sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Desertificação do Distrito de Portalegre

O Distrito de Portalegre situado no interior de Portugal Continental, destaca-se por enfrentar sérios desafios demográficos que o colocam entre os territórios mais desertificados do país. Com uma densidade populacional muito baixa e uma tendência de declínio demográfico acentuado tornou-se um exemplo paradigmático dos problemas que afetam muitas regiões do interior português.

Apresenta uma das menores densidades populacionais de Portugal com cerca de 11 habitantes por quilómetro quadrado. Este valor é significativamente inferior à média nacional e evidencia o afastamento da população das zonas rurais para áreas urbanas mais desenvolvidas. A baixa densidade populacional é um dos principais indicadores de desertificação territorial, refletindo o despovoamento e a dificuldade de atração e retenção de residentes.

O distrito enfrenta um saldo fisiológico negativo, ou seja, o número de óbitos supera, em muito, o número de nascimentos. Além disso, a taxa de natalidade tem vindo a diminuir progressivamente, o que agrava o envelhecimento da população local. Este fenómeno resulta não só da diminuição do número de jovens e crianças, mas também do aumento da proporção de idosos, criando desafios adicionais em termos de sustentabilidade social e económica, tais como:

Baixa Taxa de Natalidade: O número reduzido de nascimentos não compensa as perdas populacionais, acelerando o declínio demográfico.

Aumento da Mortalidade: O envelhecimento da população leva a um aumento do número de óbitos, agravando o saldo populacional negativo.

Êxodo Rural: A migração de jovens e famílias para os grandes centros urbanos em busca de melhores oportunidades de emprego e qualidade de vida contribui de forma significativa para o despovoamento das zonas rurais.

Em contraste com regiões mais povoadas onde a densidade populacional e o dinamismo económico são muito superiores, o Distrito de Portalegre evidencia os desafios comuns às regiões do interior português: perda contínua de população, envelhecimento acelerado e desertificação. Estes fatores dificultam o desenvolvimento local e a manutenção de serviços essenciais à comunidade.

O Distrito de Portalegre é um exemplo claro de território afetado pela desertificação em Portugal. A baixa densidade populacional, o declínio demográfico e o êxodo rural são desafios estruturais que exigem políticas integradas de revitalização e atração de população, promovendo o desenvolvimento sustentável e a coesão territorial. O combate à desertificação passa pela valorização dos recursos locais, pelo incentivo à fixação de jovens e pela criação de condições favoráveis à natalidade e ao investimento regional.

Pesquisa de dados: José Coelho

Foto: Pedro Coelho