quarta-feira, 8 de abril de 2026

Abril, águas mil...


A fazer jus ao provérbio, anteontem saímos de casa com um sol esplendoroso e 28 graus de temperatura. A meio do percurso - mais ou menos quatro quilómetros - o céu começou a encher-se de nuvens negras. Apressámos o passo e voltámos para trás. Pouco depois de entrarmos em casa, começou a chover copiosamente.
Ontem o dia amanheceu chuvoso e desagradável, pelo que não fomos caminhar. Aproveitei o dia cinzentão e fresco para desfegar e engarrafar o meu branco da vindima 2025 - que está uma pomada cinco estrelas - e assim se passou parte da tarde até surgir, vinda dos lados da serra, uma trovoada não muito agressiva mas com uma valente carga d'água.
Hoje o sol fez greve e a temperatura baixou para os 15 graus. Almoçámos e mesmo com o céu cor de chumbo, arriscámos uma voltinha pelos subúrbios da aldeia sem nos afastarmo-nos muito, não fosse o diabo tecê-las. Não choveu, mas acompanhou-nos um "barbeiro" - como chamamos por aqui ao vento, quando vem mais frio que o normal - que não fazia mesmo boa companhia.
Dois dedos de conversa com uma amiga do peito e voltámos para a Toca a resmungar pelo ar frio que se metia pelas costuras das nossas jaquetas causando algum desconforto. Bem diziam os nossos pais e avós, na enorme sabedoria conquistada à custa das duras vidas que assim os formou:
- O São Marcos gosta muito de chuva e frio...
Esse tal São Marcos era, na minha infância, a maior feira e festa do ano por estas bandas, nos dias que antecediam e depois sucediam a comemoração do santo a 25 de abril, desde tempos imemoriais que nada tiveram nunca a ver com o 25 de Abril de 1974 político, tendo sido apenas uma mera coincidência.
Finalmente, deixo-vos a foto que fizemos na entrada sul desta bonita Beirã.
Como podem deduzir, nem o céu carrancudo, nem a aragem fria conseguiram tirar-nos a boa disposição. Vida só temos uma e é para ser vivida com leveza cada dia, com um sorriso no rosto e paz no coração. Na minha família usávamos um trocadilho que nunca entendi muito bem mas nos animava e fazia sorrir.
Rezava assim:
- Tudo o que a gente precisa é ter saúde e dinheiro p'ra vinho, que o pão compra-se...
Façam como nós.
Tentem viver em paz com a vida e com o mundo, sorriam e sejam felizes.