terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Coisas que leio...


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Filho predilecto

Perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
 aquele que ela mais amava.
 E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:
 "Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
 E, como mãe, lhe respondo: o filho predileto,
 aquele a quem me dedico de corpo e alma,
 É o meu filho doente, até que sare.
 O que partiu, até que volte.
 O que está cansado, até que descanse.
 O que está com fome, até que se alimente.
 O que está com sede, até que beba.
 O que estuda, até que aprenda.
 O que está com frio, até que se agasalhe.
 O que não trabalha, até que se empregue.
 O que namora, até que se case.
 O que casa, até que conviva.
 O que é pai, até que os crie.
 O que prometeu, até que cumpra.
 O que deve, até que pague.
 O que chora, até que se cale.
 E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
 O que já me deixou...
 ...até que o reencontre...

 Erma Bombeck

Mais vale tarde...



sábado, 9 de janeiro de 2016



Coisas que leio...

 
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A humilhação quinzenal
José Soeiro
08.01.2016 às 12h12 – In Expresso
 
Perder o emprego é quase sempre uma desgraça. Não é apenas o rendimento que se perde, é o quotidiano que se esfrangalha, é o isolamento que cresce e o sentimento de utilidade que fica em causa.
 
Quem recebe o subsídio passa ainda a ter de atestar, a cada quinze dias, a permanência na sua morada oficial, apresentando-se no centro de emprego, na Junta de Freguesia ou numa instituição que tenha protocolo com o Instituo de Emprego. Como se tivesse cometido um crime e fosse arguido com termo de identidade e residência. O não cumprimento, por duas vezes, da obrigação da apresentação quinzenal, resulta na anulação da inscrição no Serviço de Emprego e na perda do direito ao subsídio de desemprego.
 
Para que raio serve esta humilhação? Por que razão o IEFP, que tem como missão apoiar os desempregados e encaminhá-los para uma nova função compatível com as suas competências profissionais, os trata como suspeitos?
 
Desde há uns anos, com a disseminação do conceito de “empregabilidade”, introduziu-se uma lógica de culpabilização do desempregado pela sua situação. Multiplicaram-se os dispositivos que visam a “ativação dos beneficiários, passou a punir-se os desempregados diminuindo o valor do subsídio ao longo do tempo, como se a situação de desemprego não resultasse de escolhas de política económica, mas sim de défices individuais e como se a solução para o desemprego pudesse ser imputada exclusivamente aos próprios desempregados. Foi neste contexto que surgiram as famosas “apresentações quinzenais”.
 
Dizem os seus defensores que é um mecanismo de combate à fraude. Mas os desempregados, os técnicos de emprego e os profissionais das Juntas sabem que é apenas um calvário burocrático humilhante, cansativo e inútil. Até porque a justiça e o controlo na atribuição do subsídio de desemprego já estão garantidos por uma dezena de outras obrigações impostas na lei, cujo não cumprimento implica a perda de subsídio: comunicar a alteração de residência e a ausência do território nacional; aceitar o chamado “emprego conveniente” e o perverso “trabalho socialmente necessário”; aceitar a formação profissional, o plano pessoal de emprego, as medidas ativas de emprego; provar que se procurou “ativamente” emprego, mostrando mails e carimbos das empresas; comparecer às convocatórias do centro de emprego e às entidades para onde foi encaminhado por aquele.
 
Em Portugal, tristemente, a maior parte dos desempregados já não tem sequer acesso ao subsídio de desemprego, porque teve trabalhos precários que não lhes permitem aceder àquela prestação ou porque estão desempregados há demasiado tempo e o subsídio já terminou. Nos centros de emprego, escasseiam as ofertas de trabalho. Perante isto, conceber os desempregados como uma espécie de preguiçosos, obrigados a demonstrar que procuram trabalho como quem procura água no deserto e a fazerem prova de vida quinzenal não serve a fiscalização. É apenas um desrespeito e uma humilhação inútil que as pessoas não merecem. Devia acabar.

Bom fim de semana...


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Venho dar-vos os Bons Anos... (assim diziam os antigos)


Selfie by Pedro Coelho em Setúbal 25-12-2015

Sem tempo para escrever desde a ante véspera do Natal neste "ponto de encontro" virtual, por motivos (creio) facilmente entendíveis, uma vez que, por excelência, esta é a época do ano especialmente dedicada ao convívio familiar no recato e intimidade de cada lar. Desde que me conheço foi sempre a festa maior da nossa família, talvez aquela que mais enche de gratas recordações a minha já muito recheada memória. Não devo ser o único.

Este ano eu e a minha Maria fomos até Setúbal consoar com a nossa netinha primogénita, os seus papás e os seus outros dois vôvôs, os nossos excelentíssimos compadres. Foi muito agradável no sossego de um cómodo e bonito apartamento, onde, apesar da modernidade, não falta sequer uma belíssima lareira com lume de chão (sem portas de vidro) para que as labaredas de azinho pudessem aquecer (e enriquecer) ainda mais o nosso Natal.

Foto by Pedro Coelho

Acho extraordinário que num prédio moderno, no meio da cidade, o seu arquitecto tenha concebido, em todos os andares, uma sala de jantar com uma lareira à antiga de lume no chão, à frente da qual nos podemos sentar, desfrutar as brasas e as chamas ao vivo, pegar na tenaz para ajeitar os madeiros, ver o fumo subir pela chaminé sem nos incomodar, sem que um bafo sequer saia de lá para fora. Aposto que o tal arquitecto, seja ele quem for, tem no seu ADN genes do meu Alentejo. E sem o conhecer, dei-lhe mentalmente os meus parabéns.

O Natal passou e regressámos a casa para preparar a chegada do novo ano. Expectativas? Poucas. Se calhar, nenhumas. Já não acredito em quase nada. Infelizmente. E se dúvidas surgirem, basta-me pensar nos quatro anos antecedentes e na derrocada dos direitos que se foram, dos valores e princípios arrastados pela lama e ruas da amargura, barbaridades sem fim a que impotentes assistimos e as consequências que descambaram em muitas centenas de milhares de famílias. 

Pessoas como nós. 

Podia ter sido eu. 

Podias ter sido tu. 

Podia ter sido ele, nós, vós, eles.

Será que já passou?

Será que vai voltar?

É aflitivo viver numa época assim. 

Ninguém merece.

Mas deixemos a tristeza e o medo do amanhã, mesmo depois de o doutor Anibal, o ainda ilustre representante máximo de todos os portugueses nos ter amedrontado com o seu discurso "do tempo de incerteza". Chegou 2016. Dificilmente será pior que o 2015, ou o 2014, ou 2013... 
É apenas mais um. 
Andemos p'rá frente que atrás vem gente! 

Cá em casa demos-lhe as boas vindas uma vez mais em reunião de família. A família possível. A que mora mais próxima e que é já tão pouca:
A netinha caçula mais os seus papás e a sua maninha.  
A mana Jaquina mai-lo cunhado Zé e a sobrinha Ana Lúcia.
A tia materna que toda a vida foi cá de casa. A nossa Júlia. Quase mais irmã do que só uma tia.
A lareira acesa, a mesa composta e gente feliz. Conforto, alimento e amor fraterno. Que mais é preciso? 

Agradeço ao Senhor por me  conceder quanto me faz falta: Este confortável Lar, o Pão de cada dia sobre a nossa mesa, esta maravilhosa Família, alguma Saúde, bastante Serenidade e muita Paz. 

Tenham um excelente 2016