordar de qualquer
sonho, inevitavelmente chega também o momento em que começamos – quase sempre
tarde demais – a perceber que a vida já vai de vencida. Inutilmente olhamos
então para trás em busca de tudo o que amávamos e que, sem disso nos termos
apercebido por havermos andado demasiado ocupados, era o que de mais importante
e valioso possuíamos. Porém não há mais nada a fazer porque é impossível
regredir no tempo, restaurar afetos, recuperar enfim, tudo o que não soubemos avaliar
no tempo certo.
Envelhecemos sem quase nos
apercebermos e só quando uma dor numa articulação começa a ser frequente, o
coração começa a trabalhar irregularmente, a necessidade de consultar o médico
deixa de ser pontual e passa a ser recorrente, percebemos que estamos a atingir
o ponto de não retorno. E aí sim, damos conta que a nossa vida é finita, que as
coisas menos boas não acontecem só aos outros, que talvez ainda seja tempo de
tentarmos viver.
Não sou nem quereria ser,
exceção. Este desabafo na forma escrita mais não é também do que um sincero
“mea culpa”. Vivi intensamente a vida, olhando sempre mais para a frente do que
para o lado ou para trás, apesar de não ter sido, de todo, nada fácil.
E nessa luta constante contra
ventos por vezes bem agrestes, tentei como pude nunca esquecer o lado sagrado
onde sempre estiveram e me apoiaram todos os que amava, amo e amarei
incondicionalmente enquanto viver. A minha Família. Olhando hoje para trás, nem
sempre consigo evitar a nostalgia que tantas vezes me invade. Porém,
conhecendo-me como me conheço, sei que se voltasse a nascer faria tudo de novo
exatamente como fiz até aqui.
Apesar de tantas dificuldades,
tenho muito mais para agradecer à Vida, do que para lhe pedir. Porque sempre me
deu saúde, a força anímica e a coragem suficientes para completamente sozinho e
sem apoio de ninguém vencer os mais difíceis desafios, permitindo-me alcançar
uma a uma todas as metas e objetivos que me propus, por mais inalcançáveis que
muitas vezes aparentassem ser.
Essa mesma Vida que tanto me
ajudou ensinou-me na primeira pessoa a razão Nelson Mandela tinha quando
afirmou que:
- Tudo é considerado impossível,
até acontecer…
José Coelho
Bom domingo
Há quem tenha
passado pelo inferno e continue a ser boa pessoa. Há quem tenha conhecido a
dor, o abandono, a injustiça — e consiga tratar os outros com delicadeza, com
empatia. Como se o mundo não lhes tivesse ensinado exatamente o contrário.
Depois, há quem tenha tido tudo: segurança, amor, estabilidade. E ainda assim
seja um miserável. A narrativa que nos vendem é simples:
"ele é assim
porque sofreu",
"ela magoa os
outros porque a magoaram".
Mas há quem tenha
sido esmagado pela vida e nunca tenha sentido necessidade de esmagar ninguém.
Ser boa pessoa não
vem do que viveste. Vem do que és. A dor pode tornar-te sensível; também pode
tornar-te cruel. O inferno é um excelente álibi para a maldade. Mas não
justifica nada. Os que saíram do inferno e escolheram a bondade não o fizeram
porque era mais fácil. Fizeram-no porque não sabem ser de outra forma. Se o
inferno cria monstros, talvez o céu também os crie.
A pior maldade pode
não vir da dor, mas do luxo de nunca a ter sentido.
Pedro Chagas Freitas
Foto José Coelho com Maria Coelho
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