Ao deixar Nisa em finais de 1992 apresentei, primeiro por escrito e a seguir pessoalmente, a minha despedida e profunda gratidão pela excelente cooperação a todas a entidades, como havia feito em 1985 à chegada.
No dia e hora em que fui despedir-me do Senhor Presidente da Câmara, a primeira coisa que ele disse e fez mesmo questão de me informar pessoalmente, foi que na Reunião de Câmara anterior havia sido deliberada e ficara registada em Acta, uma referência elogiosa à minha prestação pessoal, profissional e institucional para com a Comunidade e Instituições de Nisa, documento esse de que poderia, se quisesse, requerer uma cópia.
Entendi não necessitar de comprovativo algum, sendo para mim suficiente aquela informação verbal do Exmº Senhor Presidente a quem ficarei grato toda a vida, com plena consciência do dever cumprido.
E porque decidi deixar Nisa, se gostava tanto de lá viver, prestar serviço e me sentia lá tão feliz?
É fácil explicar, e, creio, de entender também. Para cumprir a vontade do meu pai de ficar com a sua – nossa – casa, tive de ressarcir cada irmã da parte que lhes pertencia da herança, o que fiz logo em seguida com as modestas poupanças que ia conseguindo amealhar.
Depois, a casa era pequenina como já referi. Quatro pequenas divisões. Era necessário ampliá-la para nela nos acomodarmos e vivermos todos com um mínimo de conforto. E para tal, foi necessário fazer um empréstimo bancário prontamente resolvido, mas que era necessário ir pagando mensalmente, conforme o compromisso assumido.
Os filhos estavam a crescer e a necessitar de cada vez mais apoio. Só com o meu vencimento não estava a ser fácil e a minha companheira, como sempre, decidiu ajudar, procurando trabalho. Só conseguimos uma oferta para entrada quase imediata, num estabelecimento comercial que um empresário de Nisa ia abrir em Castelo de Vide.
Foi exatamente nessa altura que o comandante do posto de Portalegre deixou vago o lugar por motivo imprevisto e o comandante do posto de Castelo de Vide desejava ir ocupar aquela vaga. Nesse tempo, a prioridade nas colocações e transferências ainda era executada dando preferência à antiguidade no posto de todos os candidatos, sendo então eu o mais antigo de todos.
Telefonei imediatamente ao comandante interino da Secção a dar-lhe conhecimento que estava interessado na colocação em Castelo de Vide e explicando-lhe o motivo. No mesmo instante me foi respondido que lhe enviasse o pedido de transferência.
Em menos de três semanas estava colocado como comandante do posto de Castelo de Vide e a esposa a trabalhar no seu novo emprego, para desgosto imenso dos nossos filhos que já tinham as suas amizades em Nisa e adoravam lá viver como nós. Mas não se pode ter tudo e às vezes temos de adaptar a nossa vida às nossas necessidades e possibilidades.
Nada fazia prever o que afastou o comandante do posto de Portalegre que desencadeou toda aquela situação.
Sucedeu uma vez mais tudo assim, no momento certo, quando eu mais precisava. Por esta e por muitíssimas outras “casualidades” que me foram acontecendo ao longo da vida, escrevo frequentemente aquilo em que acredito. Deus é Pai. Nunca o vi, mas já o senti próximo de mim algumas vezes.
E esta foi uma delas, a confirmar as minhas convicções. Nas nossas vidas, nada acontece por acaso.
Foto do baú
Em Castelo de Vide
