domingo, 8 de janeiro de 2023

Ano Litúrgico

Foto Jorge Rosado (a quem agradeço a gentileza) 

Na Eucaristia da Epifania do Senhor, mais conhecida por ser a "dos Reis Magos" hoje celebrada na Igreja de S. Tiago em Marvão, cumprindo um rito muito antigo da Igreja Católica Apostólica Romana, o Revº Padre Marcelino incumbiu-me de ir ao ambão fazer o resumo da Apresentação das Festividades do presente Ano Litúrgico. Deixo a apresentação completa do mesmo para consulta de quem possa estar interessado em compreendê-lo na sua totalidade.
1. O ANO LITÚRGICO.
2. O Ano Litúrgico é o "calendário religioso"
O Ano Litúrgico é o "calendário religioso". Por ele, o povo cristão revive anualmente todo o Mistério da Salvação centrado na Pessoa de Jesus, o Messias.
O Ano Litúrgico não coincide com o ano civil, que começa no dia primeiro de janeiro e termina no dia 31 de dezembro. O Ano Litúrgico, por sua vez, começa com o Primeiro Domingo do Advento e termina na última semana do Tempo Comum, onde se celebra a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (Cristo Rei).
3. Por outras palavras, ele começa e termina quatro semanas antes do Natal, cumprindo sempre três ciclos: A, B, e C.
No Ano (ou ciclo) A, predomina a leitura do Evangelho de São Mateus; no Ano (ou ciclo) B, predomina a leitura do Evangelho de São Marcos e no Ano (ou ciclo) C, predomina a leitura do Evangelho de São Lucas.
4. TEMPO DO ADVENTO
Inicio: Primeiro Domingo do Advento
Término: 24 de dezembro, à tarde.
Esse tempo é dividido em duas partes: do início até o dia 16 de dezembro, a Igreja volta-se para a segunda vinda do Salvador, que vai acontecer no fim dos tempos.
A partir do dia 17 até ao final, a Igreja volta-se para a primeira vinda do Salvador, que encarnou no ventre de Maria e nasceu na pobre gruta de Belém.
5. Duração do tempo: quatro semanas
Espiritualidade: esperança
Ensinamento: anúncio da vinda do Messias
Cor: Roxa
O terceiro Domingo é chamado Domingo "Gaudete", ou seja, Domingo da alegria. Essa alegria é por causa do Natal que se aproxima. Nesse dia, pode usar-se o cor-de-rosa. É uma cor mais suave.
6. Personagens bíblicos mais lembrados nesse tempo: Isaías, João Batista e Maria.
O Símbolo mais comum desse Tempo é a Coroa do Advento, com quatro velas a serem acesas a cada Domingo.
Outras anotações: usam-se instrumentos musicais e ornamenta-se o altar com flores; porém, com moderação. A recitação do Hino de Louvor ("Glória a Deus nas alturas") é omitida.
7. TEMPO DE NATAL Início: 25 de dezembro
Toda semana seguinte a esse dia é chamada Oitava de Páscoa. São dias tão solenes quanto o dia 25.
No primeiro Domingo após o dia 25 de dezembro, celebra-se a Festa da Sagrada Família; porém, quando o Natal do Senhor ocorrer no Domingo, a Festa da Sagrada Família celebra-se no dia 30 de dezembro.
8. No dia 01 de Janeiro, celebra-se a Solenidade da Santa Maria, Mãe de Deus.
No segundo domingo depois do Natal (entre 2 e 8 de janeiro), celebra-se a Solenidade da Epifania do Senhor.
No domingo seguinte à Epifania ocorrer no Domingo 7 ou 8 janeiro, a Festa do Batismo do Senhor é celebrada na segunda-feira seguinte.
9. O Tempo do Natal termina com a Festa do Batismo do Senhor.
Cor: Branco
Espiritualidade: Fé, alegria, acolhimento
Ensinamento: O Filho de Deus fez-se Homem
Símbolos: presépio; luzes
10. Início: primeiro dia logo após a Festa do Batismo do Senhor
TEMPO COMUM (PRIMEIRA PARTE)
Início: primeiro dia logo após a Festa do Batismo do Senhor
O Tempo Comum é interrompido pela Quaresma. Com isso, essa primeira parte vai até a Terça-feira de Carnaval, pois na Quarta-feira de Cinzas começa o Tempo da Quaresma
Cor: Verde
Espiritualidade do Tempo Comum: Escuta da Palavra de Deus.
Ensinamento: Anúncio do Reino de Deus
11. TEMPO DA QUARESMA
Início: Quarta-feira de Cinzas
Término: Quinta-feira Santa de manhã
Espiritualidade: Penitência e conversão
Ensinamento: A Misericórdia de Deus
Cor: Roxa
12. O quarto Domingo é chamado "Laetare", ou seja, Domingo da Alegria
O quarto Domingo é chamado "Laetare", ou seja, Domingo da Alegria. Semelhante ao terceiro Domingo do Advento, o quarto da Quaresma também é caracterizado pela alegria da Páscoa que se aproxima. Nesse dia, também se pode usar paramento cor-de-rosa, que é uma cor mais suave.
O sexto Domingo da Quaresma é Domingo de Ramos na Paixão do Senhor. Nesse dia, a cor Vermelha. Também nesse dia se inicia a Semana Santa.
13. Observações para o Tempo da Quaresma: excetuando o Domingo "Laetare" (Alegria), não se ornamenta o altar com flores e o toque de instrumentos musicais é só para sustentar o canto.
Durante todo o Tempo, omite-se o Aleluia, bem como também o Hino de Louvor.
14. TRÍDUO PASCAL
Terminando a Quaresma na Quinta-feira Santa de manhã, a partir da tarde desse dia, começa o Tríduo Pascal: Quinta-feira Santa; Sexta-feira Santa e Sábado Santo.
Na Quinta-feira, à tarde, celebra-se a Missa da Ceia do Senhor e Lava-pés. A cor do paramento é Branca. Trata-se de uma Missa solene e deve-se ornamentar o altar com flores. Ao final da Celebração é feito o translado do Santíssimo Sacramento.
15. Na Sexta-feira Santa, celebra-se a Ação Litúrgica da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa celebração não é Missa. A cor é vermelha.
No Sábado Santo, à noite, celebra-se a Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias.
16. TEMPO PASCAL
Início: Primeiro Domingo da Páscoa
Toda a semana seguinte a esse dia é chamada Oitava de Páscoa. São dias tão solenes quanto àquele primeiro Domingo.
No sétimo Domingo da Páscoa, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor.
17. O Tempo Pascal termina com a Solenidade de Pentecostes
Espiritualidade do Tempo Pascal: Alegria em Cristo Ressuscitado.
Ensinamento: Ressurreição e vida.
Cor: Branca
18. Tempo Comum
(Segunda Parte)
O Tempo Comum que havia sido interrompido pela Quaresma, reinicia na Segunda-feira após a solenidade de Pentecostes.
No Domingo seguinte, celebra-se a Solenidade da Santíssima Trindade. Nesse dia, a cor é Branca.
19. Na Quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade, celebra-se a Solenidade do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo ("Corpus Christi").
A duração do Tempo Comum, contanto desde a primeira parte, é de 34 semanas.
20. Na 34ª semana, mais especificamente na véspera do Primeiro Domingo do Tempo do Advento, termina o Tempo Comum e, consequentemente termina aquele Ano Litúrgico, devendo, portanto, iniciar o outro como primeiro Domingo do Tempo do Advento.
O Tempo Comum também é chamado "Tempo Durante o Ano".

José Coelho
- 08.01.2023

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

O meu pedido do dia de Reis


Oração
    Senhor, ensina-me a envelhecer.
    Ajuda-me a reconhecer
    as coisas boas da minha vida,
    dá-me força para aceitar
    as minhas limitações,
    cedendo aos outros o meu lugar
    sem ressentimentos nem recriminações.
    Que eu aceite ir-me desapegando das coisas
    e veja nisso uma sábia lei da tua Providência
    que regula o tempo e preside à vida das gerações.

    Faz, Senhor,
    que eu seja ainda útil para o mundo
    com as minhas pequenas tarefas,
    mas sobretudo com o meu testemunho
    de paciência e bondade,
    de serenidade, alegria e paz.


    Dá-me, Senhor, a tua força
    para enfrentar as contrariedades de cada dia,
    particularmente a doença e a solidão.


    Que os últimos anos da minha vida mortal
    sejam como um pôr do sol feliz
    na oração e na caridade,
    na compreensão e na esperança, 
    que eu saiba envelhecer e morrer
    com a serenidade e a coragem
    com que Tu, Senhor, morreste na Cruz,
    para que um dia possa também ressuscitar
    para a glória do teu e nosso Pai
    para ir ao encontro daqueles
    que partiram antes de mim.

    Amém

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Na solidão dos campos vive a paz

Foto Pedro Coelho

Não sei quantas vezes já publiquei esta foto mas sei que foram muitas. É provavelmente a que mais gosto, entre muitas centenas delas que possuo no meu arquivo pessoal e digital. Talvez porque é aquela que mais diz sobre mim. Foi o meu filho Pedro que a bateu sem que eu me desse conta num fim de tarde e num dos habituais passeios que fazíamos pelos ermos desta raia imensa onde só se ouve a passarada, o vento, algum chocalho de gado a pastar e estranhamente onde até chega também o marulhar da correnteza do Rio Sever que passa lá no fundo daqueles barreirões íngremes cobertos de matagal. 

E, como o silêncio é tão puro, o som da água a correr chega cá acima ouvindo-se nitidamente.

Quando o Pedro captou o momento tínhamos acabado de saltar a parede do Monte Velho do tio João Forte e acompanhava-nos a já velhinha Sasha, uma cadela labrador meiga e grande companheira, assim como o então jovem e irreverente Bolinhas que adorava ir conosco para correr às vacas só para as ver a fugirem dele, ou então para andar a farejar o esterco dos javalis (como está a fazer na foto) e outras novidades que, na terra do carrrapau, onde nasceu em berço de ouro, não conhecia. A Sasha já partiu há muito tempo, velhinha e vítima de cancro nas maminhas, para ceder o seu lugar à maluca da Suri que mal apanhava a cancela do quintal aberta por descuido meu aproveitava logo para ir lá dentro fazer uns buracos enormes no canteiro da salsa, derrotando tudo como se fosse uma escavadora a abrir valas.

O Bolinhas também já não é vivo. Velhote, finou-se aos 13 anos que na vida de um canito devem valer 90 da vida dos humanos, acarinhado por mim até ao seu último suspiro no sofá sobre a mantinha dele. Comia e dormia, dormia e comia, já pouco se mexia e já não me atrevia a levá-lo comigo quando ia fazer alguma caminhada. Sem a sua companhia e a da Sasha fiz-me também um bocado mandrião e comecei a caminhar já muito menos, principalmente por aqueles ermos onde não chega ninguém durante meses, anos talvez, não sendo seguro nem recomendável andar por lugares tão longínquos sozinho aos 70 anos a saltar paredes ou a subir e descer calhaus. Um pé mal posto, uma queda imprevista, sei lá... 

Dizia a minha prudente mãe que, "à má hora, não ladram cães", o que queria dizer que as coisas ruins não têm hora para acontecer, por isso mais vale prevenir.

Mas tenho saudades de lá voltar e vou mesmo ter que lá regressar um dia destes para me despedir definitivamente dos ciclópicos amontoados graníticos que se sucedem até à linha do horizonte, dos sobreiros e giestas que tantas vezes me acolheram no seu pacífico seio para ouvirem os meus queixumes sempre que os procurei. Foram estes tranquilos lugares o refúgio seguro dos meus mais íntimos segredos e de lá voltei sempre com o coração em paz, grato pela cumplicidade que me era retribuída pelo sussurro das folhas nos ramos a serem tocadas pela suave brisa dos entardeceres, pelo alegre chilrear da passarada, pelo canto monótono do cuco ou da poupa, pelo afinado gorjeio dos rouxinóis que ainda não desistiram de morar nas orlas frescas do ribeiro da Cavalinha nem da fonte da Murta.

A vida tem princípio e fim. Sei, tenho consciência disso, que o meu tempo, agilidade, força, energia e capacidade, estão a começar a diminuir a cada dia que passa. Não fui tão feliz quanto desejei, mas fui feliz o suficiente para achar que valeu a pena ter nascido. Não tive tudo quanto quis e precisava ter, mas tive o suficiente para olhar hoje para trás e dizer com absoluta tranquilidade: 

- Obrigado Vida, por tudo o que me deste! 

Como toda a gente, fui bom e fui mau. Como toda a gente, ri quando fui feliz e chorei quando fui maltratado. Como (quase) toda a gente, tentei não prejudicar ninguém, não ter inveja do que os outros tinham e que eu não podia ter, ajudando no que esteve ao meu alcance quem me pediu essa ajuda ou quando foi necessário. Em resumo, tive da vida o que dela pude ter e aceitei o que por ela me foi concedido, pese embora nunca tivesse também deixado de sonhar que algum dia alcançaria mais e melhor, conforme de facto alcancei.

Hoje olho para trás e penso:  

- Céus! Estou velho porque já vi e vivi muitas coisas boas, mas outras tantas nem por isso...

Existem ainda assim coisas da minha vida que, mais de 60 anos depois, estão tão vivas no meu coração e na minha memória, como se só tivessem passado 60 minutos. Como é isso possível, se as vezes vou da cozinha à sala buscar qualquer coisa e fico especado como um tolo a olhar para todo o lado, porque me esqueci do que ali ia fazer? Estranhamente porém, há outras memórias absolutamente maravilhosas que nenhum passar de tempo ou distância conseguiram fazer esquecer. 

Quando caminho pelos lugares da minha meninice e juventude, reconstituo mentalmente com uma nitidez assombrosa o meu avô e eu pequenito, sentados os dois naquela pedra da parede dos Três Pontões que ainda lá continua no mesmo sítio, ou aquela outra cena onde me picou um lacrau na Tapada da Lagem Alta, quando eu, com tão só 4 anitos saltitava da pedra para o chão e do chão para a pedra, enquanto um pouco mais abaixo a minha mãe mondava tranquilamente mais a tia Ana Galinhas e a tia Mari'zé Meia.

Um lacrau... 
E eu com só 4 anitos. 
Vai lá vai... 

- Ó mããããeee, picou-me um bicho! 

E a Mãe Florinda, mais preocupada que zangada:

- Ah gaiato dum cabrão que já te picou algum "alacrau"!

E eu aflito com as dores e com aquele estranho formigueiro pela perna acima:

- Nã foi nada um "alacrau" mãe... Foi um bichooooo...

E vá de gritar!

Passo lá tantas vezes!
Olho sempre para a pedra encostada à vereda.
Um dia destes tenho que ir cumprir esse algo triste ritual de me despedir de todos esses lugares para sempre. Antes que seja tarde demais. Se calhar até vou pedir ao meu Pedro que vá comigo. Ele gosta desses passeios e faz sempre centenas de fotos. Lindas fotos. Como essa que ilustra este texto! É um artista com a objetiva na mão.

Só não poderemos é levar os cães. A doce Sasha já não está conosco, o maluquinho Bolinhas também não e a enorme Suri partiu na triste tarde de quinta-feira santa do ano passado. Triste tarde não por ser o dia que era, mas porque um malvado tumor maligno inoperável a estava a fazer sofrer e a impedi-la de viver com um mínimo de qualidade de vida. Por isso a sua grande amiga e veterinária foi chamada a intervir, com enorme desgosto nosso, e seu.

É assim a vida. E assim temos mesmo de a aceitar. Com ganhos mas também com inúmeras perdas. Um dia, ninguém sabe quando, nem onde, nem como, seremos nós a faltar.

José Coelho

domingo, 1 de janeiro de 2023

Término do ano 2022


Cada fim de ano é tempo de celebração, mas também de reflexão, de análise e de recomeço. Para trás fica o ano que acaba. Dele, guardemos apenas o que foi bom. Tentemos, ainda que seja algo difícil, esquecer tudo o que nele tenha sido menos bom.

Do sofrimento que possa ter-nos causado, guardemos apenas a certeza que conseguimos sobreviver-lhe. Dos erros que porventura possamos ter cometido, guardemos os ensinamentos que deles colhemos. E das inevitáveis dificuldades, guardemos somente na lembrança aquele momento em que conseguimos superá-las.
Sintamos gratidão por mais um ano de vida, e, apesar de tudo o que tenha acontecido, o importante mesmo é que chegámos até aqui, que nos tornámos mais experientes, mais fortes e mais sábios.
Agora é tempo de enchermos o coração de otimismo, de esperança e de sonhos. É também tempo de recomeçar e renovar os nossos projetos de vida para o novo ano que está prestes a chegar.
Saibamos vivê-lo e aproveitar cada hora, cada minuto, cada segundo dos seus 365 dias.
Boas Festas
31.12.2022
- 31.12. 2022

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1° Dia do Ano da Graça de 2023. Na paz e silêncio da Toca dos Coelhos só se ouve o murmúrio dos madeiros em combustão na lareira. Se a saudade também emitisse algum som, faria um concerto!

Vídeo José Coelho
- 1. 1. 2023

1 de Janeiro - Santa Maria Mãe de Deus

Boas Festas