sábado, 22 de novembro de 2025

A felicidade está nas escolhas que fazemos

Ao longo da vida, somos levados por caminhos que nos fazem questionar o verdadeiro significado do amor, da felicidade e do sucesso. Em determinados momentos, quase sem perceber, somos surpreendidos por pequenas epifanias: um dia você entende que o amor vai mais além de apenas uma cara ou de palavras muito bonitas.
Ele revela-se é nas atitudes, na sinceridade dos gestos, no cuidado silencioso e na presença constante.
As coisas mais simples – um abraço, um sorriso sincero – são na verdade as mais valiosas. É nesses instantes que reside a essência do que realmente importa e percebemos o sucesso ou fracasso que nasce das escolhas que fazemos todos os dias, da coragem em assumir responsabilidades e de seguir aquilo que mais sentido faz para nós.
A felicidade é uma construção diária e fruto do que cultivamos.
Aprendemos que ela não é um lugar a alcançar, mas um estado a ser vivido. Cada pequena gentileza, cada ato de empatia, cada vez que perdoamos ao invés de guardar mágoas, estamos, sem saber, a edificar a nossa própria felicidade. E nada consola tanto uma dor, como o bem que fazemos aos outros.
Porque ajudar alivia, reconcilia e transforma.
Amigos verdadeiros são tesouros raros que a vida nos oferece. Eles fazem parte da nossa história, partilham das nossas alegrias e tristezas, caminham ao nosso lado mesmo quando todos os outros se afastam. São essas relações sinceras que nos mostram que quem realmente nos merece nunca nos fará sofrer intencionalmente, porque o amor, a amizade e o respeito caminham sempre juntos.
Há um valor imenso em acordar cedo para ver o nascer do sol, em sentir o perfume da manhã, em apreciar a beleza do mundo ao nosso redor. É nesses instantes que percebemos que muitos dos erros que cometemos são, na verdade, tentativas de acertar, de buscar algo melhor para nós e para quem amamos.
Assim como num bom perfume, é a essência – não a embalagem – que realmente importa nas pessoas.
Cada ser humano oferece ao mundo aquilo que tem no coração. Por isso não nos cabe julgar ou punir, mas sim tentar compreender, acolher e crescer juntos. O silêncio muitas vezes é a sabedoria que nos resta diante do que não sabemos ou não conseguimos explicar.
Aprender a ouvir, a respeitar e a ficar em silêncio, é um dos maiores atos de maturidade
No momento que percebermos que o Amor não é apenas um sentimento mas uma maneira de olhar o mundo, de compreender as pessoas, de aceitar as imperfeições e de valorizar o que é essencial, descobriremos que a felicidade não está no dinheiro ou no status social, mas nas relações que constroem a nossa história, nos vínculos que resistem ao tempo e às circunstâncias.
E que as pessoas mais valiosas são aquelas que permanecem ao nosso lado mesmo quando tudo parece difícil. São elas que nos mostram, com o seu exemplo, que a felicidade não depende dos outros, mas de nós mesmos. E que, mais importante do que buscar alguém que nos ame, é aprendermos a amarmo-nos, a aceitarmo-nos e a cuidar de nós próprios, com gentileza e respeito.
Tenham um excelente fim de semana.
Texto e foto
22. 11. 2025

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

FS gelado. Agasalhem-se...


 O tempo não espera! Cuidem-se e sejam felizes.

Lume na lareira da Toca dos Coelhos
Adição musical da neta Francisca Coelho.

Bom fim de semana


 A felicidade é uma construção diária, fruto de tudo 
aquilo que cultivamos dentro de nós.

José Coelho

A solidão mata em silêncio


A solidão, quase sempre invisível aos olhos dos outros, é das experiências humanas mais dolorosas e subestimadas. Apesar de vivermos num mundo superconectado e onde tudo parece estar à distância de um clique ou de uma mensagem, a solidão permanece como um fantasma silencioso que acompanha milhões de pessoas diariamente. Não escolhe idade, género, classe social ou nacionalidade. Ela instala-se, devagar, nos espaços vazios das relações humanas, nos silêncios prolongados, na ausência do toque, do olhar e do afeto.

O maior perigo da solidão é exatamente o seu silêncio. Ao contrário de outras dores, ela não grita por ajuda, não é facilmente detetada e frequentemente passa despercebida mesmo pelas pessoas mais próximas. A solidão corrói, pouco a pouco, o bem-estar emocional e físico. Estudos comprovam que a falta de relacionamentos significativos pode levar a problemas de saúde como depressão, ansiedade, insónia e até doenças cardíacas. É uma assassina silenciosa, cuja presença é tantas vezes ignorada pela sociedade.
Na era digital, paradoxalmente, a solidão tornou-se ainda mais prevalente. As redes sociais e plataformas digitais oferecem uma ilusão de proximidade, mas, muitas vezes, substituem o verdadeiro contacto humano por interações superficiais. A cultura do desempenho e da produtividade deixa pouco espaço para a construção de vínculos profundos e autênticos. Assim, muitas pessoas sentem-se isoladas mesmo rodeadas de multidões ou com centenas de "amigos" virtuais.
A solidão não afeta apenas o indivíduo, tem também repercussões ao nível social. Pessoas solitárias tendem a afastar-se ainda mais dos seus círculos de convivência, criando um ciclo vicioso e difícil de quebrar. O isolamento pode enfraquecer o sentido de comunidade e a empatia, fundamentais para a coesão social. Em situações extremas, pode levar a comportamentos autodestrutivos ou mesmo à perda de sentido da vida.
Reconhecer a existência deste problema é o primeiro passo para o combater. É importante valorizar pequenas interações diárias, demonstrar interesse genuíno pelo outro e criar espaços de convivência onde todos possam sentir-se incluídos. Procurar ajuda profissional, participar em atividades comunitárias ou grupos de apoio e manter contacto regular com amigos e familiares, são estratégias eficazes para reduzir a solidão
É verdade que ela mata em silêncio, mas não precisa ser um destino inevitável. Cada gesto de atenção, cada palavra de carinho, cada encontro sincero pode ser uma ponte sobre o abismo do isolamento. É fundamental cultivar uma sociedade mais atenta, empática e aberta, onde ninguém precise enfrentar sozinho o peso do silêncio e consequente da sua solidão.
Foto Pedro Coelho

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Não magoes quem te fez bem


Quando magoares uma pessoa de bom coração ela não vai levantar a voz, nem responder-te. Não vai dizer a dor que sentiu ou exigir explicações. Pessoas de bom coração escolhem o silêncio porque a sua força está na paz que carregam.

Vai guardar a sua mágoa em silêncio, vai afastar-se lentamente e um dia simplesmente não vai já lá estar.

Não deixará de ser boa pessoa, mas jamais será a mesma para quem a magoou. Quando isso acontecer ficarás a saber que não só a magoaste, mas também que a perdeste para sempre.

Foto Pedro Coelho

Memórias de um fiel amigo

Existem animais de estimação que marcam profundamente a nossa vida, deixando recordações e histórias que perduram no tempo. O Rex, um cãozarrão preto de pelo lustroso, foi um desses companheiros, protagonista de muitas peripécias que ainda hoje lembramos com saudade e carinho.
Esse nosso amigo nasceu de um cruzamento raro: do labrador pisteiro do Destacamento da GNR de Almada e da cadela pastor alemão, Lai, do capitão Ochôa, à data comandante dessa sub-unidade. Depois, já em Nisa, a Lai deu à luz uma ninhada de cachorros robustos, todos semelhantes a ela, exceto o Rex, que herdou o pelo completamente preto e as orelhas caídas do pai labrador, contrastando com os irmãos de orelhas espetadas.
Por ter o aspeto menos desejado, ninguém quis ficar com Rex, mas para mim, ele era o mais bonito. Decidi então oferecê-lo ao Pedro que tinha apenas nove anos e logo se apaixonou pelo novo amigo, tal como o Manel já tinha a sua gata siamesa, a Princesa. O Pedro e o Rex tornaram-se inseparáveis e mesmo depois de mais de duas décadas desde a sua partida, o Rex continua presente nas nossas conversas e memórias como qualquer outro velho e querido amigo que deixou saudades.
Na nossa casa, todos os animais foram sempre mimados e muito bem tratados, por isso o Rex não foi exceção. Cresceu rápido, tornando-se um gigante imponente, dócil, belo e muito valente. Nada o assustava; corria pelo sem medo de nada, enfrentando saca-rabos, raposas, vacas e bois, sempre pronto para proteger e explorar.
Apesar da sua coragem era teimoso, inquieto e muitas vezes fugia atrás de outros animais ignorando os meus chamados. Não raro perdia-o de vista e ficava preocupado, até que ele lá voltava a aparecer sempre esbaforido e com a língua de fora após as suas correrias.
Quando a família mudou definitivamente para a Beirã, as nossas tardes tornaram-se momentos de convívio e exercício. Assim que chegava de Portalegre soltava o Rex e juntos partíamos para grandes passeios, subindo canchos e desbravando matagais até às barreiras do rio Sever.
Durante um desses passeios vivemos uma das histórias mais engraçadas e marcantes. Seguíamos pela “carreteira” da tapada dos Carvalhos de Roque quando o Rex pressentiu algo por entre as giestas. Sem hesitar lançou-se mato adentro num ladrar furioso, determinado a afugentar o responsável por aquele reboliço entre as giestas. Perdi-o de vista, mas em poucos segundos vi-o regressar pelo mesmo caminho apavorado, a ganir e a fugir de uma mãe-javali furiosa que o perseguia com sopros e grunhidos ameaçadores.
Atrás dela vinha uma dúzia de bácoros-javalis. E a marrã, zelosa, protegia os seus bebés contra aquele intruso gigante que os ameaçava. Por isso furiosa contra-atacou, investindo decididamente, pronta para a luta. Pouco habituado a que até as vacas enormes investissem contra ele mesmo que com bezerros ao seu lado, o Rex acagaçou-se e encetou uma retirada estratégica digna de se ver!
Patas para que vos quero!
Embora furiosa, a mãe-javali quando comigo encarou deu meia-volta e embrenhou-se de novo com a prole pelo mato. Mas o Rex nessa tarde não mais ousou afastar-se de mim atento a tudo, por mais pequeno que fosse algum movimento em nosso redor.
Divertido, dizia-lhe: É só o vento, Rex…
Nunca tinha presenciado nada semelhante. A coragem e a ousadia do Rex, aliados à sua ingenuidade e ao instinto de explorar, proporcionaram-nos momentos únicos, recheados de emoção e gargalhadas. Não era apenas um animal de estimação; era um membro da família e um amigo insubstituível, cujas histórias recordamos amiúde e merecem ser contadas.