quinta-feira, 27 de março de 2025

Não é para qualquer um



Falar sempre a verdade mesmo quando ela não nos favorece, não é para qualquer um. É preciso ter-se estaleca. Ou em português arcaico, tê-los no sítio. Ou ainda em português mais formal, ser possuidor de invioláveis valores e princípios.

Mas qual quê?
É tão mais fácil sacudir a água do capote, varrer a verdade para debaixo do tapete para ficar oculta, achar que aqueles a quem se mente são todos parvos, trouxas ou ingénuos. Ficar feliz e na mó de cima e julgar-se muito mais inteligente, mais desenrascado, mais...
Xico-esperto.
Que orgulho sinto de ter sido tão bem ensinado pelos meus humildes pais a nunca mentir, a assumir sempre as minhas responsabilidades, a não fazer a ninguém o que não quisesse que me fizessem a mim.
Que orgulho sinto agora em duplicado porque foram exatamente esses valores e princípios que ensinei aos meus dois filhos e ambos me concedem a suprema felicidade de serem dois seres humanos íntegros e leais como todos deveriam ser.
Não é porque a mentira, a falsidade, a conveniência e falta de vergonha na cara que nos rodeiam são praticadas de cima para baixo pelas hierarquias do poder, das instituições públicas ou particulares, noticiadas diária e profusamente pelos Órgãos de Comunicação Social, que as faz estarem corretas.
Porque o certo é sempre certo mesmo que ninguém o pratique e o errado será sempre errado, mesmo quando todos o façam. Não há outra volta a dar. Por isso mesmo não há nada que mais me incomode e desagrade nesta vida, do que perceber que me estão a mentir.
Descaradamente e sem o menor pudor, algumas vezes. Se for um amigo, provavelmente perde a minha confiança e amizade definitivamente. Se for um familiar porque nunca deixará de o ser faça ele o que fizer, perderá a minha consideração e estima.
Afirmo-o tranquilamente porque nunca, jamais ou em tempo algum usei de mentiras com a intenção de não assumir as minhas responsabilidades ou para ficar mais bem visto seja para quem for. E nunca, jamais ou em tempo algum, o farei.
Sou assim. Fui sempre assim. Serei sempre assim. Quem gostar de retidão e honradez, seja bem-vindo. Quem não gostar, siga o seu caminho e vá em paz, que nela eu ficarei também...

A minha "sorte" deu muito trabalho


Ao meu lado permanecem os testemunhos perenes de uma vida de conquistas alcançadas pelas quais tive de lutar cerrando os dentes de frustração ou de raiva não raras vezes.

27. 03. 2025

Um laço não deve ser nó


quarta-feira, 26 de março de 2025

Décimo aniversário



O tempo...
Ah! O tempo!
Ele corre.
Voa.
Passa.
E tudo leva.
O tempo não volta atrás.

São tão vulgares e rebatidos estes lugares-comuns, não é verdade?

A gente não costuma perder tempo a pensar nele.
E quando damos conta, já se foi.
Só depois de ter passado e de tudo mudar, sim, mudar, porque ao passar, o tempo muda tudo, só depois é que começamos a perceber que podia ter sido isto, que podia ter sido aquilo, que podia ter sido o outro.

E inutilmente repetimos outros muito rebatidos lugares-comuns:

- Ah se eu soubesse o que sei hoje!
- Ah se eu pudesse voltar atrás…

Pois!

O tempo e a vida não têm retorno nem permitem segunda volta.

É inútil pensar-se no que podia ter sido e não foi.
No que podia ter-se feito e não se fez.
Que teria sido melhor assim do que assado.

O "Meu vicio da escrita" fez dez anos no passado dia 7.
Empenhado noutras obrigações familiares inadiáveis, não tive oportunidade de vir aqui deixar uma palavrinha. 

Mas deixo-a hoje.

Tanta coisa aconteceu nestes dez anos.

Com toda a certeza vos garanto que não mudaria uma vírgula, uma sílaba, uma letra.

Nada!

Pondero muito bem sempre, antes de publicar seja o que for, só depois assino por baixo se é da minha lavra, ou identifico devidamente o seu autor ou a fonte.

Obrigado aos 105.900 visitantes que se dignaram ocupar algum do seu tempo passando por aqui, mesmo aos quem não vieram imbuídos das mais louváveis intenções. 

Cada um dá aquilo que tem, ou sabe dar.

Cordiais saudações para quem as quiser aceitar.


José Coelho

Custa, mas aprende-se...

Memórias que nunca esqueço

10 de Março de 1972

O dia em que fiz vinte anos. Almocei com os tios Francisca Coelho e Pedro Maniés (irmã e cunhado do meu pai) na sua bonita vivenda nos subúrbios de Luanda e passei o serão na casa de fados "O campino" em companhia do seu filho mais novo meu primo-irmão Augusto Coelho Maniés e sua esposa a fadista Fernanda Varela que fazia parte do elenco de artistas que ali atuavam todas as noites.

O ar pouco animado tão evidente no meu semblante devia-se decerto ao facto de ter chegado apenas há setenta e duas horas a Angola integrado num contingente militar de substituição de efetivos numa zona de guerra, e no dia seguinte ir embarcar com os restantes camaradas de armas do BCav3871 para o enclave de Cabinda com destino ao quartel do Belize nas profundezas do Maiombe.

Foi a primeira vez que entrei numa casa de fados. 

Foi também a primeira vez na minha vida que provei gambas e bebi uísque. Não apreciei lá muito nem uma coisa nem a outra. Valeram-me as dicas dos primos para mergulhar as gambas num delicioso molho picante e acrescentar gelo com um gole de Coca-cola ao uísque, para melhorar sabores. 

Sabia lá eu então na minha humilde condição de camponês alentejano que raio de bichos e bebida eram aqueles!

Quem pudesse ter hoje a inocência que tinha então, naquele longínquo dia. Tios e primos já partiram todos para a eternidade, mas apesar de tantas coisas boas e menos boas por que passei, continuo ainda aqui. 

Tive a ventura de voltar para casa são e salvo passados uns longos e sofridos vinte e sete meses, de conseguir erguer-me após cada tombo, de contornar cada obstáculo até os que, matreiramente, foram urdidos para me prejudicar.

Deus é Pai, Justo, Amigo, Paciente e Protetor. 

Por isso nunca me enfado de dar graças plenamente convicto de que foi a Sua misericordiosa ajuda que me fez vencedor. 

Louvado seja.

 José Coelho

terça-feira, 25 de março de 2025

Mágico entardecer




A Mãe Natureza e os seus cromáticos esplendores de fim da tarde. 
24 de Março de 2025 sobre a Beirã

Fotos José Coelho