Hoje semeei as favas da próxima primavera, como o meu pai me ensinou, repetindo gestos aprendidos há muitos anos.
Enquanto a enxada abria os regos, dei por mim a pensar que as sementes não eram a única coisa que estava a deitar à terra.
Ia também a memória dos ensinamentos recebidos, a paciência herdada dos mais velhos e o respeito por uma terra que nunca nos faltou.
As favas hão-de dar belas e saborosas vagens, prenhes de grãos tenros e nutritivos, quando chegar a primavera.
Mas os valores que as semearam nasceram muito antes, nas mãos de quem me ensinou a amar o trabalho, a simplicidade e a honestidade.
Não tenho mérito pelos valores que carrego. Tenho é gratidão por aqueles que, com tanto carinho, me ensinaram a ser autossuficiente.
Nesta tarde de Finados, depois de os ir visitar na sua última morada, trouxe-os comigo para que a sua memória me acompanhasse nesta tarefa.
Ao abrir cada rego, era como se voltasse a ouvir os seus conselhos e a sentir a presença discreta daqueles que tanto me ensinaram.
Beijinhos daqui até ao Céu, Pai António Coelho, Avô Zé Lourenço, tio Chico Lourenço, tio Joaquim Lourenço e tio Raimundo Lourenço.
Nunca vos esqueço.
Descansem em paz.
Vídeo Maria Coelho