O tempo, esse precioso e limitado bem, é o fio condutor das nossas existências. Tal como tudo no universo, também ele possui um início e um término que traça o ciclo inevitável da nossa vida. E, à medida que avançamos por ela, torna-se cada vez mais claro que por muito que tentemos prolongar alguns momentos ou antecipar sonhos, seremos sempre guiados pelo seu compasso natural.
Admitir sem receios ou dramatismos que nos aproximamos da derradeira fase da vida é um exercício de maturidade e serenidade. É normal sentir que as capacidades cognitivas, a força, a energia e a agilidade vão diminuindo com o passar dos dias. Mas esse reconhecimento não traz necessariamente tristeza ou amargura, antes pelo contrário, pode abrir espaço para uma aceitação tranquila do que fomos e do caminho que percorremos.
Talvez nenhum de nós tenha sido tão feliz quanto desejava porque a vida é feita de anseios e expectativas que nem sempre se concretizam. No entanto, é suficiente encontrar muitos momentos de alegria e satisfação, para afirmarmos, com convicção, que valeu a pena ter vivido.
O verdadeiro valor da existência está frequentemente nos instantes simples e nas pequenas conquistas que, vistos à distância, formam um quadro de grata realização.
Nem sempre recebemos tudo o que queríamos ou julgávamos precisar, mas é possível olhar para trás e reconhecermos que tivemos o suficiente para seguir adiante. Essa visão madura das coisas permite endereçar, com absoluta tranquilidade, um sincero agradecimento à vida.
Ao fazer o balanço dos anos vividos, a melhor resposta que se pode dar à nossa história é a gratidão. Um simples "Obrigado, Vida, por tudo quanto me deste!" resume a aceitação do passado, a compreensão do presente e a esperança serena para o que ainda está por vir. E esse reconhecimento não nasce da ausência de dificuldades, mas da capacidade de valorizar cada experiência, cada pessoa e cada gesto que fez parte da nossa caminhada.
Bom Domingo de Reis!

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