Tive aqueles pais que não conheciam luxo, mas entendiam muito sobre valores. Cresci num lar onde o essencial não se media pelo que se tinha, mas pelo que se era. A simplicidade era o pano de fundo dos dias, mas o amor, esse sim, era abundante e constante.
Tive aqueles pais que se levantavam antes do amanhecer, com as mãos cheias de trabalho e o coração cheio de amor. Via-os sair ainda escuro, prontos para enfrentar mais um dia e sabia que por trás de cada jornada havia dedicação e esperança de um futuro melhor para mim.
Aqueles pais que, mesmo cansados, sempre tinham tempo para me ensinarem o que era certo. A sua presença era uma bússola silenciosa, mostrando-me o caminho da honestidade, do respeito e da bondade. Mesmo depois de um dia longo, havia sempre uma palavra, um conselho, um abraço.
Tive aqueles pais que não me deixaram riquezas materiais, mas o tesouro da humildade, do respeito e do esforço. São valores que carrego comigo, herança bem maior do que qualquer bem material. Eles ensinaram-me que a verdadeira riqueza está em quem somos e na forma como tratamos os outros.
Hoje entendo que nunca me faltou nada, porque eles me ensinaram a lutar por tudo. Se às vezes me questionei sobre o que não tinha, hoje percebo que recebi tudo o que era realmente importante: força, coragem e a capacidade de sonhar sem esquecer de onde venho.
Obrigada, mãe e pai, por me terem deixado o maior dos bens: o vosso exemplo.
É esse legado que guardo e tento honrar todos os dias da minha vida. Continuo a amar-vos como sempre vos amei, como se estivessem ainda aqui comigo.