Talvez um dia eu me esqueça...
Dos nomes,
Dos lugares,
Dos porquês.
Talvez as minhas mãos não saibam mais onde pousar,
Talvez eu não saiba mais quem sou.
Mas ainda assim, terá valido a pena ser.
Porque a história que vivemos não depende só da memória.
Ela mora nos outros.
Mora em quem ouviu o meu riso e se sentiu mais leve.
Em quem chorou comigo e se sentiu menos só.
Em quem eu toquei com presença, com cuidado, com verdade.
Se um dia a lembrança me abandonar, espero que o amor que dei, ainda permaneça.
Porque ele não se apaga.
E quando já não puder contar a minha própria história,
Que ela continue sendo contada por quem fui abrigo,
Por quem fui passagem,
Por quem me amou - mesmo quando eu já não soubesse mais o que era amor.
É por isso que vale a pena viver com inteireza.
Porque mesmo quando tudo se desfaz,
A parte de nós que se fez amor, permanece.
E essa parte…
Essa parte ninguém esquece.
Ana Cláudia Quintana
Foto José Coelho
