segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Um aviso da natureza


A Kristin não foi apenas uma violenta tempestade. Foi também a prova incontestável da nossa insignificância perante a força da mãe natureza.
Por mais avançados que sejam os métodos de construção e engenharia, por mais sofisticados que sejam os sistemas de proteção e prevenção, em breves momentos tudo o que parecia tão sólido e inabalável se revelou de tal maneira frágil que se desmoronou qual castelo de cartas.
O seu poder destruidor veio mostrar-nos de forma totalmente inesperada e dolorosa que acreditar que estamos preparados para enfrentar os elementos naturais em fúria, é pura ilusão.
As imagens devastadoras da destruição maciça deixadas pela Kristin são o mais convincente testemunho da vulnerabilidade humana. Edifícios que durante décadas foram considerados seguros, bem como outras infraestruturas que aparentavam ser robustas e indestrutíveis, sucumbiram numa questão de segundos, perante a força bruta dos ventos.
E não foram só telhados, paredes e outras estruturas físicas que sucumbiram, mas também as nossas convicções, autoconfiança e certezas na tecnologia e no controlo sobre o ambiente.
O cenário avassalador não nos deixou apenas ruínas. Deixou-nos também um sério aviso para a necessidade urgente de maior humildade e mais respeito pela natureza.
A arrogância humana levou-nos a subestimar os riscos, a acreditar que dominávamos os elementos, que somos capazes de prever e controlar tudo.
Fenómenos naturais como este provam inequivocamente e da pior forma que não só existem forças que nos ultrapassam, como também as nossas certezas ficaram reduzidas a zero.
Perante tamanha devastação prudente seria tomarmos consciência plena de que jamais dominaremos a natureza, porque só ela, só mesmo ela domina tudo, como, quando e onde quer.
Que esta dura e destrutiva lição sem paralelo nos sirva de alerta para repensarmos a nossa relação com o mundo que nos cerca e habitamos.
Que sejamos mais atentos, cautelosos, prudentes e preparados, mas sobretudo reconhecendo também os nossos limites e a nossa imensurável pequenez no universo.
É nessa consciencialização que reside a verdadeira sabedoria, pois só agindo assim se construirão sociedades mais preparadas e mais respeitadoras dos ciclos naturais que gerem a natureza e a vida de todas as espécies, incluindo a humana.

José Coelho 

Foto da net