segunda-feira, 24 de maio de 2021

Boa semana!

Triskle - Símbolo Celta que evoca  os elementos da Natureza
Água - Terra - Fogo - Ar

Antiga Benção Celta

- Que o caminho venha ao teu encontro, que o vento sopre sempre às tuas costas e a chuva caia suave sobre os teus campos.
- Que até voltarmos a encontrar-nos Deus te sustente suavemente na palma de Sua mão.
- Que vivas todo o tempo que quiseres, e que sempre vivas plenamente.
- Lembra-te sempre de esquecer as coisas que te entristeceram, mas não esqueças de te lembrar das coisas que te alegraram.
- Lembra-te sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos, mas nunca deixes de lembrar aqueles que permaneceram fiéis.
- Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, mas não deixes de lembrar das bençãos de cada dia.
- Que o dia mais triste do teu futuro, não seja pior que o mais feliz do teu passado.
- Que o teto nunca caia sobre ti, e que os amigos debaixo dele nunca partam.
- Que sempre tenhas palavras cálidas num anoitecer frio, uma lua cheia numa noite escura, e que um caminho se abra sempre à tua porta.
- Que vivas cem anos, com um ano extra para arrepender-te.
- Que o Senhor te guarde em Suas mãos, e não aperte muito Seus dedos.
- Que teus vizinhos te respeitem, que os problemas te abandonem, os anjos te protejam, e o céu te acolha.
- E que a sorte das colinas celtas te abrace.
- Que as bençãos de São Patrício te contemplem.
- Que teus bolsos estejam pesados, e o teu coração leve.
- Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas um muro contra o vento, um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
- Que Deus esteja contigo e te abençoe, que vejas os filhos dos teus filhos, que o infortúnio te seja breve e que te deixe cheio de bençãos.
- Que não conheças nada além da felicidade deste dia em diante.
- Que Deus te conceda muitos anos de vida. Com certeza Ele sabe que a Terra não tem anjos suficientes.
E assim seja a cada ano, para sempre.

domingo, 16 de maio de 2021

Reflexões que instruem e ajudam

Foto Pedro Coelho

A origem de muitas das nossas decepções é pensar que os outros farão por nós aquilo que nós fazemos por eles. Esperamos sempre a mesma sinceridade, o mesmo respeito e a mesma reciprocidade. No entanto, isso nem sempre acontece. Os valores que nos definem não são os mesmos que definem os outros.

 

Uma maneira simples de podermos ser mais felizes poderá residir no facto de minimizarmos as nossas expectativas. Quanto menos nós esperarmos, mais poderemos receber ou encontrar. É certamente um argumento um tanto controverso, no entanto não deixa de ter a sua lógica.

 

“Não esperes nada de ninguém, espera tudo de ti mesmo, e desse modo o teu coração irá colher menos decepções.”

 

Todos nós sabemos que no que diz respeito às nossas relações é impossível não ter expectativas. Esperamos sempre que os outros tenham comportamentos iguais aos nossos e desejamos ser amados, defendidos e valorizados como amamos, defendemos e valorizamos. Mas isso não impede que muitas vezes estas previsões falhem. Quem espera muito dos outros geralmente acaba desiludido.

 

Não é errado procurar o lado bom das pessoas. Temos o direito de tentar encontrá-lo e até mesmo de promovê-lo, mas com alguma cautela, porque a decepção é irmã das expectativas elevadas. Por isso é mais apropriado não nos deslumbrarmos antes de tempo.

 

As aparências não costumam enganar, o que muitas vezes costuma falhar são as nossas expectativas acerca dos outros.

 

Podemos esperar muito dos demais mas o certo é esperar sempre mais de nós mesmos.

 

Para ajudar a deixarmos de esperar muito das pessoas ao nosso redor, lembremo-nos do seguinte: Ninguém é perfeito. Nem sequer nós somos. Se fôssemos agradar às expectativas que os outros têm sobre nós, viveríamos stressados e infelizes. Por vezes é impossível, ninguém é um exemplo de perfeição ou de virtude absoluta. Basta respeitarmo-nos uns aos outros e exercer a reciprocidade da forma mais humilde possível.

 

Nem sempre temos que receber algo em troca. Às vezes o melhor é aceitar que os outros são como são e que nem sempre vão fazer por nós aquilo que nós estamos dispostos a fazer por eles. E, claro, existem sempre aquelas pessoas que simplesmente não valem a pena. Que não nos respeitam nem nos merecem na sua vida.

 

Nesses casos é necessário desapegarmo-nos, por mais difícil que possa ser. Para concluir, quanto menos esperarmos, mais surpresas poderemos ter. Dessa forma seremos um pouco mais livres e a nossa felicidade será menos dependente do comportamento dos outros.

 

Somos todos falíveis, somos todos seres imperfeitos que tentam viver num mundo onde, por vezes, as decepções são inevitáveis, mas no qual também habitam o amor sincero e as amizades duradouras.

 

V. Sabater

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Não aprendemos nada

Foto José Coelho

Andamos neste pandémico sobressalto desde Fevereiro de 2020. Primeiro foi-nos dito que o vírus andava lá para a China mas dificilmente iria cá chegar – ouvi-o pessoalmente na tv à Doutora Graça Freitas da DGS. Porém, em menos de um ai, o mundo inteiro gemia aflito com milhares de mortos e centenas de milhares de infetados à escala global numa assustadora, descontrolada e alucinante escalada diária. Em Espanha e na Itália então, foi pura e simplesmente indescritível.

Assistimos estupefactos ao encerramento de toda a atividade aérea, marítima e terrestre, de todos os serviços públicos e particulares, fomos mandados ficar fechados em casa e proibidos de circular nas vias públicas numa reviravolta total do quotidiano nas nossas vidas. Parece que foi há muito tempo, mas tão só e apenas há dois meses estávamos encerrados nos domicílios pelos desmandos natalícios que eclodiram ferozmente em fevereiro e quase provocaram a rotura do SNS.

Dificilmente serão esquecidas as dramáticas imagens de pirilampos de mais de cinquenta ambulâncias a esperar longuíssimas horas pelo atendimento à portas das urgências dos maiores hospitais das nossas cidades. Deu para perceber que a coisa era mesmo séria, perigosa, letal. Mas como sempre, só nos lembramos de Santa Bárbara quando ouvimos trovões. Assim que o controlo afrouxa um pouco, lá vamos aos magotes para todo o lado, descurando displicentemente a maior parte das medidas preventivas.

Não há volta a dar. Viu-se quanto nos esquecemos dos dias ruins quando o nosso clube do coração alcança um título. Vimos, não tão descontrolado mas também em Fátima ontem, quando no recinto de oração se cumpriam sim senhor as regras, mas em redor do santuário ficaram aos magotes e sem qualquer controlo outros sete mil e quinhentos peregrinos ou mais. E a responsabilidade não pode ser imputada só ao governo, às autoridades, à organização dos eventos. Ela é dever de todos nós.

Se em nossas casas, nas nossas famílias sabemos gerir o dia a dia por forma a que todos vivamos bem, confortáveis e protegidos, na vida em sociedade temos que fazer exatamente o mesmo. Respeitar e cumprir as regras, preocuparmo-nos uns com os outros e seguir as indicações sobejamente difundidas para que o bem-estar comum seja um facto adquirido, extensivo a todos e a cada um. Se tal tivesse sido cumprido, seguramente teria havido menos fatalidades, menor necessidade de estados de emergência, menos transtornos.

Mais de um ano de solidão para tantos idosos que se viram impedidos de contactar pessoalmente com os seus entes queridos, familiares, vizinhos ou conhecidos nossos que partiram inesperadamente atingidos pela letal infeção, vidas suspensas, negócios e empregos afetados, enfim um mar de problemas que deveriam ter-nos alertado para a nossa frágil condição humana, para o quanto somos vulneráveis e expostos a qualquer inesperada adversidade, vinda assim, ninguém sabe muito bem quando ou de onde, como sucedeu com a Covid19.

Vivemos no século XXI, o mundo e a ciência evoluíram extraordinariamente mas a verdade que mais se evidenciou é que este mesmo mundo e ciência foram apanhados de surpresa e ficaram perplexos não só com a letalidade do novo coronavírus, como ainda com a rapidez como se propagava por todo o planeta, no espaço de apenas pouquíssimas semanas. Não havia, manifestamente, forma de conter a sua propagação pandémica, nem de impedir que chegasse a todos os continentes como chegou. Nunca antes, repito, a fragilidade da nossa condição humana tinha sido tão evidenciada.

No silêncio que se abateu sobre as nossas cidades, vilas e aldeias durante os longos confinamentos a que fomos submetidos, deveríamos ter aprendido alguma coisa, deveríamos ter refletido na forma como vivemos e nos nossos comportamos quer em família quer em sociedade, tirar ilações do que fazemos menos bem e deveríamos tentar fazer melhor, que não vivemos isolados mas em comunidade e por isso necessitamos todos uns dos outros.

Pela parte que me tocou e em longos passeios pelos campos, refleti bastante. A solidão nunca me perturbou, muito pelo contrário, gosto mais do silêncio puro da natureza do que do ruído de falsas falas e duvidosas intenções que tantas vezes nos cercam. Patriarca desta Família Coelho, herdei dos meus antepassados valores e princípios que sempre tentei seguir, só não sei se sempre os consegui cumprir, mas sei, tenho a certeza que, pelo menos, sempre me esforcei por isso. E um dos valores que me foi entranhado, foi precisamente o da Família.

Habituado a ter em casa os meus comigo regularmente, o que mais me custou foi a sua constante ausência durante meses a fio. Jamais poderia imaginar que iríamos passar duas páscoas e um natal longe uns dos outros sem nos podermos abraçar e confraternizar. Do mal o menos, apenas um dos filhos foi ligeiramente atingido pela infeção tendo que fazer a obrigatória quarentena mas sem ter contagiado quer a esposa quer a filha e também sem quaisquer outras consequências em termos do seu bem-estar físico. Não passou de um sobressalto que nos causou alguma apreensão, mas apenas isso.

Cumprimos responsavelmente de comum acordo e sem hesitar todas as regras e recomendações das autoridades. Por isso me custa tanto entender porque carga d’água tantos outros não foram capazes de fazer como nós. Não por medo de morrer mas pelo respeito às indicações de quem geria a situação, pela nossa saúde e pela dos outros, pelos mais elementares deveres cívicos e de cidadania que a cada um de nós é exigido. Esperemos que desta vez as coisas corram melhor e não tenhamos que regredir. Porém, suceda o que suceder, é minha profunda convicção que a sociedade em geral continua a navegar num profundo défice em termos de aprendizagem.

 

José Coelho

14.05.2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Minha Beirã, da passarada pela manhã…

Ninho de pintassilgo numa roseira da Toca dos Coelhos
Foto Pedro Coelho


A Toca dos Coelhos é pouso favorito de toda a espécie de passarada desde que cá moro. As carriças fizeram ninho anos a fio em dois locais distintos. No forno do quintal antes de ter o portão de ferro que tem hoje e na trepadeira da varanda entre o emaranhado de folhas e caules. Tenho fotos que o atestam.

 

Os pintassilgos, um ano fizeram na roseira trepadeira da frente da casa e todos os anos continuam a fazê-los na latada do quintal. Por sua vez os verdelhões preferem a solidez das copas das oliveiras, enquanto os melros preferem o limoeiro e as rolas bravas a laranjeira.

 

Também um casal de tentilhões vem dormir na varanda do primeiro andar. Um deles, não sei se o macho se a fêmea, dorme sobre o braço da lanterna do alpendre, enquanto o outro prefere o parapeito de uma das janelas da casa de banho, comodamente instalados e abrigados.

 

Sempre que necessitamos lá ir depois de anoitecer lá estão os dois, provavelmente para fugirem do frio no inverno, ou do calor no verão. Nunca os enxotamos, muito pelo contrário tentamos sempre incomodar quanto menos melhor. Ainda assim, quando sentem a porta a abrir-se, esvoaçam para o telhado em frente quando invadimos o seu dormitório onde regressam imediatamente após sairmos.

 

Há dois anos, a senhora cegonha decidiu que uma das nossas chaminés era um excelente local para nidificar. Não teve sorte porque essa eu não deixei e vigiei-a para a espantar de lá batendo tampas de tachos cada vez que ali pousava com paus no bico. O telhado em volta da chaminé já parecia um estaleiro de lenha. Nááá… Cegonhas não. Gosto delas, respeito-as, mas fazem demasiado lixo, danificam os telhados e eu não sou rico.

 

Na passada primavera foram os pardais. Outra dor de cabeça e uma batalha dura de vencer porque são ainda mais teimosos que eu. Onde haviam estes meninos de imaginar construir a sua casa? Atrás do motor de um dos ares condicionados aproveitando o estreito espaço entre a máquina e a parede, mais os tubos que a ligam ao ventilador no interior do quarto. Também não deixei, porque as palhas infiltradas na grelha do motor podiam danificar o aparelho.

 

Tantas vezes o derrubei como eles voltaram a tentar, até que um dia lá desistiram. Ou pensei eu que eles tinham desistido.

 

Por essa altura, o esquentador da cozinha do rés-do-chão começou a deixar de funcionar regularmente. Apagava-se subitamente. Como tem um sensor preventivo para desligar quando se acumulam gases tóxicos em recintos fechados, pensei que seria isso. E vá de escancarar a porta da cozinha para a arejar o espaço, até que, intrigado, um dia me lembrei de ir dar uma espreitadela no tubo exaustor.

 

Eureka! Lá estava a causa.

 

Um amontoado de palhas para ninho quase entupia o tubo. Só podem ter feito aquilo quando fomos aos Açores e o aparelho não funcionou durante vários dias, tendo-o abandonando imediatamente assim que levaram com os gases e o calor da combustão ao regressarmos a casa. É preciso ter lata! Não nos deixas fazer a casa no ar condicionado, fazemos aqui onde tu não a vês…  Tirei o feno e tive de colocar uma grelha na boca do tubo para que os meninos não repetissem a gracinha.

 

Resta-me agora aguardar para ver qual será o próximo alvo…

 

José Coelho

domingo, 25 de abril de 2021