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Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Ainda o Rex...
O Pedro, a Mãe, eu e o Rex, num dos nossos passeios
diários de fim de tarde que neste dia foi "em família"
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Coisas que escrevo...
Eu e o Rex. Foto nos anos 90 da autoria do camarada e excelente amigo
Sargº Silva Pereira algures nos matagais nas imediações do Monte Velho
O
Rex e a mãe-javali
Era
lindo o Rex e foi o nosso segundo animal de estimação. Em casa dos meus pais,
como já aqui afirmei, sempre houve bicharada. Cães, cabras, gatos, galinhas, patos e
até pintassilgos numa gaiola, coisa que sinceramente eu não gostava, porquanto
entendo que os pássaros foram por Deus criados para viverem em liberdade como
nós.
Muitas
vezes, algumas pessoas chegadas e da minha família, apercebendo-se da apetência
da passarada para virem fazer os ninhos nas árvores e latadas do meu quintal –
na primavera passada, por exemplo, tínhamos um ninho de pintassilgo na
roseira-que-trepa, outro no abrunheiro, mais um de verdelhão na latada ao lado
da casa e finalmente outro de carriça na trepadeira da varanda – e por isso me
pediram várias vezes para lhes “apanhar” um pintassilgo ou um verdelhão, o que
sempre recusei costumando perguntar-lhes meio a rir meio a sério: - Gostavas que te metessem numa gaiola?
Mas
hoje quero contar-vos uma divertida história do nosso Rex. Era um cãozarrão
enorme, todo preto e com um pelo brilhante como verniz, nascido de um
cruzamento do cão labrador pisteiro do destacamento da GNR de Almada com a
cadela pastor alemão do então comandante daquela sub-unidade, o capitão Ochôa, posteriormente
colocado em Nisa onde eu prestava também serviço.
A
Lai, assim se chamava a cadela mãe do Rex, vinha prenha e deu à luz, algum
tempo depois, uma bela ninhada de belos cachorros. Eram todos da raça da mãe
pastor alemão à excepção do Rex que nasceu assim todo preto como uma amora
madura, da raça do pai. Enquanto os outros cachorros espetavam as orelhas, o
Rex, como todos os labradores, tinha-as caídas. Por isso ninguém o quis, apesar
de para mim ser o mais bonito.
Como a mais ninguém interessou fiquei eu com ele para o oferecer ao Pedro que tinha na
altura 9 anitos (e porque o Manel já tinha a gata siamesa Princesa que lhe tinham
oferecido no seu aniversário) o qual não só ficou encantado com o novo amigo,
como lhe dedicou uma amizade sem paralelo e digna de se ver. De tal modo que, ainda hoje, mais de duas décadas depois de já não estar connosco, o Rex é recordado com frequência como aquele velho e querido amigo que deixou muitas saudades.
Mimado e bem tratado como o são sempre todos os animais na nossa casa, fez-se
um gigante, o cachorro. Enorme, dócil e lindo. E valente. Nada lhe metia medo. Corria
para o mato todo arrufado assim que sentia qualquer mexida, fosse um saca-rabos, uma
raposa, ou mesmo uma corpulenta vaca ou um boi. Ali não havia hesitações! Às
vezes arreliava-me bastante com ele porque desatava a correr desatinado atrás da bicharada e tanto fazia chamar por ele como estar calado. Muitas vezes o perdi
de vista e tive que depois andar de cancho em cancho já zangado à sua
procura, até que lá me aparecia o gajo com um palmo de língua de fora, todo esbaforido da correria!
Mas
um dia…
Tínhamos
vindo morar definitivamente para a nossa casa na Beirã. Todas as tardes, assim
que eu chegava de Portalegre, soltava-o e saíamos os dois a dar grandes
passeios por aí, subindo canchos e desbravando matagais até às barreiras do rio
Sever, coisa que o cão não só adorava como também necessitava para
desentorpecer, dar umas valentes corridas e fazer o exercício
indispensável ao seu bem-estar físico.
Foi
numa dessas tardes que eu me ri até às lágrimas com o que aconteceu. Caminhávamos os dois pela “carreteira” da tapada dos Carvalhos de Roque quando
o Rex pressentiu algo a mexer por entre as giestas.
E
nem pensou duas vezes. Atirou-se de cabeça para meio do mato num ladrar furioso
capaz de comer o que quer que fosse que tivesse provocado aquela agitação, para o/a poder afugentar e perseguir, como tanto o regalava. Porém, se muito depressa o
perdi de vista, mais depressa o vi voltar pelo mesmo caminho, aflito e a ganir apavorado à frente de uma furibunda mãe-javali que, aos
sopros e grunhidos, o perseguia sem medo. Atrás dela vinha uma dúzia de bácoros-javalis
recentemente paridos, motivo pelo qual, com certeza, a zelosa mãe-marrã não achara piada nenhuma
à evidente ameaça que aquele cãozarrão representava para os seus bébés. E sem hesitar um segundo, contra-atacou.
E o Rex, ó abre... Fujam da frente que vem aí gente! Patas para que vos
quero!
Nunca
tinha visto nada assim.
A
marrã-javali quando encarou comigo, tacitamente recuou. Deu meia volta com os
bácoros e desapareceu de novo no mato. Mas o Rex, de rabo entre as pernas, o
tal matulão atiradiço e destemido, naquela tarde não mais se atreveu a descolar o focinho dos meus calcanhares enquanto durou o
resto do passeio.
E eu continuei a rir a bom rir durante o resto da tarde e rio-me ainda agora, muitos anos depois, cada vez que me lembro da cena.
Bons
tempos...
José Coelho in Histórias do Cota
Na escala hierarquica não fui oficial nem aprendi no BIMec mas também fui formado para comandar e não para mandar. E cumpri...
Foto by Pedro Coelho
«Na
minha companhia, os oficiais distinguiam-se dos soldados por duas razões: nos
exercícios, o oficial era o primeiro a fazê-los; nas refeições, o oficial era o
último a ser servido.
Este
é um ensinamento para a vida. Foi no BIMec que aprendi a diferença entre mandar
e comandar. À medida que se sobe na escala hierárquica, aumentam as obrigações
e diminuem os direitos.
Conheço
muito poucos portugueses cientes desta diferença absolutamente essencial entre
mandar e comandar: quem manda dá ordens; quem comanda dá o exemplo. Por isso,
abundam por aí os chefes e faltam os líderes.»
Lopo
Maria Albuquerque in “O meu testemunho como militar”
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Coisas que leio...
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Não se morre assim de qualquer maneira
A semana passada deixei de comer chouriços. E presunto. E fiambre. E mortadela! Esta semana deixei de comer queijo. “Afecta a mesma molécula das drogas duras”, dizia um estudo. Eu não quero ter nada a ver com isso, gosto muito de queijo, mas não quero ter nada a ver com drogas, muito menos ser visto como um agarrado ao queijo. Acabou-se com o queijo cá em casa. Também já tinha acabado com o pão, por isso...
O mês passado deixei de beber vinho branco. Um estudo dizia que fazia mal a não sei quê. Se calhar era cancro também. Passei a beber só tinto que dizia um estudo ser ideal para uma série de coisas. Esta semana voltei a beber branco porque entretanto saiu um estudo a dizer que afinal o branco até tem propriedades que fazem bem e muito tinto é que não. Comecei a reduzir no tinto mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Cortei nas azeitonas também porque um estudo dizia que têm demasiada gordura, são muito insaturadas, ou lá o que é, mas não parece nada bom.
Andava praticamente a peixe até perceber que os portugueses comem peixe a mais e são, por isso, prejudiciais ao ambiente. Eu sei que não moro no continente mas como sou português, e ainda contam todos para o estudo, sei lá, os que estão e os que não estão, e como eu não quero ser acusado de inimigo do ambiente, ando a cortar no peixe também. Especialmente no atum que está cheio de chumbo e o bacalhau também por causa daquele estudo que saiu sobre a quantidade de sal mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Esta semana saiu um estudo a dizer que afinal o vinho em geral faz mal. Fiquei devastado. Há dois meses foram as couves roxas. Vi até um especialista na televisão dizer que não devíamos comer nada cuja cor seja roxa; “é sinal que não é para comer”, dizia. Arroz também quase não como porque engorda, quanto mais esfregado pior, e saiu um estudo a dizer que implica com uma função qualquer mais ou menos delicada. Não é a reprodutora porque acho que essa é com a soja. Dá hormonas femininas aos homens, e consequentes mamas, o raio da soja (!) e prejudica as funções todas. Não, soja nem pensar!
Leite também já há muito que me livrei dele. Foi, salvo erro, desde que saiu um estudo a dizer que o nosso corpo não está preparado para leites. Por isso, leite não. Sumos de frutas também dispenso enquanto não resolverem o problema levantado no estudo que apontava para... não sei muito bem para quê, mas apontava e não era nada excitante mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Carne vermelha, claro, também não. Ataca o coração, diz o estudo. Galinha nem sonhar porque umas estão cheias de gripe e as outras encharcadas de antibióticos. Além de que carne de galinha a mais, como dizia outro estudo, impacta com o desenvolvimento dental, o que até parecia óbvio mas ninguém percebia, pois as galinhas não desenvolvem dentes. Cortei a galinha há muito tempo. Porco? Só a brincar. É óbvio que não há cá porco. Não chegassem as salsichas e afins ainda veio este outro estudo, ou ainda não leu? Pois então, diz que o excesso de carne de porco pode provocar uma diminuição de massa cinzenta e o aumento dos ciclos atópicos do mastoideu singular. Ninguém quer passar por isso! Você quer? Eu não mas, também, acho que compreende, não quero morrer assim de qualquer maneira. Esqueça-se a carne de porco, pelo amor da santa!
Ah!... Já me esquecia do glúten! Glúten, também não. É que nem pensar! Durante muitos anos nem sabia que existia, mas desde que me apercebi da existência de semelhante coisa arredei tudo o que tivesse glúten. Deixa-me pouca escolha mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Ovos! Claro que também não como ovos. Primeiro porque não sou nenhum ovíparo e depois por causa das quantidades de coisas que aquele estudo que saiu a semana passada dizia. É um rol senhores, um rol de colesterol! Vão ver e admirem-se! Os ovos! Quem diria os ovos... Enfim, é a vida: ovos nem vê-los! Como a manteiga: é só gordura! Desde que acabei com o pão e com o queijo, a manteiga também, por assim dizer, deixou de fazer falta. Ainda a usava para fritar ovos mas agora também não se pode comer ovos... Pois, a manteiga, dizia o estudo, é só gordura animal e animais não devem comer a gordura uns dos outros. Pareceu-me um bom fundamento e acabei com a manteiga.
Ia fazer uma salada. Sem muito azeite, claro, porque, compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira, sem sal, naturalmente e vinagre só do orgânico, porque, compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira...
É quando recebo um email com o título “Novo Estudo Aconselha a Ingestão Moderada de Saladas e Hortaliças”.
Enchi um copo de água, filtrada, naturalmente, de garrafa de vidro e sorvi um golo ávido. Espero que não me faça mal.
Desconheço o Autor
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