quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Palavras leva-as o vento


O que nos define são as nossas atitudes, porque palavras leva-as o vento, diz a máxima bastante conhecida com a qual concordo em absoluto. Pode uma pessoa proferir frases muito belas e argumentar com muita veemência, mas a forma como vive e aquilo que faz é que define e revela quem ela é e o que transporta no coração.
O mundo anda envolvido num limbo de turbulência e desmantelamento da ordem e dos valores, que ensombra perigosamente um futuro a necessitar aflitivamente de amor, de respeito, de empatia e de repararmos uns nos outros, para percebermos que somos parte de um todo.
A vida acontece também fora de nós e estende-se muito lá da nossa zona de conforto.
Precisamos e devemos cuidar do que somos, bem como dos nossos sentimentos, mas se só nos preocupamos com o eu, estamos a negligenciar completamente o nosso papel na sociedade, a nossa capacidade de nos relacionarmos e de fazermos a diferença na vida uns dos outros.
Cada pessoa tem a sua forma de comunicar com o Deus em que acredita para se sentir bem. Contudo, apesar de frequentarem igrejas, mesquitas e os mais diversos cultos, todos os dias assistimos a cenas de total falta de compaixão pelo próximo.
Nem sequer os mais frágeis escapam – doentes, crianças, idosos – que, pelo contrário, são sempre os mais castigadas por essa onda de impiedade coletiva.
Depois, lado a lado com a violência explícita, existe também a violência velada, implícita, indireta e extremamente prejudicial: o desprezo, o silêncio diante do mal e muitas outras atitudes que revelam maldade em toda a acepção da palavra.
Pessoas há também que conseguem ser melhores na rua, do que em casa. Encenam uma figura bondosa em sociedade mas nos seus lares são um verdadeiro inferno porque tratam mal os seus familiares das mais variadas formas.
Muitas pessoas se contradizem diariamente fingindo o que não são e por isso tentam expiar as suas culpas nos locais sagrados fazendo caridade por obrigação, na tentativa de receberem o perdão, porque têm consciência plena do mal que fazem.
Mas de que adianta rezar, se continuam a praticar os mesmos erros?