Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Quando um lugar deixa de ser o nosso
Fé e tradição uma vida inteira
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Reflexão de hoje
Agir com bondade sem olhar a
quem e sem esperar retribuição, constitui a essência de uma
vida digna. A generosidade genuína não se limita àqueles que nos são próximos;
estende-se, de forma incondicional a todas as pessoas, independentemente das
diferenças, pois é no gesto altruísta que reside o verdadeiro significado da
humanidade.
Manter um sorriso perante as adversidades demonstra resiliência, sendo igualmente relevante respeitar as próprias emoções, não sentindo vergonha das lágrimas quando estas se revelam necessárias. As lágrimas traduzem sensibilidade e não fragilidade.
A humildade deve fundamentar todas as ações. Ser humilde, generoso, prestar auxílio e estender a mão a quem dela necessita são atitudes que definem o carácter. Ao longo da vida, inúmeros obstáculos surgirão, pelo que é fundamental persistir na superação dos mesmos. O cansaço, o desânimo e o preconceito podem ser adversários, mas não se deve permitir que assumam o controlo ou desviem do propósito estabelecido.
Defender os seus ideais revela integridade. As verdadeiras amizades são conquistadas através da autenticidade e não pelo esforço de corresponder às expectativas impostas por outrem. Saber vencer e saber perder são virtudes raramente encontradas; exigem maturidade e humildade para aceitar tanto o sucesso quanto o insucesso com igual dignidade.
Importa recordar que a vida de cada pessoa não é superior nem inferior à dos demais. Cada indivíduo trilha o seu próprio caminho, defronta os seus desafios e celebra as suas conquistas. Por esse motivo, nunca se deverá adotar uma postura de superioridade ou de inferioridade perante os outros. O respeito por nós próprios deve caminhar em paralelo com o respeito pelos outros.
Mesmo perante atitudes menos corretas ou perante a ingratidão, nunca deve perder-se a capacidade de amar. O amor é o alicerce da felicidade. É ele que cura, une, renova esperanças e mantém viva a chama da alegria nos momentos mais exigentes. É precisamente no amor e na capacidade de o preservar apesar das adversidades que reside o segredo para uma existência realizada e plena.
José Coelho
Foto Pedro Coelho
Amigos de uma vida inteira
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Mulher, amiga, companheira
- Amigo Coelho vou dizer-lhe uma coisa mas você vai fazer de conta que não sabe. É mesmo só para você se por a pau com algumas pessoas que se fazem muito suas amigas, mas depois nas suas costas…
E continuou:
- É sobre a carteira perdida no mercado com mil escudos lá dentro que você levou para o posto.
- Quando chegou da patrulha não se apercebeu da conversa? Inquiriu.
- Sim, apercebi-me que estavam a falar nisso, mas não prestei atenção. Respondi.
- Pois! Esse nosso camarada estava a dizer que se calhar você combinou com a senhora para ir lá buscar a carteira e dizer que era dela para depois dividirem os mil escudos a meias. Mas você não diga nada…
Foi como se um raio me atingisse de súbito.
Não era possível que um energúmeno daqueles fosse capaz de descer tão baixo e acusar-me de uma coisa tão suja, achando-me capaz de algo tão desprezível. Logo um conterrâneo cujo pai fora, segundo ele mesmo contava, o mestre pedreiro construtor da casa do meu pai e até se gabava de a ter ajudado a construir por lá haver trabalhado...
Assim que fechei a porta da minha casa atrás das costas desatei num pranto incontrolável e profundo. Chorei como nunca me lembro de ter chorado em toda a minha vida. Chorei por aquela injusta e maldosa falsidade acabadinha de acontecer. Chorei por todos os enxovalhos que até ali sofrera desde a hora em que meti os pés na guarda republicana e chorei de indignação por nunca mais me ver livre de tantas injustiças e agressões maldosas.
Eu suportara melhor ou mais mal no alistamento tantas calúnias por serem falsas, concebidas por maldade e sem o menor fundamento. Mas chamarem-me desonesto, afirmarem que eu era capaz de “engendrar” um golpe sujo para ficar com… quinhentos escudos? Doía-me muito.
Não podendo imaginar nem pouco mais ou menos o que de tão grave pudesse ter sucedido, a minha companheira ficou obviamente alarmada ao ver-me assim. Por isso e para não a assustar mais, quer a ela, quer aos miúdos, tentei acalmar-me.
Seguiu-se depois uma longa noite de vigília a dois, e, enquanto ao nosso lado os dois pequeninos dormiam o sono dos inocentes, contei-lhe, novamente em lágrimas, pormenorizadamente, o inferno que tinha sido todo o alistamento em Portalegre e que havia guardado tudo aquilo só para mim por amor a eles, por não querer preocupar mais ninguém.
Para terminar expliquei-lhe o caso do porta-moedas perdido no mercado naquele próprio dia e o que o nosso conterrâneo tinha insinuado. E foi nessa tormentosa noite que tive a maior prova da grande mulher que era a minha, mãe dos meus filhos, companheira discreta e dona da maior das simplicidades, mas também capaz de se dispor a fazer fosse o que fosse para me ajudar a ser feliz ao seu lado.
- Não chores mais que “a gente” vai resolver isso…
Ficou um bocado a pensar só para si. Por fim foi a sua vez de falar e a minha de a escutar.
E que bom foi ouvi-la:
- Que nunca lhe passara pela cabeça as “brutidades” que na GNR eram capazes de fazer contra mim ou contra outra pessoa qualquer. Por isso tinha tão má fama.
- Que tudo aquilo fora inadmissível e que eu nunca devia ter ficado calado mas sim ter-lhe contado, porque para isso éramos marido e mulher, pois se tivesse sabido de tudo na altura teria sido a primeira a dizer-me para sair “da merda” do alistamento e os “mandar cagar” a todos.
- Mas agora tinha de ter calma e não fazer nada antes de telefonar ao José Mouro meu anterior capataz nas Minas da Panasqueira e ao primo João Gaspar a ver se nos ajudava a arranjar lá casa.
- Que visse primeiro essas hipóteses e de certeza eles iriam ajudar-nos porque sempre foram grandes amigos nossos. Só então depois entregava "o papel" para sair da Guarda e ela mais os nossos filhos iam comigo.
Nada disso foi necessário porém, porque a ajuda do camarada Faustino Marques com a sua conversa na Capelinha na Senhora da Penha logo no dia seguinte e aqui transcrevi há poucos dias com o título ‘Existem anjos sobre a terra’, foi determinante porque mudou a minha decisão de desistir da profissão de GNR.
Diz o povo e com razão que algumas vezes há males que vêm por bem.
José Coelho





