sábado, 30 de agosto de 2025

Continua aí


Para que a memória nunca esqueça estes dias sombrios nem baixe a guarda no combate ao silencioso inimigo que por aí continua subtilmente a fazer das suas.

O Valor do Reconhecimento


Quando a Palavra Toca o Coração da Nossa Terra

Ser abordado na rua por uma senhora com mais de 80 anos, que com palavras sinceras expressou gratidão pelo que escrevo sobre pessoas, usos e costumes da nossa terra, foi um daqueles momentos raros em que o tempo parece abrandar. Nos olhos dela, vi espelhada a história viva da comunidade, a memória das pequenas coisas que fazem o tecido da nossa identidade coletiva.

É para pessoas assim que escrevo: para quem carrega no olhar a ternura dos dias passados, para quem reconhece valor nas tradições e encontra beleza nos gestos simples que nos unem. Ouvir o agradecimento de quem sente os meus textos como eco das próprias vivências é o maior reconhecimento que se pode desejar. Afinal, escrever sobre a terra é um exercício de pertença e responsabilidade, uma forma de celebrar a riqueza humana que encontramos todos os dias nos rostos conhecidos e nas histórias partilhadas ao entardecer.

Senti-me profundamente sensibilizado com aquelas palavras, pois elas confirmam que a escrita tem o poder de criar pontes entre gerações, de preservar memórias e de cultivar sentido de comunidade. É por essas pessoas, que valorizam cada traço do nosso viver, que continuo a escrever, acreditando que a palavra pode iluminar o quotidiano e dignificar o que somos.

Este encontro ficará guardado como testemunho de que, enquanto houver quem leia com o coração, vale sempre a pena dar voz à nossa terra. Grato pela generosidade do seu gesto, querida senhora Beiranense que muito estimo e admiro.

As suas palavras foram valiosas e muito estimulantes para mim porque a escrita, a minha terra, a sua gente da qual sou parte, os seus usos e costumes, são, seguramente, a maior paixão da minha já também longa vida.

Bem haja.

___ José Coelho

Foto Maria Coelho

Bom fim de semana


Do mesmo modo em que um dia chegamos ao mundo sem nada trazermos, virá outro em que iremos partir sem nada levarmos porque o tempo que a cada um de nós é concedido, tem princípio e fim.

Sem dramas, sem medos e sem qualquer tipo de amargura, sei que o meu se está a aproximar em passos certos e seguros, porque o raciocínio, agilidade, força, energia e capacidades cognitivas vão diminuindo a cada dia que passa.

Não terei sido tão feliz quanto desejava, mas fui com toda a certeza o suficiente para reconhecer que valeu a pena ter nascido. Não tive tudo o queria e precisava, mas tive o suficiente para olhar hoje para trás e, com absoluta tranquilidade, dizer:

- Obrigado Vida, por tudo quanto me deste, que não foi pouco.

José Coelho

Coisas que leio e subscrevo


Com papas e bolos, se enganam os tolos

É preciso dizer as coisas como elas são: isto do IRS não passa de uma jogada suja para enganar o contribuinte. Anunciam um “alívio” como se fosse um favor divino, mas na realidade estão apenas a devolver tarde e a más horas o que já nos tiraram. Dois meses de retenção mais baixa em agosto e setembro não apagam o facto de que desde janeiro se andou a descontar acima do devido. É o típico truque de ilusionismo fiscal: roubam primeiro, devolvem depois e ainda querem ser aplaudidos.

Este teatro tem um objetivo claro: criar a sensação de que o Governo está a aliviar a carga no momento certo, quando a economia está frágil e as famílias com menos margem. Mas não é generosidade, é cálculo político. O contribuinte é tratado como criança, como se não percebesse que não se trata de uma dádiva, mas de um acerto forçado. E pior, embrulham a medida em linguagem técnica para parecer que estamos perante uma vitória.

O que devia ter sido feito de forma automática no início do ano é empurrado para o verão, quando a propaganda rende mais. E quem ganha menos é novamente manipulado com a promessa de uns euros extra no bolso, como se isso fosse suficiente para apagar meses de sobrecarga.

É uma farsa com selo oficial.

O Estado brinca com o dinheiro de quem trabalha, prolonga o erro durante meses, e depois veste a pele de salvador. Em vez de ser visto como reparação de um abuso, querem que o contribuinte agradeça e bata palmas. A verdade nua e crua é esta: não houve dádiva, houve saque e encenação. Quem engolir a narrativa está apenas a legitimar a mesma máquina que vive à custa do esforço alheio.

Desconheço o autor

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Coisas que leio e gosto


Por vezes é preciso parar

Há um momento na vida em que temos de parar. Um momento em que temos de largar todos os companheiros de estrada, libertarmo-nos de todos pesos e amarras, sentar calmamente e analisar a nossa vida e a nós próprios.

Desde muito cedo que seguimos caminhos já trilhados por outros, caminhos pré-definidos. Os caminhos da nossa vida encontram-se traçados, praticamente, desde o nascimento. Quatro meses após abrir os olhos para o mundo e a maior parte de nós já entrou na rotina. Começamos pelo berçário, infantário, pré-escola, primeiro, segundo e terceiro ciclos, ensino secundário e, se a tanto nos chegar a vontade, a universidade. Rotinas pré-definidas desde o início. Pelo meio surgirão alguns namorados e, quando a idade for aquela que é considerada adequada, surgirá um namorado que permanecerá na nossa vida mais tempo do que o habitual e seguiremos o caminho natural que é o casamento. A seu tempo surgirão a casa, os filhos, o carro, quem sabe até o cão. A completar este quadro está um emprego que, grande parte das vezes, é rotineiro. Um emprego e uma vida que nos fazem contar os dias que medeiam entre a segunda e a sexta-feira, os dias para o próximo feriado, os dias para as próximas férias, ou os dias para ser realmente feliz.

E, um dia, acordamos e pensamos que a vida não tem sido mais que uma vagarosa sucessão de dias: dias que decorrem lentamente à espera de um “ser feliz” que não acontece. Percebemos que a vida se está a tornar rapidamente insípida e sem cor. Percebemos que não sabemos bem quem somos — nem quem fomos. Não sabemos para onde vamos. E é nesse momento em que acordamos para a realidade que percebemos que parar é essencial. Parar para pensar, parar para analisar, parar para fazer o balanço do que tem sido a nossa vida, parar para nos encontrarmos ou, quem sabe, reencontrarmo-nos.

Algumas pessoas percebem essa necessidade à medida que vão atingido a maturidade. Outros há, porém, que nunca irão dar esse espaço para parar e, como tal, nunca irão dar espaço para encontrar o seu verdadeiro eu.

Aqueles que fazem a pausa-análise percebem que toda a sua vida, até àquele dia, foi passada caminhando pelos passos dos outros e pelas vontades dos outros. Percebem que aquela vida não foi (na sua maioria) escolhida por eles mas por uma sociedade que os rodeia. E é nessa tomada de consciência que muitas vezes as pessoas param e atiram uma vida de segurança pela janela, mudando radicalmente a sua existência. Mudam de emprego, divorciam-se, mudam de cidade ou até de país. Criam grandes alterações na sua vida, a nível pessoal, profissional ou a todos os níveis. Por isso a sociedade das regras, a sociedade dos caminhos trilhados e seguros considera, muitas vezes, que aquela pessoa enlouqueceu. Só a loucura poderia explicar esse acto de audácia e coragem! E poucos percebem que aquela pessoa não enlouqueceu. Poucos percebem que ela apenas decidiu parar (porque sentiu essa imperativa necessidade), para pensar e analisar a sua vida. E foi precisamente nesse momento que percebeu que não estava a viver a sua vida mas a vida que outros tinham pensado para ela. E revoltou-se contra esta situação. Decidiu oferecer-se tempo para pensar e tomar as atitudes necessárias a fim de se soltar dos pesos e amarras que lhe pesavam e começar a trabalhar, todos os dias, para ser feliz.

Tomada esta atitude, percebe-se que se adquiriu tempo e vontade para observar os caminhos que se quer seguir, as encruzilhadas que se poderá encontrar. Sabe-se que a vida foi tomada nas próprias mãos. A pessoa percebe que já não vive de acordo com as regras de uma sociedade bacoca mas de acordo com as suas próprias regras. Trilha caminhos desconhecidos. Só o poder de tomar esta decisão já lhe traz calma e felicidade. É serena. Não sabe se é feliz a 100% mas sabe que trabalha todos os dias para isso. Não se deixa cair na rotina e no marasmo.

A essa pessoa, e a todas aquelas que perceberam que é preciso parar, que tiveram a coragem de reflectir nesse momento de pausa e de mudar aquilo que não lhes fazia bem, apresento a minha maior admiração. Merecem a felicidade que possuem nas mãos.

Estefânia Barroso 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Coisas que mexem comigo


 



"Origens

No dia 27 de Junho de 2004, em cerimónia pública, foram apresentados os símbolos heráldicos da freguesia da Beirã. Três elementos gráficos pretendem definir três momentos marcantes na vida desta jovem freguesia: uma anta, uma locomotiva e uma “fonte”.

Na verdade, se a formação desta freguesia conta apenas com sessenta anos de idade, e o aglomerado urbano nos finais do século XIX se resumia apenas a “quatro casinholas”, como nos diz A. Magalhães, já o seu território é o que apresenta maior concentração e diversidade de sítios arqueológicos de todo o concelho de Marvão. Quando um dia se promover uma carta arqueológica deste concelho rapidamente nos aperceberemos como a freguesia da Beirã aparecerá enxameada de arqueossítios de todas as épocas e períodos. A principal razão para esta continuada ocupação histórica e, sobretudo pré-histórica, prende-se com a envolvência do Rio Sever e dos múltiplos pequenos regatos seus subsidiários que drenam a paisagem multifacetada que constitui a freguesia da Beirã. Água em abundância, diversidade de solos e diferentes substratos geológicos criaram as condições necessárias para que desde épocas muito recuadas o homem procurasse estas paragens.

Nas cascalheiras, junto ao Sever, conhecem-se vestígios de vários acampamentos do Paleolítico, nas encostas suaves, sobretudo junto a estreitos vales férteis, as primeiras comunidades agro-pastorís, durante o Neolítico, aqui construíram os seus frágeis povoados e aqui tumularam os seus mortos em “eternas” antas.

Vinte e dois dólmenes conseguiram sobreviver mais de cinco mil anos nas terras desta pequena freguesia, indiciando um muito denso povoamento entre o 3.º e o 4.º milénio antes de Cristo. Com a descoberta e desenvolvimento da metalurgia o fulgor da freguesia da Beirã manteve-se, e até terá aumentado, atendendo ao número e dimensão dos vários locais com vestígios de ocupação atribuídos a esses tempos. Pelo menos dois destes povoados, Vidais e Corregedor, mantiveram ocupação até à chegada do domínio Romano.

Com a consolidação da cosmopolita cidade romana de Ammaia, as férteis terras da freguesia da Beirã foram exploradas até à exaustão para saciar as mesas dos abastados romanos que viviam do outro lado do concelho de Marvão. Várias “villae”, casas agrícolas romanas, foram, há dois mil anos, instaladas nas melhores terras da freguesia da Beirã. No Garreancho, no Vale do Cano, na Torre do Azinhal, nos Pombais, na Retorta e nas Amoreiras grandes casas agrícolas romanas foram construídas, para além de pequenos casais, igualmente agrícolas, dos quais há vestígios por toda a freguesia.

Com o fim do Império Romano e morte da Ammaia as terras da freguesia da Beirã assistem a uma nova reorganização económica e social. Pequenos aglomerados urbanos, assentes numa economia muito fechada começam a constituir-se para albergar as gentes que, anteriormente, dependiam da fausta Ammaia. Dos vários povoados desta época conhecidos nesta freguesia merecem destaque o do Monte Velho, o do Pereiro Velho, o da Broca e o do Vale do Cano. É, contudo, o do Monte Velho, porque é o único que foi parcialmente escavado na década de quarenta do século XX, que melhor se conhece. Recorde-se que foi neste habitat que se recolheu uma telha, hoje desaparecida, onde, em “latim bárbaro” se podia ler “aqui esteja a paz, aqui esteja Cristo”. Felizmente a sua transcrição foi preservada numa laje de granito que decora a fachada de uma das casas da Rua do Castelo, em Marvão. Estes habitats foram sobrevivendo durante o conturbado período da denominada “Reconquista Cristã” e nalguns, testemunhados por reconstruções múltiplas, a ocupação humana chegou até aos nossos tempos.

De entre os sítios com maior carga simbólica desta freguesia é, sem dúvida, o Penedo da Rainha. Formação granítica com singular recorte fálico, não passou despercebido aos homens do Neolítico e Calcolítico, atendendo às cerâmicas muito roladas que ainda ocorrem no pequeno abrigo que junto a ele se abre. Também em Novembro de 1518, à sombra deste imponente penedo terá descansado a terceira mulher do Rei D. Manuel I, a Rainha Dona Leonor de Áustria, irmã do Imperador Carlos V, donde lhe sobreveio o nome por que hoje é conhecido, Penedo da Rainha. Pena é que este imponente bloco granítico, cheio de história e tradição, merecedor de constar na representação heráldica da Beirã, se encontre tão esquecido e abandonado. Testemunho que foi de um dos episódios mais deslumbrantes, alguma vez ocorridos neste concelho, a paragem do séquito real que acompanhava a entrada da Rainha Dona Leonor em terras de Portugal, adormece negligenciado junto de uma das casas mais antigas da Beirã.

Um outro dos locais desta freguesia que, pelo menos desde o Neolítico, foi continuamente procurado é a denominada “Fonte da Maria Viegas”, também conhecida por Fadagosa onde, nos primeiros anos do século XX foi construído o luxuoso complexo termalístico, hoje, também ele, totalmente esquecido e abandonado.

Mas a história desta freguesia viria a ser marcada de forma indelével com a construção do denominado “Ramal Ferroviário de Cáceres” e a consequente instalação da Estação dos Caminhos-de-ferro. Enquanto em Portugal, mais uma vez, se discutia o melhor traçado para a ligação ferroviária a Espanha, os nossos vizinhos, pragmaticamente, assentavam os carris em direcção a Valência de Alcântara para escoamento do fosfato que nos finais do século XIX se explorava, em grande quantidade, nesta zona da Extremadura espanhola. Para o concelho de Marvão e especialmente para a Beirã o pragmatismo do governo liberal espanhol foi fundamental para o seu desenvolvimento. Com a colaboração do Eng. D. João da Câmara foi, então, gizado o traçado da linha, passando pela Beirã, apesar dos muitos protestos das gentes da rica freguesia de S. Salvador da Aramenha. Provavelmente, não fora o traçado pela Beirã e não teríamos hoje a notável peça teatral de os “Velhos” e as figuras do velho Patacas, da Emilinha e do mestre-escola Porfírio.

Cumpriram-se em Maio, deste ano, cento e vinte anos da abertura do Ramal de Cáceres à circulação normal de comboios. Podemos dizer que se cumpriu nesse passado mês mais um aniversário do nascimento da povoação da Beirã. Com a passagem de comboios, veio a estação, e com ela vieram a alfândega, os despachantes, a Guarda Fiscal, a PIDE, os ferroviários, o comércio, as habitações, o Clube, o Teatro e a Família Vivas. Ficará, seguramente para a história desta terra a fixação nesta aldeia do espanhol de Valência de Alcântara, Manuel Vivas Pacheco. Seu filho, Manuel Berenguel Vivas, figura polémica, manteve o ritmo empreendedor de seu pai e marcou de forma indelével a economia e a sociabilidade desta aldeia. A ele se ficou a dever a construção da Igreja de invocação de Nossa Senhora do Carmo, benzida a 16 de Julho de 1944 e para qual foram transladados os restos mortais de Manuel Vivas Pacheco e de sua mulher Carmen Berenguel L’Hospitaux. A invocação desta Igreja a Nossa Senhora do Carmo ficou a dever-se à forte devoção que Carmen L’Hospitaux dedicava ao seu culto. Sabemos, contudo, que anteriormente, na Beirã, pelo menos em 1916, teria existido uma outra capela na qual ocasionalmente era celebrada missa. A religiosidade da Família Vivas ficou, igualmente, bem marcada através do esforço e dedicação de Manuel B. Vivas na instalação da congregação religiosa que, ainda hoje, ocupa o Convento de Nossa Senhora da Estrela de Marvão e nas múltiplas capelas que mandou construir por todo o concelho, valendo-lhe o epíteto, enquanto Presidente da Câmara, de “O Capelista”, em contraponto a outros autarcas, que pela Câmara de Marvão passaram, cognominados, popularmente, de “ O Estradista” e “ O Fontista”.

Mas a História da Beirã, sobretudo durante a Segunda Grande Guerra, ficou marcada por episódios interessantíssimos relacionados, essencialmente, com o volfrâmio e com o controlo da exportação de produtos para a Alemanha Nazi, provenientes de um país que se dizia neutro. Mas estas histórias ficarão para outra altura…

Com a abolição das fronteiras os comboios já não param na Beirã, aqui passando a grande velocidade e, ao mesmo ritmo, esta aldeia viu partir a Alfândega, a Guarda Fiscal e os ferroviários. A Beirã está, lentamente, a definhar. Será que a sua longa história lhe poderá ser útil? Assim saibamos tirar partido de um vasto e riquíssimo património que esquecido adormece por entre “canchos” e “balceirões”.

Jorge de Oliveira"
in  http://www.cm-marvao.pt/pt/beira/origens

Notas: 

Este elucidativo texto do Exmº Professor Doutor Jorge Oliveira está em parte desatualizado porquanto o Ramal de Cáceres foi definitivamente encerrado ao tráfego ferroviário em 15-8-2012, assim como as religiosas da Congregação das Filhas de Maria Mãe da Igreja partiram definitivamente da Santa Casa da Misericórdia de Marvão, conforme notícias que se anexam:

1 - Ramal de Cáceres encerrado a 15 de agosto de 2012

A Refer encerrou o Ramal de Cáceres (Torre das Vargens / Marvão-Beirã) à exploração ferroviária a partir do dia 15 de agosto de 2012, dando assim seguimento a uma das medidas previstas no PET – Plano Estratégico de Transportes. Segundo a gestora da infraestrutura ferroviária “em consequência, a partir desta data, o comboio internacional Lusitânia passará a circular, em itinerário alternativo, pela Linha da Beira Alta”. O comboio-hotel Lusitânia, que fazia a ligação entre Lisboa e Madrid, era o único serviço ferroviário a circular no Ramal de Cáceres, uma vez que a CP suspendeu o serviço regional de passageiros em fevereiro de 2011. Este ramal, inaugurado em 1880, faz a ligação entre a estação de Torre das Vargens, na Linha do Leste, com a fronteira espanhola na estação de Marvão-Beirã, numa distância total de 81,5Km.

(Resta acrescentar que este encerramento teve como consequência imediata a quase desertificação da aldeia onde as casas desabitadas se contam já às dezenas).

2 - As Religiosas da Santa Casa da Misericórdia de Marvão pertencentes à Congregação das Filhas de Maria Mãe da Igreja deixaram definitivamente aquela nobre instituição conforme pode ler-se em nota da Diocese de Portalegre/Castelo Branco, que se anexa:

Sessenta e oito anos depois de terem chegado a Marvão, as Irmãs Filhas de Maria Mãe da Igreja despediram-se da nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco. No dia 11 deste mês de Setembro, teve lugar uma festa homenagem de despedida na Santa Casa da Misericórdia de Marvão, com Eucaristia de Ação de Graças e almoço convívio, de âmbito familiar, com os utentes e os corpos administrativos e colaboradores atuais e passados. Estiveram presentes o Bispo Diocesano, D. Antonino Dias, o Presidente da Câmara de Marvão, alguns sacerdotes ligados à Santa Casa, a Madre Geral e o seu Conselho, que vieram de Espanha para se associarem a esta iniciativa. Na homilia, D. Antonino, convidou todos os presentes a dar graças a Deus pelo dom das Irmãs na nossa Diocese, centrou a atenção na Palavra de Deus proclamada e abordou também o problema das vocações à vida consagrada que deve ser uma preocupação de todos os cristãos com fé viva e atenta, rezando, propondo e provocando os jovens. No fim da Eucaristia foram benzidas, com a presença de todos, as novas instalações recuperadas dentro da Santa Casa e, no final, foi descerrada uma lápide no átrio da entrada, a fazer memória destes 68 anos em que as Irmãs se dedicaram a esta Casa. Durante o almoço, alguns dos presentes quiseram dar o seu testemunho sobre o louvável e dedicado trabalho das Irmãs ao longo de todos estes anos, sem deixarem de mencionar a capacidade de ultrapassar as dificuldades, a facilidade em resolver situações e a alegria com que viviam e se dedicavam a este serviço, 24 horas por dia, como consequência da sua forte fé e amor a Jesus Cristo no irmão. Como eram, por todos, consideradas família, não só dentro da Santa Casa mas também em Marvão, o ambiente era “pesado” pelo tom de despedida que o envolvia, mas ao mesmo tempo também era de alegria cristã e de solidariedade com as Irmãs que, na impossibilidade de continuarem por falta de vocações, partem com todos no coração e continuarão a trabalhar ao serviço do Reino de Deus, onde o Senhor agora as chama. O Provedor da Santa Casa, sensibilizado, agradeceu todo o trabalho desempenhado pelas Irmãs. A Madre Superiora falou do que lhe ia na alma, lembrou a caminhada das Irmãs nesta Diocese, a pena que lhes ia na alma por não poderem continuar e agradeceu a amizade do povo de Marvão e o acolhimento de toda a Diocese, pois também estiveram em Nisa e noutros lugares da Diocese. As Irmãs que estavam nesta Comunidade, depois de receberem algumas lembranças dos presentes, agradeceram, pela pessoa da Superiora, a Irmã Fátima, todo o carinho de que sempre foram alvo, partindo com a esperança de que tudo vai continuar a correr bem, pois o guia e modelo para agir é o Senhor Jesus Cristo presente em cada um e nesta Casa.

Obrigado, Irmãs. Que o Senhor vos ajude.

Nota final:
Somos uma parte do território português de beleza única e rara com milénios de história comprovada por infindáveis vestígios arqueológicos, muitos deles com mais de cinco mil anos que em cinquenta anos de novas políticas, entrou num processo que se adivinha irreversível de acelerada desertificação.

José Coelho

Sê, e orgulha-te de sê-lo


Sê humano e integro, honra sempre a tua palavra, sê grato com quem te ajudar, correto com quem te relacionas e honesto na tua vida.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Lugares e memórias


Mais um dia prestes a terminar e um velho sobreiro que há muito tempo cumpriu já o seu terreno ciclo de vida, mas continua de pé.
Uma paisagem onde menino brinquei na casa e na companhia do Avô José Lourenço e da Avó Amélia.
Um lugar repleto de dulcíssimas memórias que de vez em quando vou revisitar:
Cavalinha de Cima - Beirã.

Foto José Coelho 

Na vossa bondade Senhor preparastes uma casa para o pobre

SALMO RESPONSORIAL DO XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Apenas e só


Servir sem esperar recompensa alguma exige uma força interior que nem sempre é reconhecida. Comecei a servir aos onze anos de idade quando fui guardar ovelhas para ajudar a minha mãe nas despesas da casa com os cento e cinquenta escudos mensais que o meu patrão me pagava.

Nunca mais parei. Desde então tento sempre ajudar tudo e todos na medida do que esteja ao meu alcance. Faço-o porque gosto de o fazer sem esperar qualquer espécie de recompensa porque essa é a minha natureza. Apenas e só.

27. 08. 2025

Para que nunca se esqueça


 O RAMAL DE CÁCERES

(A descoberta de jazigos de fosfato próximo de Cáceres esteve na génese da sua construção).

O Ramal de Cáceres começou a ser construído em 15 de julho de 1878, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, entrou ao serviço em 15 de outubro do ano seguinte, mas a inauguração oficial só se realizou no dia 6 de junho de 1880 entre a Torre das Vargens e Valência de Alcântara. Em 8 de outubro de 1881 foi formalmente inaugurada na estação de Valência de Alcântara a ligação ferroviária Madrid – Valência de Alcântara – Marvão – Lisboa, com a presença do Rei de Portugal D. Luis I e o Rei de Espanha Alfonso XII (ainda não existia a estação de Marvão-Beirã e desconhece-se a data da sua construção).

Em 1926 a primitiva estação (da qual se desconhece a data de construção) foi alvo de grandes obras de expansão tendo o antigo edifício sido totalmente modificado. Foi aumentado o espaço disponível para a delegação aduaneira, os serviços, e os alojamentos para o pessoal e construiu-se um anexo com um restaurante e 4 quartos para os passageiros, com lavabos individuais.

A fachada exterior da estação foi decorada com vários painéis de azulejo, em azul e branco, colocados de forma a ser facilmente vistos pelos passageiros, servindo como uma espécie de roteiro turístico para o visitante estrangeiro que chegasse a Portugal. Os painéis de azulejo retratam vários aspectos locais e nacionais, como o Castelo de Marvão, o Cruzeiro e o Pórtico de Marvão, um casal com trajes regionais e o brasão de Marvão, Templo de Diana, o Mosteiro de Alcobaça, e a Sé de Braga. A decoração ficou a cargo do pintor Jorge Colaço

A estação de Marvão-Beirã foi servida pelo TER Lisboa Expresso que ligou entre 1967 e 1989 as cidades de Lisboa e Madrid e pelo Lusitânia Comboio Hotel até 2012.

A operadora Comboios de Portugal suprimiu todos os comboios Regionais no Ramal de Cáceres no dia 1 de fevereiro de 2011 ficando esta estação apenas com os serviços do Lusitânia Comboio Hotel; no entanto em outubro o governo anunciou a decisão de alterar o percurso destes comboios para a Linha da Beira Alta até ao final do mesmo ano, e assim proceder à total desativação do Ramal de Cáceres, no âmbito do Plano Estratégico de Transportes. Em agosto de 2012, a Rede Ferroviária anunciou a sua decisão de encerrar o Ramal de Cáceres no dia 15 desse mês, tendo o percurso do Lusitânia comboio hotel sido alterado, passando a transitar pela Linha da Beira Alta.


Em dezembro 2010
Estação da Beirã - alçado norte - já com as luzes acesas às 23:00 a aguardar a chegada do Lusitânia Comboio-Hotel que partia de Lisboa-Santa Apolónia com destino a Madrid-Atocha e vice versa.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Marida pede, marido faz


A pedido da marida, caldeirada de bacalhau à minha maneira - sem ameijoas nem mariscos porque isso são modernices que não havia cá antigamente - para o almoço de hoje. E, no nosse falar marvaneje, nã tava má de tode...

Coisas que leio e gosto


Não é alentejano quem quer

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.

O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.

Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.

Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.

D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»

Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.

E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.

Mas para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.

Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objeto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.

E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.

Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. 

- Ó amigo, porque é que não fecha a janela? Perguntou-lhe o revisor.

- Isso queria eu, mas a janela está estragada, respondeu o alentejano. 

- Então porque é que não troca de lugar? 

- Eu trocar, trocava... Mas com quêim?

Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!

É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?

Vou mas éi comer a açorda que tenho mais que fazer.

Texto João Mário Caldeira - Professor de História

Foto José Coelho (da minha açorda de bacalhau)

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

D@ minh@ escritor@ f@vorit@


A CALÚNIA

Nunca tinha sido alvo da calúnia. Foi preciso chegar a esta idade e a 30 anos de comunicação social, para ter tido essa experiência, que me magoou muito, mas simultaneamente me permitiu ver quem, de facto, me aprecia e defendeu.

A calúnia é uma das formas mais cruéis de injustiça, porque ataca aquilo que é mais precioso numa pessoa: a sua honra e a sua dignidade. Diferente de uma agressão física, que deixa marcas visíveis, a calúnia age de maneira silenciosa e corrosiva, espalhando desconfiança, mágoas e ruturas muitas vezes irreparáveis. Uma palavra distorcida, uma mentira repetida, pode destruir amizades, abalar famílias, manchar reputações construídas ao longo de anos e, até, comprometer a vida profissional e social de alguém.

O mais doloroso é que, depois de espalhada, a calúnia dificilmente pode ser totalmente reparada. Mesmo quando a verdade vem à tona, as dúvidas já foram lançadas, e o olhar das pessoas nunca mais é o mesmo. É como uma mancha que permanece, mesmo após tentativas de limpeza.

A devastação da calúnia não atinge apenas a vítima direta. Ela corrói laços de confiança na comunidade, incentiva a injustiça e alimenta a maldade. Quem calunia fere não só o outro, mas também a si mesmo, pois revela a própria fragilidade de carácter.

Por isso, é fundamental refletir antes de falar e cultivar a responsabilidade nas palavras. A verdade pode ferir, mas liberta. A calúnia, por sua vez, aprisiona todos num ciclo de dor e desconfiança.

Helena Sacadura Cabral

domingo, 24 de agosto de 2025

Mea culpa (republicação)

Foto - Estúdio Foto Vila - Castelo de Vide

Na voragem dos dias que me parecem cada mais céleres à medida que vou envelhecendo, dou por mim a pensar inúmeras vezes que a vida nunca deixou de me surpreender. Outras porém, tenho a nítida sensação de que já vivi mais coisas boas e menos boas do que a maioria das pessoas do meu tempo.

Após 73 “quilómetros” de “caminhada” por uma vida repleta de experiências – cada uma mais inesperada que a outra – e rodeado pelas minhas mais queridas memórias, desfruto serenamente do dia a dia no sossego desta casa que reconstruí sobre a outra mais pequena da qual foi sábio “arquiteto” o meu saudoso Pai.

É para profundamente benfazejo este lugar porque quotidianamente vai trazendo de volta ao meu imaginário a voz doce da minha mãe, o falar pausado e meigo do meu pai, o alegre e cristalino gargalhar das minhas irmãs. E à mistura com essas lembranças, fácil é também reconstituir os aromas da ceia ao lume na sertã, do tabaco de mortalha que o ti Tónho Coelho fumava enquanto pacificamente aguardava a ceia sentado ao lume.

Apressados em viver a vida para alcançar as nossas metas, descuramos muitas vezes o valor intrínseco dos afetos, ainda que sem má intenção, desvalorizando o que tínhamos de mais sagrado: A Família. Mãe, Pai, Irmãos, Avós, Tios, Primos, quiçá alguns bons Amigos até. Depois a vida passa, as metas nem sempre terão sido tão importantes como imaginávamos, quantas vezes não terão sequer sido alcançadas. Entretanto a Família foi diminuindo porque a vida de cada um deles no seu imparável percurso se foi extinguindo.

E, como o acordar de qualquer sonho, inevitavelmente chega também o momento em que começamos – quase sempre tarde demais – a perceber que a vida já vai de vencida. Inutilmente olhamos então para trás em busca de tudo o que amávamos e que, sem disso nos termos apercebido por havermos andado demasiado ocupados, era o que de mais importante e valioso possuíamos. Porém não há mais nada a fazer porque é impossível regredir no tempo, restaurar afetos, recuperar enfim, tudo o que não soubemos avaliar no tempo certo.

Envelhecemos sem quase nos apercebermos e só quando uma dor numa articulação começa a ser frequente, o coração começa a trabalhar irregularmente, a necessidade de consultar o médico deixa de ser pontual e passa a ser recorrente, percebemos que estamos a atingir o ponto de não retorno. E aí sim, damos conta que a nossa vida é finita, que as coisas menos boas não acontecem só aos outros, que talvez ainda seja tempo de tentarmos viver.

Não sou nem quereria ser, exceção. Este desabafo na forma escrita mais não é também do que um sincero “mea culpa”. Vivi intensamente a vida, olhando sempre mais para a frente do que para o lado ou para trás, apesar de não ter sido, de todo, nada fácil.

E nessa luta constante contra ventos por vezes bem agrestes, tentei como pude nunca esquecer o lado sagrado onde sempre estiveram e me apoiaram todos os que amava, amo e amarei incondicionalmente enquanto viver. A minha Família. Olhando hoje para trás, nem sempre consigo evitar a nostalgia que tantas vezes me invade. Porém, conhecendo-me como me conheço, sei que se voltasse a nascer faria tudo de novo exatamente como fiz até aqui.

Apesar de tantas dificuldades, tenho muito mais para agradecer à Vida, do que para lhe pedir. Porque sempre me deu saúde, a força anímica e a coragem suficientes para completamente sozinho e sem apoio de ninguém vencer os mais difíceis desafios, permitindo-me alcançar uma a uma todas as metas e objetivos que me propus, por mais inalcançáveis que muitas vezes aparentassem ser.

Essa mesma Vida que tanto me ajudou ensinou-me na primeira pessoa a razão Nelson Mandela tinha quando afirmou que:

- Tudo é considerado impossível, até acontecer…

José Coelho

Bom domingo


Há quem tenha passado pelo inferno e continue a ser boa pessoa. Há quem tenha conhecido a dor, o abandono, a injustiça — e consiga tratar os outros com delicadeza, com empatia. Como se o mundo não lhes tivesse ensinado exatamente o contrário. Depois, há quem tenha tido tudo: segurança, amor, estabilidade. E ainda assim seja um miserável. A narrativa que nos vendem é simples:

"ele é assim porque sofreu",

"ela magoa os outros porque a magoaram".

Mas há quem tenha sido esmagado pela vida e nunca tenha sentido necessidade de esmagar ninguém.

Ser boa pessoa não vem do que viveste. Vem do que és. A dor pode tornar-te sensível; também pode tornar-te cruel. O inferno é um excelente álibi para a maldade. Mas não justifica nada. Os que saíram do inferno e escolheram a bondade não o fizeram porque era mais fácil. Fizeram-no porque não sabem ser de outra forma. Se o inferno cria monstros, talvez o céu também os crie.

A pior maldade pode não vir da dor, mas do luxo de nunca a ter sentido.

Pedro Chagas Freitas 

Foto José Coelho com Maria Coelho

sábado, 23 de agosto de 2025

Quem te avisa, teu amigo é...



ALERTA

Porque todo cuidado é pouco...
...tenham atenção ao seguinte:

Todos nós certamente temos recebido chamadas destes "artistas."
Tel: +375 ...
Tel: +371 ...
Tel: +563 ...
Tel: +370 ...
Tel: +255 ...
Tel: +381 ...
Estes indivíduos deixam tocar poucas vezes e desligam...
Se você atender, podem copiar a sua lista de contactos em 3 segundos e, se você tiver pormenores do seu banco ou do cartão de crédito no seu telefone, também podem ficar com esses dados ...
O código +375 é para a Bielorrússia.
O código +371 é para a Lituânia.
+381 Sérvia.
+563 Valparaíso.
+370 Vílnius.
+255 Tanzânia.
Não atenda !!! Não ligue de volta.
Além disso, não pressione # 90 ou # 09 no seu telemóvel, se lhe for pedido por qualquer pessoa que lhe ligue.
É um novo truque usado para aceder ao seu cartão SIM, fazer chamadas à sua custa e catalogá-lo como um criminoso.
Em Portugal, é possível e diria obrigatório denunciar essas chamadas fraudulentas à ANACOM, à Polícia Judiciária (cibercrime) ou ao seu operador de telecomunicações..

URGENTEMENTE, REENCAMINHE