quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Noite serena


Um nicho com uma Sagrada Família feita também por encomenda numa das paredes da cozinha da casa dos meus pais em sua homenagem, porque durante décadas esta dependência da casa - hoje sala de estar da Toca dos Coelhos - foi durante anos o ponto de encontro diário da nossa família à mesa para as refeições, em alegres tertúlias familiares, nas tristezas se alguma coisa menos boa acontecia, ou, simplesmente, todos juntos felizes e quentinhos em redor da sua grande lareira nos serões de todos os invernos.

Assim e de forma extremamente simples perpetuo - enquanto viver - as inapagáveis memórias dos que ainda continuamos presentes, dos que tiveram de ir viver para longe, mas ainda também dos que já partiram para a eternidade. Foi a forma mais simples e materialmente possível que encontrei para que possamos continuar todos espiritualmente unidos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

"Felizes os pobres que o são no seu íntimo (M. Luís)"

SALMO RESPONSORIAL DO DOMINGO IV DO TEMPO COMUM

Senhor, ensina-nos a envelhecer

 
Ajuda-nos a reconhecer
as coisas boas da nossa vida,
dá-nos força para aceitarmos
as nossas limitações,
cedendo aos outros o nosso lugar
sem ressentimentos nem recriminações.

Que aceitemos ir desapegando-nos das coisas
e vejamos nisso uma sábia lei da tua Providência
que regula o tempo e preside à vida das gerações.

Faz, Senhor,
que sejamos ainda úteis para o mundo
com as nossas pequenas tarefas,
mas sobretudo com o nosso testemunho
de paciência e bondade,
de serenidade, alegria e paz.

Dá-nos Senhor a tua força,
para enfrentarmos as contrariedades de cada dia,
particularmente a doença e a solidão.

Que os últimos anos da nossa vida mortal
sejam como um pôr do sol sereno
na oração e na caridade,
na compreensão e na esperança,
que nós aceitemos envelhecer e morrer
com a serenidade e a coragem
com que Tu, Senhor, morreste na Cruz,
para que um dia possamos também ressuscitar
na glória do Teu e nosso Pai
para irmos ao encontro daqueles
que partiram antes de nós.
Amém

José Coelho com Maria Coelho
Toca dos Coelhos - Beirã

domingo, 25 de janeiro de 2026

Nunca é tarde para aprender

01. Não cumprimente com um aperto de mão, se estiver sentado.
02. Não diga mal da comida quando for o convidado.
03. Não coma o último pedaço de algo que você não comprou.
04. Proteja quem está abaixo de si e respeite quem está ao seu lado.
05. Não faça a primeira oferta numa negociação.
06. Não fique com os créditos de trabalhos que não fez.
07. Vista-se bem, não importa a ocasião.
08. Fale honestamente: diga o que pensa e pense o que diz.
09. Pergunte mais do que responde
10. Deixe a linguagem obscena para os menos educados.
11. Evite colocar o telefone na mesa quando estiver a tomar uma refeição com alguém.
12. Ouça, sorria, e acima de tudo, estabeleça contacto visual com quem estiver a falar consigo.
13. Se não for convidado, não peça para ir.
14. Nunca tenha vergonha de onde veio.
15. Não implore por um relacionamento.
- 25. 01. 2026

Lar, doce lar


A minha primeira tarefa das manhãs de inverno, é acender o lume que aquece a casa o dia inteiro. Depois nas horas de dormir e descansar o borralho incandescente continua a manter a casa quentinha até ao amanhecer.

Vídeo José Coelho
25. 01. 2026

sábado, 24 de janeiro de 2026

Vai por mim


Valoriza o que tens, supera o que te dói, luta pelo que queres. Foi o que eu sempre fiz, faço ainda e continuarei a fazer, enquanto o meu raciocínio ajudar e a força anímica não faltar.

Foto Mariana Coelho

Não é sorte, é um tesouro


Ter alguém que quer estar contigo quando tudo está bem, é muito fácil. Difícil e verdadeiramente raro, é encontrar alguém que fique contigo quando nada está bem, quando não tens nada para oferecer, estás cansado, quebrado e a tua vida está tão difícil que nem razões tens para sorrir.
Qualquer um é capaz de ficar contigo nos momentos bons.
Mas ficar lá naqueles nos maus momentos exige o amor dos corajosos, daqueles que não fogem, porque as sombras que te cercam não lhes metem medo.
Pessoas que seguram a tua mão quando tu tremes e se sentam ao teu lado em silêncio para não te sentires sozinho, que não te prometem perfeição mas estão sempre contigo e não vão embora quando tu falhas, nem desistem de ti quando tu duvidas e escolhem ficar contigo quando seria muito mais fácil irem-se embora.
Encontrar alguém assim pode levar tempo. Às vezes demora tanto que já nem te parece possível. Mas quando essa pessoa chega, tu entendes imediatamente que não foi sorte, mas um tesouro.
Porque no fim de contas, a coisa mais valiosa do mundo não é termos alguém que nos queira só quando tudo está bem, mas alguém que continue a querer-nos sempre, principalmente quando estamos fragilizados e decide ficar na nossa vida para sempre.

24. 01. 2026
Texto e foto

Bom fim de semana

 

A amizade assemelha-se a um rio

A amizade é um sentimento que deve fluir de forma natural, sem restrições impostas ou obrigações artificiais. Forçar a permanência de um vínculo que já não tem espaço para crescer, pode ser tão prejudicial como negar a beleza do que já foi vivido. Quando percebemos que uma ligação se tornou pesada, é sinal de que talvez tenha chegado o momento de permitir que cada um siga o seu caminho.
Nem todos os amigos que entram na nossa vida estão destinados a permanecer nela para sempre. Algumas pessoas cumprem papéis importantes em determinadas fases, ajudando-nos a crescer, a aprender e a perceber quem realmente somos. Aceitar que certos laços são passageiros não diminui o seu valor; pelo contrário, é um sinal de maturidade e respeito mútuos.
A verdadeira amizade assemelha-se a um rio: segue o seu percurso, contornando obstáculos, adaptando-se ao terreno, mas nunca perdendo a essência do seu movimento. Não é preciso forçar o curso do rio, tal como não devemos forçar a presença de alguém na nossa vida. Uma amizade genuína não exige sacrifícios nem sentimentos de culpa; basta existir e fluir livremente, sustentada pela confiança, pelo respeito e pela sinceridade.
É importante reconhecer que nem todos os que permanecem ao nosso lado são verdadeiramente amigos. Às vezes a proximidade física ou a frequência das interações não refletem a profundidade do sentimento ou a autenticidade do vínculo. Valorize aqueles que, mesmo à distância, demonstram carinho, compreensão e disponibilidade. E saiba aceitar, com serenidade, que deixar ir também faz parte do processo de crescimento pessoal e emocional.
Em última análise, cultivar relações saudáveis implica saber distinguir entre a amizade verdadeira, que cresce espontaneamente e os laços forçados que acabam por se transformar em fardos. Permita-se viver a amizade como um rio: deixe-a fluir, aprecie o percurso e, quando necessário, tenha a coragem de se libertar daquilo que já cumpriu o seu propósito.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Lar é...


Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.

Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.

Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger de degraus, um sussurrar de cortinas.

Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.

Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.

Lar é onde os objetos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.

Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.

Lar é onde nos amam.

Rosa Lobato de Faria

Vídeo José Coelho

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Gosto, ponto

Gosto de pessoas honestas e generosas que fazem corresponder as palavras que dizem ao seu próprio olhar. É raro encontrar quem seja capaz de transmitir verdade não apenas no seu discurso, mas também no brilho dos seus olhos; essas pessoas inspiram confiança e serenidade.
Gosto de pessoas coerentes, que se mantêm fiéis aos seus valores independentemente das circunstâncias e cuja conduta reflete aquilo em que realmente acreditam. A sua integridade manifesta-se nos pequenos gestos do dia a dia e faz delas exemplos a seguir.
Gosto de pessoas que escrevem e cujas palavras correspondem aos seus pensamentos mais profundos. A autenticidade nas palavras revela uma mente transparente e um coração aberto, alguém que não tem receio de se mostrar tal como é. A escrita sincera tem o dom de tocar quem lê, de criar pontes de empatia e compreensão.
Gosto de lealdade. Valorizo quem permanece ao nosso lado nos bons e nos maus momentos, quem nos defende mesmo na nossa ausência e que respeita a confiança que lhe depositamos. A lealdade é a espinha dorsal das relações verdadeiras, seja na amizade, no amor ou no trabalho.
Gosto de sinceridade. Prefiro sempre uma verdade dura a uma mentira suave. A sinceridade traz clareza e permite que as relações cresçam sobre bases sólidas. Pessoas sinceras, mesmo quando discordam mantêm o respeito e cuidado nas suas palavras.
No fundo admiro quem vive de acordo com aquilo que sente e acredita, sem máscaras nem artifícios, pois é nesse encontro entre palavras, pensamentos e ações que reside a verdadeira nobreza do ser humano.

Texto e foto

Liberdade para voar


A idade não limita.

Ela liberta.

Liberta do medo de errar, da pressa de agradar, da obrigação de caber em moldes que nunca fizeram sentido.

Com o tempo, a gente entende que não precisa de provar nada a ninguém.

Nem a ser mais jovem, mais forte, mais certo.

Só precisa ser inteiro.

A idade afasta rótulos e aproxima da essência.

Tira o excesso, afina a escuta, fortalece o que importa.

É quando a gente para de pedir licença e começa a ocupar espaço.

Nos nossos termos, no nosso tempo.

A idade não é prisão.

É voo…

 

D/A

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Caminho árido por vezes, mas sempre honroso


Por mais cautelosos que sejamos, haverá sempre alguma coisa que escapará ao nosso controlo. O imprevisível faz parte da existência humana, recordando-nos dia após dia os limites do nosso entendimento e capacidade de antecipação. A vida de cada um de nós é marcada por acontecimentos que se desenrolam como têm de se desenrolar, à revelia dos nossos desejos, planos e esforços.

Não existe força capaz de alterar o curso dos acontecimentos que estiverem destinados a cruzar o nosso caminho. A prudência, o cuidado e as boas intenções são virtudes essenciais, mas jamais serão suficientes para impedir o inesperado. Aceitar essa limitação é um exercício de humildade perante a vida, reconhecendo que mesmo as mais rigorosas previsões não nos asseguram imunidade aos imprevistos.
Confiar que os outros partilham das nossas boas intenções é, por si só, um sinal de humana normalidade. Até prova em contrário todas as pessoas merecem o crédito da confiança, do respeito e da dignidade de quem com eles convive. Essa postura, se for incutida desde cedo por uma educação baseada em princípios sólidos, transformar-se-á, independentemente de títulos ou pergaminhos, numa riqueza maior em valores fundamentais.
Aprendi pelo exemplo dos meus mestres de vida que a bondade, a honestidade, a educação e o respeito, não são apenas virtudes individuais, são sementes que florescem e sustentam a dignidade humana. São princípios muito simples na sua essência mas exigentes na sua preservação, porque formam a base de uma justa e harmoniosa convivência em sociedade.
O nosso percurso pela vida irá proporcionar-nos encontros com o melhor, mas também com o pior, da natureza humana seguramente. As experiências positivas prevalecem, mas são as negativas que revelam a face mais sombria da alma das pessoas. Não nos detenhamos em queixumes e guardemos essas memórias como ensinamentos que nos ajudarão a superar futuras situações semelhantes.
As experiências adversas têm um peso emocional acrescido. Novos protagonistas mais instruídos e letrados vão surgindo, mas a desilusão e a amargura que provocam são exatamente iguais, por vezes até mais acentuadas. Os títulos académicos não melhoram as almas com tendências perversas, pois não está ao alcance de ninguém mudar a essência do outro. A esterilidade dessas almas é fruto da terra que recusa a semente e nunca da qualidade da semente em si.
Apesar de consciente de todas as minhas limitações, recuso-me a abdicar da esperança e de continuar a esforçar-me diariamente por um mundo mais justo e mais digno. As minhas capacidades podem não ser vastas, mas são verdadeiras e refletem o legado de quem assim me formou. Agradeço diariamente os valores e princípios recebidos e mantenho o compromisso de continuar a praticá-los e a transmiti-los, porque mesmo perante as adversidades, acredito que vale a pena lutar pelo bem, pela justiça, pela dignidade.
Viver de acordo com os nossos princípios é aceitar que nem sempre iremos colher apenas flores. No entanto, é exatamente nessa persistência de comportamento que reside a grandeza humana. O caminho da retidão é por vezes árido, mas é também o que mais dignifica a nossa passagem pelo mundo, deixando de nós um honroso exemplo a quem realmente nos conhece e ama.

Pensamento do dia

Entre valores e princípios, a reciprocidade

Na minha maneira de ser e estar embora acessível, sei que não sou fácil de manipular. Transporto comigo, muito vincados, princípios e valores dos quais simplesmente não abdico. A integridade de carácter é um dever permanente no meu dia a dia, quase um compromisso de vida e não consigo conviver com o seu descuido ou superficialidade.
Essa exigência comigo próprio e com os outros, molda a forma como vejo o mundo e como me situo nele, muitas vezes sentindo-me incompreendido também.
Mentiras são intoleráveis em meu entender. Prefiro a verdade dura, a qualquer piedosa inverdade. Da mesma forma não aprecio quem vive para impressionar, ostentando sucessos que muitas vezes são apenas fachada.
O fingimento e a hipocrisia são, pura e simplesmente, barreiras intransponíveis para mim.
O meu modo de estar na vida não admite também duplos critérios. Comigo, pão é pão, queijo é queijo. Sou responsável, decidido, não dou o dito por não dito, nem me calo por medo e muito menos para agradar seja a quem for, fazendo questão de manter sempre a educação e respeito, ainda que discorde do que estiver a ser dito ou feito.
A autenticidade é para mim uma das virtudes essenciais.
Não tolero a mediocridade de pessoas sem palavra que dizem uma coisa e fazem outra. De pessoas que impõem as suas opiniões sem se importarem com a dos outros, ou que só tentam agradar quando precisam colher benefícios.
A honestidade é a característica que mais valorizo na vida.
Sou direto e frontal. Mas se estiver ciente que aquilo que tenho para dizer pode ofender quem vai ouvi-lo fico em silêncio, pois também reconheço que frontalidade que ofende é estupidez.
Não guardo rancores, nem faço uso de opiniões tendenciosas seja contra quem for, ou pelo motivo que for. Sou intempestivo por vezes sim, mas não injusto. Quando concluo que procedi ou interpretei algo mal, peço desculpa e tento reparar.
Esta postura nem sempre é compreendida, mas é a minha forma de viver em paz comigo e com tudo o que me rodeia.
Ser como sou, pode até ter já afastado de mim algumas pessoas, mas aproximou-me seguramente do que entendo como verdadeiro e justo. Prefiro poucos mas bons amigos. E aprecio tanto a honestidade sincera de uma palavra amarga, quanto detesto a falsa simpatia.
No fundo esta minha maneira de ser mais não é do que ousar ter a coragem e a determinação necessárias para viver segundo os meus valores, sem concessões, sem máscaras e sem medo de desagradar seja a quem for.
Sempre - como já atrás referi - com respeito e dignidade, desde que ambos sejam recíprocos, porque, se assim não for, a minha atitude e resposta serão inequivocamente também a réplica exata do modo como eu estiver a ser tratado.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Homenagem aos meus Pais


Tive aqueles pais que não conheciam luxo, mas entendiam muito sobre valores. Cresci num lar onde o essencial não se media pelo que se tinha, mas pelo que se era. A simplicidade era o pano de fundo dos dias, mas o amor, esse sim, era abundante e constante.

Aqueles pais que nunca me deram tudo o que eu queria, mas sempre me deram o que eu precisava. Aprendi desde cedo a distinguir desejo de necessidade, a dar valor ao que vinha com sacrifício e, sobretudo, a reconhecer o esforço por trás de cada pequeno gesto.
Tive aqueles pais que se levantavam antes do amanhecer, com as mãos cheias de trabalho e o coração cheio de amor. Via-os sair ainda escuro, prontos para enfrentar mais um dia e sabia que por trás de cada jornada havia dedicação e esperança de um futuro melhor para mim.
Aqueles pais que, mesmo cansados, sempre tinham tempo para me ensinarem o que era certo. A sua presença era uma bússola silenciosa, mostrando-me o caminho da honestidade, do respeito e da bondade. Mesmo depois de um dia longo, havia sempre uma palavra, um conselho, um abraço.
Tive aqueles pais que não me deixaram riquezas materiais, mas o tesouro da humildade, do respeito e do esforço. São valores que carrego comigo, herança bem maior do que qualquer bem material. Eles ensinaram-me que a verdadeira riqueza está em quem somos e na forma como tratamos os outros.
Hoje entendo que nunca me faltou nada, porque eles me ensinaram a lutar por tudo. Se às vezes me questionei sobre o que não tinha, hoje percebo que recebi tudo o que era realmente importante: força, coragem e a capacidade de sonhar sem esquecer de onde venho.
Obrigada, mãe e pai, por me terem deixado o maior dos bens: o vosso exemplo.
É esse legado que guardo e tento honrar todos os dias da minha vida. Continuo a amar-vos como sempre vos amei, como se estivessem ainda aqui comigo.


Foto Estúdio Cardinho Ramos de Castelo de Vide

domingo, 18 de janeiro de 2026

O momento em que decidimos parar de explicar-nos


Chega um momento na vida em que compreendemos que o silêncio consegue ser mais sábio do que muitas palavras. Não se trata apenas de cansaço diante das repetidas tentativas de nos explicarmos, mas de maturidade para reconhecermos que nem sempre os outros estão dispostos a ouvir ou a compreender o que dizemos.
Com o tempo percebemos que, quem realmente quer entender o que vai no nosso coração, sente-o. A empatia fala mais alto do que muitas explicações. Só quem se dispõem a ouvir-nos com o coração e não apenas com os ouvidos, consegue enxergar além das palavras. Para esses, basta um olhar, um gesto, uma presença silenciosa.
Pelo contrário, quem não está aberto a compreender-nos nunca nos ouvirá, por mais que nos expliquemos, detalhemos ou insistamos. As palavras tornam-se vãs diante de corações fechados. E é justamente nesse momento que aprendemos a deixar de lado a necessidade de nos justificarmos, de procurar aprovação ou entendimento onde manifestamente eles não existem.
A maturidade ensina-nos que devemos respeitar os nossos limites e cuidar da nossa paz. A escolhermos com sabedoria onde investir a nossa energia emocional. Por isso, sabermos parar de nos explicarmos não é uma desistência, mas sim um sinal de crescimento e de respeito por nós próprios.
Em vez de insistirmos em ser compreendidos por todos, aprendemos a valorizar apenas quem realmente se importa e consegue captar o que sentimos, mesmo no silêncio. Assim seguimos em frente mais leves e mais certos de que o entendimento verdadeiro nasce do sentir, não apenas do ouvir.

Texto e foto

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Bom fim de semana

 
Monumento megalítico com milhares de anos, o Menir da Meada em Castelo de Vide tem cerca de 7,15 metros de comprimento total, com aproximadamente 4 metros visíveis acima do solo, sendo o maior menir da Península Ibérica, pesando cerca de 15 toneladas e com um diâmetro máximo de 1,25 metros. Devidamente sinalizado a partir da Vila. Se não conhecem o Parque Natural da Serra de São Mamede e esta magnífica região, venham até nós...

Foto Turismo de Portugal

Desertificação do Distrito de Portalegre

O Distrito de Portalegre situado no interior de Portugal Continental, destaca-se por enfrentar sérios desafios demográficos que o colocam entre os territórios mais desertificados do país. Com uma densidade populacional muito baixa e uma tendência de declínio demográfico acentuado tornou-se um exemplo paradigmático dos problemas que afetam muitas regiões do interior português.

Apresenta uma das menores densidades populacionais de Portugal com cerca de 11 habitantes por quilómetro quadrado. Este valor é significativamente inferior à média nacional e evidencia o afastamento da população das zonas rurais para áreas urbanas mais desenvolvidas. A baixa densidade populacional é um dos principais indicadores de desertificação territorial, refletindo o despovoamento e a dificuldade de atração e retenção de residentes.

O distrito enfrenta um saldo fisiológico negativo, ou seja, o número de óbitos supera, em muito, o número de nascimentos. Além disso, a taxa de natalidade tem vindo a diminuir progressivamente, o que agrava o envelhecimento da população local. Este fenómeno resulta não só da diminuição do número de jovens e crianças, mas também do aumento da proporção de idosos, criando desafios adicionais em termos de sustentabilidade social e económica, tais como:

Baixa Taxa de Natalidade: O número reduzido de nascimentos não compensa as perdas populacionais, acelerando o declínio demográfico.

Aumento da Mortalidade: O envelhecimento da população leva a um aumento do número de óbitos, agravando o saldo populacional negativo.

Êxodo Rural: A migração de jovens e famílias para os grandes centros urbanos em busca de melhores oportunidades de emprego e qualidade de vida contribui de forma significativa para o despovoamento das zonas rurais.

Em contraste com regiões mais povoadas onde a densidade populacional e o dinamismo económico são muito superiores, o Distrito de Portalegre evidencia os desafios comuns às regiões do interior português: perda contínua de população, envelhecimento acelerado e desertificação. Estes fatores dificultam o desenvolvimento local e a manutenção de serviços essenciais à comunidade.

O Distrito de Portalegre é um exemplo claro de território afetado pela desertificação em Portugal. A baixa densidade populacional, o declínio demográfico e o êxodo rural são desafios estruturais que exigem políticas integradas de revitalização e atração de população, promovendo o desenvolvimento sustentável e a coesão territorial. O combate à desertificação passa pela valorização dos recursos locais, pelo incentivo à fixação de jovens e pela criação de condições favoráveis à natalidade e ao investimento regional.

Pesquisa de dados: José Coelho

Foto: Pedro Coelho

O silêncio também fala


“Às vezes, mais importante do que entender algumas palavras, é decifrar o que um silêncio nos quer dizer.”

Na correria do quotidiano, tendemos a valorizar as palavras como principais instrumentos de comunicação. No entanto há momentos em que o silêncio fala mais alto do que qualquer discurso elaborado.
O silêncio pode carregar significados profundos, transmitir emoções intensas e até mesmo resolver conflitos sem necessidade de qualquer palavra.
Em muitas situações o silêncio é utilizado como resposta: seja como demonstração de respeito, como sinal de reflexão, ou como expressão de dor e desconforto.
Entre amigos, familiares ou colegas de trabalho, o silêncio pode comunicar solidariedade ou desaprovação de maneira subtil, sem confrontos diretos, mas deixando clara a mensagem.
Um dos aspetos mais fascinantes do silêncio é a sua capacidade de revelar o que as palavras tentam esconder. Muitas vezes, quando as emoções são intensas e difíceis de serem expressas, o silêncio torna-se refúgio, sinalizando tristeza, ansiedade, alegria contida ou até mesmo amor.
Saber interpretar esses momentos é um dom que exige sensibilidade e empatia.
Escutar o silêncio é mais do que simplesmente perceber a ausência de som. É estar atento ao ambiente, aos gestos, aos olhares e ao contexto. É compreender que, muitas vezes, o que não é dito revela mais sobre as intenções e sentimentos de alguém do que qualquer palavra proferida.
Saber escutar o silêncio cria conexões mais profundas e permite relações mais sinceras.
Reconhecer o valor do silêncio é reconhecer a força da comunicação não verbal. As palavras são importantes, mas o silêncio, quando bem interpretado, é capaz de transformar relações, trazer conforto e revelar verdades que, por vezes, não ousamos pronunciar.
Aprender a ouvir o silêncio é aprender a conhecer, a respeitar e a sentir o outro de uma forma mais completa e humana.
Texto e foto