Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
sexta-feira, 28 de maio de 2021
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Boa semana!
Antiga Benção Celta
- Que o caminho venha ao teu encontro, que o vento sopre sempre às tuas costas e a chuva caia suave sobre os teus campos.- Que até voltarmos a encontrar-nos Deus te sustente suavemente na palma de Sua mão.- Que vivas todo o tempo que quiseres, e que sempre vivas plenamente.- Lembra-te sempre de esquecer as coisas que te entristeceram, mas não esqueças de te lembrar das coisas que te alegraram.- Lembra-te sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos, mas nunca deixes de lembrar aqueles que permaneceram fiéis.- Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, mas não deixes de lembrar das bençãos de cada dia.- Que o dia mais triste do teu futuro, não seja pior que o mais feliz do teu passado.- Que o teto nunca caia sobre ti, e que os amigos debaixo dele nunca partam.- Que sempre tenhas palavras cálidas num anoitecer frio, uma lua cheia numa noite escura, e que um caminho se abra sempre à tua porta. - Que vivas cem anos, com um ano extra para arrepender-te.- Que o Senhor te guarde em Suas mãos, e não aperte muito Seus dedos.- Que teus vizinhos te respeitem, que os problemas te abandonem, os anjos te protejam, e o céu te acolha.- E que a sorte das colinas celtas te abrace.- Que as bençãos de São Patrício te contemplem.- Que teus bolsos estejam pesados, e o teu coração leve.- Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas um muro contra o vento, um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.- Que Deus esteja contigo e te abençoe, que vejas os filhos dos teus filhos, que o infortúnio te seja breve e que te deixe cheio de bençãos.- Que não conheças nada além da felicidade deste dia em diante.- Que Deus te conceda muitos anos de vida. Com certeza Ele sabe que a Terra não tem anjos suficientes.E assim seja a cada ano, para sempre.
domingo, 16 de maio de 2021
Reflexões que instruem e ajudam
A origem de muitas das nossas
decepções é pensar que os outros farão por nós aquilo que nós fazemos por eles.
Esperamos sempre a mesma sinceridade, o mesmo respeito e a mesma reciprocidade.
No entanto, isso nem sempre acontece. Os valores que nos definem não são os
mesmos que definem os outros.
Uma maneira simples de
podermos ser mais felizes poderá residir no facto de minimizarmos as nossas
expectativas. Quanto menos nós esperarmos, mais poderemos receber ou encontrar.
É certamente um argumento um tanto controverso, no entanto não deixa de ter a
sua lógica.
“Não esperes nada de ninguém,
espera tudo de ti mesmo, e desse modo o teu coração irá colher menos
decepções.”
Todos nós sabemos que no que
diz respeito às nossas relações é impossível não ter expectativas. Esperamos sempre
que os outros tenham comportamentos iguais aos nossos e desejamos ser amados,
defendidos e valorizados como amamos, defendemos e valorizamos. Mas isso não
impede que muitas vezes estas previsões falhem. Quem espera muito dos outros
geralmente acaba desiludido.
Não é errado procurar o lado
bom das pessoas. Temos o direito de tentar encontrá-lo e até mesmo de promovê-lo,
mas com alguma cautela, porque a decepção é irmã das expectativas elevadas. Por
isso é mais apropriado não nos deslumbrarmos antes de tempo.
As aparências não costumam
enganar, o que muitas vezes costuma falhar são as nossas expectativas acerca dos
outros.
Podemos esperar muito dos demais
mas o certo é esperar sempre mais de nós mesmos.
Para ajudar a deixarmos de
esperar muito das pessoas ao nosso redor, lembremo-nos do seguinte: Ninguém é
perfeito. Nem sequer nós somos. Se fôssemos agradar às expectativas que os
outros têm sobre nós, viveríamos stressados e infelizes. Por vezes é
impossível, ninguém é um exemplo de perfeição ou de virtude absoluta. Basta
respeitarmo-nos uns aos outros e exercer a reciprocidade da forma mais humilde
possível.
Nem sempre temos que receber
algo em troca. Às vezes o melhor é aceitar que os outros são como são e que nem
sempre vão fazer por nós aquilo que nós estamos dispostos a fazer por eles. E,
claro, existem sempre aquelas pessoas que simplesmente não valem a pena. Que
não nos respeitam nem nos merecem na sua vida.
Nesses casos é necessário
desapegarmo-nos, por mais difícil que possa ser. Para concluir, quanto menos
esperarmos, mais surpresas poderemos ter. Dessa forma seremos um pouco mais
livres e a nossa felicidade será menos dependente do comportamento dos outros.
Somos todos falíveis, somos
todos seres imperfeitos que tentam viver num mundo onde, por vezes, as decepções
são inevitáveis, mas no qual também habitam o amor sincero e as amizades
duradouras.
V. Sabater
sexta-feira, 14 de maio de 2021
Não aprendemos nada
Andamos neste pandémico sobressalto desde Fevereiro de 2020. Primeiro
foi-nos dito que o vírus andava lá para a China mas dificilmente iria cá chegar – ouvi-o pessoalmente na tv à Doutora Graça Freitas
da DGS. Porém, em menos de um ai, o mundo inteiro gemia aflito com milhares de
mortos e centenas de milhares de infetados à escala global numa assustadora,
descontrolada e alucinante escalada diária. Em Espanha e na Itália então, foi pura
e simplesmente indescritível.
Assistimos estupefactos ao encerramento de toda a atividade
aérea, marítima e terrestre, de todos os serviços públicos e particulares, fomos
mandados ficar fechados em casa e proibidos de circular nas vias públicas numa
reviravolta total do quotidiano nas nossas vidas. Parece que foi há muito tempo,
mas tão só e apenas há dois meses estávamos encerrados nos domicílios pelos
desmandos natalícios que eclodiram ferozmente em fevereiro e quase provocaram a
rotura do SNS.
Dificilmente serão esquecidas as dramáticas imagens de pirilampos
de mais de cinquenta ambulâncias a esperar longuíssimas horas pelo atendimento à
portas das urgências dos maiores hospitais das nossas cidades. Deu para
perceber que a coisa era mesmo séria, perigosa, letal. Mas como sempre, só nos
lembramos de Santa Bárbara quando ouvimos trovões. Assim que o controlo afrouxa
um pouco, lá vamos aos magotes para todo o lado, descurando displicentemente a
maior parte das medidas preventivas.
Não há volta a dar. Viu-se quanto nos esquecemos dos dias
ruins quando o nosso clube do coração alcança um título. Vimos, não tão
descontrolado mas também em Fátima ontem, quando no recinto de oração se cumpriam
sim senhor as regras, mas em redor do santuário ficaram aos magotes e sem
qualquer controlo outros sete mil e quinhentos peregrinos ou mais. E a responsabilidade
não pode ser imputada só ao governo, às autoridades, à organização dos eventos.
Ela é dever de todos nós.
Se em nossas casas, nas nossas famílias sabemos gerir o dia a
dia por forma a que todos vivamos bem, confortáveis e protegidos, na vida em
sociedade temos que fazer exatamente o mesmo. Respeitar e cumprir as regras,
preocuparmo-nos uns com os outros e seguir as indicações sobejamente
difundidas para que o bem-estar comum seja um facto adquirido, extensivo a
todos e a cada um. Se tal tivesse sido cumprido, seguramente teria havido menos
fatalidades, menor necessidade de estados de emergência, menos transtornos.
Mais de um ano de solidão para tantos idosos que se viram
impedidos de contactar pessoalmente com os seus entes queridos, familiares, vizinhos
ou conhecidos nossos que partiram inesperadamente atingidos pela letal infeção,
vidas suspensas, negócios e empregos afetados, enfim um mar de problemas que
deveriam ter-nos alertado para a nossa frágil condição humana, para o quanto
somos vulneráveis e expostos a qualquer inesperada adversidade, vinda assim, ninguém
sabe muito bem quando ou de onde, como sucedeu com a Covid19.
Vivemos no século XXI, o mundo e a ciência evoluíram
extraordinariamente mas a verdade que mais se evidenciou é que este mesmo mundo
e ciência foram apanhados de surpresa e ficaram perplexos não só com a letalidade
do novo coronavírus, como ainda com a rapidez como se propagava por todo o
planeta, no espaço de apenas pouquíssimas semanas. Não havia, manifestamente,
forma de conter a sua propagação pandémica, nem de impedir que chegasse a todos
os continentes como chegou. Nunca antes, repito, a fragilidade da nossa
condição humana tinha sido tão evidenciada.
No silêncio que se abateu sobre as nossas cidades, vilas e
aldeias durante os longos confinamentos a que fomos submetidos, deveríamos ter
aprendido alguma coisa, deveríamos ter refletido na forma como vivemos e nos nossos
comportamos quer em família quer em sociedade, tirar ilações do que fazemos menos
bem e deveríamos tentar fazer melhor, que não vivemos isolados mas em comunidade
e por isso necessitamos todos uns dos outros.
Pela parte que me tocou e em longos passeios pelos campos,
refleti bastante. A solidão nunca me perturbou, muito pelo contrário, gosto
mais do silêncio puro da natureza do que do ruído de falsas falas e duvidosas
intenções que tantas vezes nos cercam. Patriarca desta Família Coelho, herdei
dos meus antepassados valores e princípios que sempre tentei seguir, só não sei
se sempre os consegui cumprir, mas sei, tenho a certeza que, pelo menos, sempre
me esforcei por isso. E um dos valores que me foi entranhado, foi precisamente
o da Família.
Habituado a ter em casa os meus comigo regularmente, o que
mais me custou foi a sua constante ausência durante meses a fio. Jamais poderia
imaginar que iríamos passar duas páscoas e um natal longe uns dos outros sem nos
podermos abraçar e confraternizar. Do mal o menos, apenas um dos filhos foi
ligeiramente atingido pela infeção tendo que fazer a obrigatória quarentena
mas sem ter contagiado quer a esposa quer a filha e também sem quaisquer outras
consequências em termos do seu bem-estar físico. Não passou de um sobressalto
que nos causou alguma apreensão, mas apenas isso.
Cumprimos responsavelmente de comum acordo e sem hesitar todas as regras e recomendações das autoridades. Por isso me custa tanto entender
porque carga d’água tantos outros não foram capazes de fazer como nós. Não por
medo de morrer mas pelo respeito às indicações de quem geria a situação, pela nossa saúde e pela dos outros, pelos mais
elementares deveres cívicos e de cidadania que a cada um de nós é exigido. Esperemos que desta vez as coisas corram
melhor e não tenhamos que regredir. Porém, suceda o que suceder, é minha profunda
convicção que a sociedade em geral continua a navegar num profundo défice em
termos de aprendizagem.
José Coelho
14.05.2021
sexta-feira, 7 de maio de 2021
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Minha Beirã, da passarada pela manhã…
A Toca dos Coelhos é
pouso favorito de toda a espécie de passarada desde que cá moro. As carriças
fizeram ninho anos a fio em dois locais distintos. No forno do quintal antes de
ter o portão de ferro que tem hoje e na trepadeira da varanda entre o
emaranhado de folhas e caules. Tenho fotos que o atestam.
Os pintassilgos,
um ano fizeram na roseira trepadeira da frente da casa e todos os anos continuam
a fazê-los na latada do quintal. Por sua vez os verdelhões preferem a solidez
das copas das oliveiras, enquanto os melros preferem o limoeiro e as rolas
bravas a laranjeira.
Também
um casal de tentilhões vem dormir na varanda do primeiro andar. Um deles, não
sei se o macho se a fêmea, dorme sobre o braço da lanterna do alpendre,
enquanto o outro prefere o parapeito de uma das janelas da casa de banho,
comodamente instalados e abrigados.
Sempre
que necessitamos lá ir depois de anoitecer lá estão os dois, provavelmente para
fugirem do frio no inverno, ou do calor no verão. Nunca os enxotamos, muito pelo
contrário tentamos sempre incomodar quanto menos melhor. Ainda assim, quando
sentem a porta a abrir-se, esvoaçam para o telhado em frente quando invadimos
o seu dormitório onde regressam imediatamente após sairmos.
Há
dois anos, a senhora cegonha decidiu que uma das nossas chaminés era um
excelente local para nidificar. Não teve sorte porque essa eu não deixei e
vigiei-a para a espantar de lá batendo tampas de tachos cada vez que ali
pousava com paus no bico. O telhado em volta da chaminé já parecia um estaleiro
de lenha. Nááá… Cegonhas não. Gosto delas, respeito-as, mas fazem demasiado
lixo, danificam os telhados e eu não sou rico.
Na
passada primavera foram os pardais. Outra dor de cabeça e uma batalha dura de
vencer porque são ainda mais teimosos que eu. Onde haviam estes meninos de
imaginar construir a sua casa? Atrás do motor de um dos ares condicionados aproveitando o estreito espaço entre a máquina e a parede, mais os tubos que a ligam
ao ventilador no interior do quarto. Também não deixei, porque as palhas
infiltradas na grelha do motor podiam danificar o aparelho.
Tantas
vezes o derrubei como eles voltaram a tentar, até que um dia lá desistiram. Ou pensei
eu que eles tinham desistido.
Por
essa altura, o esquentador da cozinha do rés-do-chão começou a deixar de
funcionar regularmente. Apagava-se subitamente. Como tem um sensor preventivo para
desligar quando se acumulam gases tóxicos em recintos fechados,
pensei que seria isso. E vá de escancarar a porta da cozinha para a arejar o
espaço, até que, intrigado, um dia me lembrei de ir dar uma espreitadela no
tubo exaustor.
Eureka!
Lá estava a causa.
Um
amontoado de palhas para ninho quase entupia o tubo. Só podem
ter feito aquilo quando fomos aos Açores e o aparelho não funcionou durante
vários dias, tendo-o abandonando imediatamente assim que levaram com os gases e o calor da
combustão ao regressarmos a casa. É preciso ter lata! Não nos deixas fazer a casa no ar
condicionado, fazemos aqui onde tu não a vês… Tirei o feno e tive de colocar uma grelha na boca do
tubo para que os meninos não repetissem a gracinha.
Resta-me agora aguardar para ver qual será o próximo alvo…
José Coelho






