terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Caminho árido por vezes, mas sempre honroso


Por mais cautelosos que sejamos, haverá sempre alguma coisa que escapará ao nosso controlo. O imprevisível faz parte da existência humana, recordando-nos dia após dia os limites do nosso entendimento e capacidade de antecipação. A vida de cada um de nós é marcada por acontecimentos que se desenrolam como têm de se desenrolar, à revelia dos nossos desejos, planos e esforços.

Não existe força capaz de alterar o curso dos acontecimentos que estiverem destinados a cruzar o nosso caminho. A prudência, o cuidado e as boas intenções são virtudes essenciais, mas jamais serão suficientes para impedir o inesperado. Aceitar essa limitação é um exercício de humildade perante a vida, reconhecendo que mesmo as mais rigorosas previsões não nos asseguram imunidade aos imprevistos.
Confiar que os outros partilham das nossas boas intenções é, por si só, um sinal de humana normalidade. Até prova em contrário todas as pessoas merecem o crédito da confiança, do respeito e da dignidade de quem com eles convive. Essa postura, se for incutida desde cedo por uma educação baseada em princípios sólidos, transformar-se-á, independentemente de títulos ou pergaminhos, numa riqueza maior em valores fundamentais.
Aprendi pelo exemplo dos meus mestres de vida que a bondade, a honestidade, a educação e o respeito, não são apenas virtudes individuais, são sementes que florescem e sustentam a dignidade humana. São princípios muito simples na sua essência mas exigentes na sua preservação, porque formam a base de uma justa e harmoniosa convivência em sociedade.
O nosso percurso pela vida irá proporcionar-nos encontros com o melhor, mas também com o pior, da natureza humana seguramente. As experiências positivas prevalecem, mas são as negativas que revelam a face mais sombria da alma das pessoas. Não nos detenhamos em queixumes e guardemos essas memórias como ensinamentos que nos ajudarão a superar futuras situações semelhantes.
As experiências adversas têm um peso emocional acrescido. Novos protagonistas mais instruídos e letrados vão surgindo, mas a desilusão e a amargura que provocam são exatamente iguais, por vezes até mais acentuadas. Os títulos académicos não melhoram as almas com tendências perversas, pois não está ao alcance de ninguém mudar a essência do outro. A esterilidade dessas almas é fruto da terra que recusa a semente e nunca da qualidade da semente em si.
Apesar de consciente de todas as minhas limitações, recuso-me a abdicar da esperança e de continuar a esforçar-me diariamente por um mundo mais justo e mais digno. As minhas capacidades podem não ser vastas, mas são verdadeiras e refletem o legado de quem assim me formou. Agradeço diariamente os valores e princípios recebidos e mantenho o compromisso de continuar a praticá-los e a transmiti-los, porque mesmo perante as adversidades, acredito que vale a pena lutar pelo bem, pela justiça, pela dignidade.
Viver de acordo com os nossos princípios é aceitar que nem sempre iremos colher apenas flores. No entanto, é exatamente nessa persistência de comportamento que reside a grandeza humana. O caminho da retidão é por vezes árido, mas é também o que mais dignifica a nossa passagem pelo mundo, deixando de nós um honroso exemplo a quem realmente nos conhece e ama.