sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Na simplicidade de uma foto...

... mil e uma recordações. 

A casinha onde nasci, pobre mas nossa;
A comida feita ao lume pela minha mãe;
O meu pai sentado pacificamente ao canto da chaminé a fumar o seu cigarro feito à mão com tabaco de onça Duque, aos serões;
O gato a ronronar ao borralho;
A trempe para a sertã e também para o assador de castanhas que ainda conservo velhinho mas intacto;
As cadeirinhas com assento de buinho para a gaiatada que resistiram ao tempo e ainda por aí sobrevive uma ou outra;
O ambiente acolhedor de lar e aconchego nas noites frias de inverno (mas também nas de verão);
A família, a harmonia, a benção de estarmos vivos, felizes e (ainda) todos juntos;
Tantas, tantíssimas e dulcíssimas, lembranças!

Éramos tão felizes e não sabíamos... 

José Coelho

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Só porque sim


Porque nunca fomos, não somos nem nunca seremos o que essas pessoas que não gostam de nós fal(adr)am. E ponto final. Quem não gostar passe ao lado...

Coisas (muito assertivas) que leio


 

Infelizmente não vou poder ir.

Porquê?

Porque não quero.

Vamos normalizar isto.

Vamos normalizar o “não quero”, o “não estou para aí virado”, o “não me apetece”.

Não vamos ficar magoados, revoltados, só porque aquela pessoa, que amamos e que queremos ter sempre connosco, não quer, naquele momento, estar junto a nós.

Ou porque não quer falar connosco ao telefone.

O telefonema é invasivo, é impositivo.

Quem telefona está a dizer: agora, neste instante, quero falar contigo.

Está a impor o seu timing, o seu tempo. Não atender não é prova de nada, apenas de que não quero falar nesse momento que a outra pessoa definiu. Não é por isso que amo menos, que quero menos, que preciso menos. Apenas preciso de espaço para mim, apenas quero fazer outras coisas, estar noutros lugares. Está tudo bem assim. Porque não haveria de estar?

Empatia é isso: perceber que o outro não é Eu.

Não tem de querer o que quero quando eu quero; o outro quer o que quer quando quer, é essa a sua magia também.

Vamos normalizar.

Não vamos impor companhias, decisões, escolhas.

Não vamos obrigar o outro a mentir, a enganar, a esconder o que sente, o que quer, só para não ser malvisto, mal-encarado, mal interpretado.

O amor é liberdade, jamais prisão.

O amor é alegria, jamais constrangimento.

Vamos normalizar isto.

Vamos normalizar o que é normal, o que é humano.

Somos todos diferentes, em momentos diferentes, em estádios diferentes das nossas vidas.

Entender isso é amor.

Amemo-nos assim.

 

Pedro Chagas Freitas

A RARIDADE DAS COISAS BANAIS

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Pretextos perigosos

"Vivemos num tempo em que novos muros estão a ser erigidos, quando as diferenças se tornam um pretexto para a divisão em vez de uma oportunidade para o enriquecimento mútuo".

Cardeal Tolentino de Mendonça
Na missa de domingo em Roma
- 16 de fevereiro de 2025

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Memória coletiva e amor


Tarde cálida e primaveril a fazer jus ao provérbio que diz "depois da tempestade vem sempre a bonança". É esta paisagem tão rústica quanto pacífica que me saúda em cada manhã do quintal da casa onde nasci, depois cresci e agora envelheço na paz dos meus dias.

Lá ao fundo, encostada ao Caminho Municipal 1024 (por aqui mais conhecido como Estrada da Herdade) meio encoberta pelos ramos ainda sem folhas dos choupos em pousio de inverno que bordejam as margens do Ribeiro da Cavalinha, a velha Murta toda vestidinha de novo, envolta pelas fragas graníticas e montado que abundam por estas milenares paisagens raianas.

Oculto pelos ramos dos sobreiros no lado superior esquerdo da foto, situa-se o recente Hotel Tapada da Rabela Turismo e Reserva Natural Privada, entre a via férrea do Ramal de Cáceres a nascente e a Rua Vivas a poente, da qual é a última casa habitada, a par da entrada para a quinta do seu proprietário.

Entre a Rua Vivas e a via férrea do Ramal de Cáceres que atravessa toda a aldeia de poente para nascente, assim como esta foto da direita para a esquerda, vemos, do lado nascente, pintada em cor de tijolo, a Incubadora de Empresas de Base Não Tecnológica da Beirã, obra muito recente de adaptação de um anterior celeiro pertencente à Estação ferroviária que foi adaptado à atual unidade empresarial.

Por último as modernas vivendas da Rua Vivas que são propriedade de funcionários que tinham as suas vidas nas especialidades inerentes a uma Estação ferroviária fronteiriça, tais como agentes ferroviários, pessoal aduaneiro, guardas fiscais e seus herdeiros que sendo da região mas não só, decidiram por cá ficar definitivamente.

Tudo isto foi, durante muitas décadas, um polo de vida e harmonia em redor dos comboios nacionais e internacionais de passageiros mas também de mercadorias, num vaivém ininterrupto com circulação diária 24 sobre 24 horas, até um staff de iluminados governantes decidir em 2012 encerrá-lo sem apelo nem agravo, indiferente aos danos mais que previsíveis para toda esta região e população, particularmente para quem ali ia buscar o seu ganha-pão cada dia.

Ficou o que ninguém jamais terá capacidade ou autoridade para encerrar:

A nossa memória coletiva e amor a esta terra...

José Coelho

(Texto e foto)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Penso eu de que


Não se pode obrigar ninguém a mudar. Cada pessoa é como é e tem o direito de ser como entende. Nunca se esforce por mudar quem não quer ser de outra maneira, nem desperdice o seu tempo a tentar mudá-la.

É inútil porque a porta da mudança só abre pelo lado de dentro.

Concentre-se em melhorar-se a si mesmo, em desenvolver a sua autoestima, deixe que a vida lhe traga tudo quanto necessita para se sentir completo porque é sempre ela que coloca no nosso caminho as pessoas e as coisas que se alinham com os nossos sonhos e projetos.
(Texto e foto)

In memoriam


Minha saudade não larga
Certa casa abandonada.
E sinto, na boca, amarga,
Essa lágrima chorada
Quando a deixei...

Caía, de leve, a tarde...
E, olhando para trás, vi
Aquela porta fechada.

Nesse momento, senti
Pesar-me a fatalidade
De toda a Vida passada.

Arde
Ainda, nos meus olhos,
A luz do sol que brilhava
Na janela.
Era uma luz amarela;
Uma luz de fim da tarde
Que ainda trago nos olhos...

Ficava ali,
Por detrás da porta verde,
Tudo o que a vida nos perde,
Enquanto nos vai gastando...

E triste e só me parti;
Quem sabe que outros Destinos,
Dolorosos ou divinos,
Procurando...

Francisco Bugalho, in "Margens”

Foto José Coelho