segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Orar e fazer exame de consciência


Iluminai Senhor os meus olhos
para que vejam os defeitos da minha pessoa
para que ao vê-los a minha boca 
não censure os defeitos alheios.
Levai de mim Senhor a tristeza
e não a entregueis a mais ninguém.
Enchei o meu coração com a fé divina
para sempre louvar o vosso nome
e afastar de mim qualquer orgulho ou presunção.
Fazei de mim Senhor um ser humano justo
e dai-me esperança para alcançar
todas as minhas aspirações.
Plantai no meu coração o amor nobre
e ajudai-me a fazer felizes
o maior número possível de pessoas
para ampliar os seus dias risonhos
e diminuir as suas noites tristes.
Transformai os meus rivais em companheiros,
os meus companheiros em amigos,
os meus amigos em entes queridos.
Não permitais que eu seja cordeiro perante os fortes,
nem leão perante os fracos.
Dai-me Senhor o valor de saber perdoar
para afastar de mim qualquer desejo de vingança
e manter no meu coração apenas o Amor.
 
Amém

Foto Pedro Coelho

Boa semana

 Habitue-se de vez em quando a fazer uma pausa para se visitar a si mesmo.
Foto José Coelho

domingo, 4 de agosto de 2024

Melhor que alguns humanos

O lobo nunca come cadáveres sejam de animais ou de pessoas; passa a vida inteira com uma única companheira e não acasala com a mãe ou com as irmãs. É um animal monogâmico que não trapaceia. Se a sua companheira morre o lobo fica definitivamente sozinho. Conhece bem os seus filhotes e é o único animal selvagem que cuida dos pais na velhice, levando-lhes comida. Quando se mata um lobo ele olha nos olhos quem o matou até que a sua alma o abandona. É 25% mais inteligente que o cão mais esperto e o único animal que não obedece a qualquer treino nem se deixa domesticar.

In Imagenes Soñadas

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Não haverá quem escreva


O dia a terminar, visto da minha casa, é um quadro digno de ser reproduzido numa tela por qualquer pintor. Todos os dias, seja verão ou inverno. Neste tempo quente o sol começa por deixar o vale onde fica a Estação do Caminho de Ferro e mais além o ribeiro da Cavalinha. Depois vai banhando de ouro a Murta, os cumes graníticos da Anta e da Cavalinha de Cima, para se despedir um pouco mais acima na zona da Meirinha. Quando desaparece completamente no horizonte logo surge o cinzento escuro do anoitecer vindo da Herdade dos Pombais, onde parece viver escondido.
No inverno dá-se precisamente o inverso. Os cumes que agora se despedem do dia dourados pelo sol poente, coroam-se a partir do outono com uma neblina cinzenta e húmida produzida pelo frio do anoitecer e vai lentamente descendo pela paisagem até ao vale, transmitindo-lhe um certo ar de mistério. Só falta mesmo vislumbrar-se no meio dela El'Rei D. Sebastião.
Esta região raiana pedregosa e inóspita que pouco mudou com o passar dos séculos, ou até mesmo dos milénios, conforme testemunham os inúmeros vestígios arqueológicos existentes por toda a parte, é sem dúvida o meu paraíso na terra. Aqui encontrei sempre a paz e a tranquilidade necessárias ao meu equilíbrio físico e emocional, por maiores que fossem os desassossegos.
Trago hoje no peito uma nova dor que não é física mas que incomoda tanto ou mais do que aquelas que passam com um analgésico. É esta dor de ver a minha amada terra já sem quase ninguém. Tudo aquilo que fez parte da minha vida até aos sessenta anos está a desaparecer em passo acelerado. E sei que é absolutamente irreversível. Há dias comentei tristemente com a minha companheira:
- Já nem chocalhos de gado se vão ouvindo Maria!
Aposto que se os nossos antepassados cá voltassem não iam gostar de ver o lugar onde viveram e foram felizes, assim votado ao abandono. Não vem longe o tempo em que as ruas e quintais irão ser invadidos por mato e silvas e as casas transformar-se em montões de ruínas como é já a linda Herdade do Pereiro, o Ramal de Cáceres e muitos caminhos de acesso às propriedades.
Não vem longe o tempo em que estes pequenos povoados da raia irão juntar-se aos vestígios arqueológicos milenares para serem parte do seu conjunto. Como é possível que em apenas três ou quatro décadas se tenha desfeito um mundo que se construiu ao longo de mais de século e meio?
A História o dirá e julgará.
Ou talvez não, porque não vai haver quem a escreva.
(Texto e foto)